2014-01-22

Subject: Medicamento ajuda a eliminar memórias traumáticas

 

Medicamento ajuda a eliminar memórias traumáticas

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Adam Gault/Getty Images

As experiências traumáticas deixam uma assinatura no cérebro difícil de apagar: as memórias dolorosas da guerra ou de abusos na infância ficam registadas no DNA sob a forma de marcadores químicos no genoma, tornando problemas como o síndrome de stress pós-traumático (SPT) difíceis de tratar com abordagens comportamentais.

Mas agora os investigadores vieram relatar que, em ratos, a eliminação desses marcadores epigenéticos com um medicamento pode melhorar dramaticamente a eficácia de um tratamento comportamental comum para o SPT, permitindo ao cérebro dissociar uma memória específica da emoção a ela associada.

Em pessoas com SPT ou outro tipo de perturbações ansiosas, a dor associada a uma memória específica não diminui com o tempo, como normalmente acontece: “Todos os dias essas pessoas revivem a situação", explica Li-Huei Tsai, neurocientista no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, e uma das co-autoras do estudo. 

A exposição à memória através de fotografias ou de simulações de realidade virtual do evento traumático em ambiente seguro, parte de uma técnica conhecida por terapia de extinção, pode ajudar a amortecer a dor mas pessoas com SPT severo têm tendência a ter recaídas.

Para simular esta perturbação, Tsai aplicou choques eléctricos nas patas de ratos ao mesmo tempo que soava um barulho alto. Quando os ratos aprenderam a associar o som com o estímulo doloroso, ficavam paralisados assim que o ouviam, mesmo que não recebessem choques. 

Um dia após o condicionamento do medo, a equipa de investigadores soou repetidamente o mesmo som alto num ambiente seguro e fez os ratos esquecerem a associação que tinham aprendido a temer. Mas quando a terapia de extinção teve início um mês depois do condicionamento do medo não funcionou, em parte porque a má memória se tinha fixado epigeneticamente.

Em roedores, diz Tsai, parece demorar cerca de uma semana para a memória ficar permanentemente inscrita no epigenoma mas o seu trabalho sugere que uma classe de medicamentos chamados inibidores da histona diacetilase (HDACi), que retiram os marcadores epigenéticos do DNA, podem alargar essa janela de oportunidade.

Quando os investigadores forneceram aos ratos um HDACi antes de começarem a terapia de extinção, o medicamento pareceu criar um breve período em que as memórias podiam ser reconsolidadas ou modificadas. O HDACi sozinho não tinha qualquer efeito nas memórias dos ratos mas apena suma dose combinada com a terapia de extinção fez com que os ratos deixassem de ficar paralisados com o som traumático.

 

Tsai considera que ainda levará algum tempo antes desta abordagem poder ser aplicada a humanos com SPT. Os HDACi estão aprovados para utilização humana como medicamentos contra o cancro e parece que uma exposição muito curta a eles pode ser suficiente para o tratamento do SPT mas não é claro até que ponto a modificação da memória será específica ou quais os efeitos mais genéricos no cérebro.

Os HDACi parecem preparar o epigenoma cerebral para qualquer tipo de modificação, diz Tsai, o que sugere que o estímulo usado para extinguir a memória pode ter que ser específico para o trauma original. Trabalhos anteriores da sua equipa já tinham mostrado que medicamentos semelhantes podem ajudar a estimular a memória em ratos modelo da doença de Alzheimer.

Tsai está agora a tentar descobrir quais os genes específicos que são afectados pela memória do medo e compreender de que forma esses genes actuam no hipocampo cerebral, que armazena as memórias, e no córtex, que lhes atribui significado.

“Acho que tudo isto é muito entusiasmante", diz a neurocientista Marie Monfils, da Universidade do Texas em Austin. O trabalho de Monfils já demonstrou que voltar a expor brevemente um animal a um som associado a uma memória dolorosa apenas uma vez antes de iniciar a terapia de extinção também melhora o tratamento.

Ela acrescenta que outros estudos já demonstraram que os humanos também reconsolidam as memórias: “Quanto mais vias de tratamento os clínicos tiverem à sua disposição, melhor equipados estarão para ajudar um leque maior de pessoas."

 

 

Saber mais:

Interruptores genéticos fazem arganazes-do-campo apaixonar-se

Epigenética importante para o sucesso evolutivo

Terapia do sono pode alterar más recordações

Jogos de vídeo ajudam a reduzir declínio cognitivo

Cerrar o punho pode estimular a memória

Proteínas causadoras da doença das vacas loucas também ajudam desenvolvimento do cérebro

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com