2014-01-20

Subject: Crescimento das árvores nunca abranda 

 

Crescimento das árvores nunca abranda 

 

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@ Nature/Richard Schultz/Corbis

Os silvicultores há muito que assumiram que as árvores gradualmente perdem o seu vigor, à medida que amadurecem, mas uma nova análise agora conhecida sugere que quanto maior for a árvore mais quilogramas de carbono acumula por ano.

"As árvores que acumulam mais massa são maiores e isso é verdade praticamente em qualquer local da Terra, dos que analisámos", refere Nathan Stephenson, ecologista do Geological Survey americano em Three Rivers, Califórnia, e o primeiro autor do estudo publicado na revista Nature. “As árvores têm o equivalente a um surto de crescimento adolescente mas depois continuam."

A literatura científica está cheia de estudos que se focam no crescimento inicial das florestas e na forma como gradualmente atingem um ponto estável em que a quantidade de carbono que armazenam se mantém, à medida que atingem a maturidade. Os investigadores também têm documentado uma redução do crescimento ao nível individual da folha nas árvores mais velhas.

No seu estudo, Stephenson e a sua equipa analisaram resmas de dados sobre 673046 árvores de 403 espécies localizadas em terrenos monitorizados, tanto em áreas tropicais como temperadas de todo o mundo. Descobriram que as maiores árvores ganharam a maior quantidade de massa por ano em 97% das espécies, capitalizando sobre as suas folhas adicionais e aumentando o seu diâmetro ao alto.

Apesar de terem dependido maioritariamente de dados já existentes, a equipa calculou as taxas de crescimento ao nível das árvores individuais, enquanto os estudos anteriores tipicamente tinham analisado o total global do carbono armazenado num lote de terreno.

Estimar o crescimento absoluto para qualquer tipo de árvore permanece problemático, em parte porque os investigadores tipicamente retiram  medidas à altura de uma pessoa e têm que extrapolar a taxa de crescimento em zonas mais acima. Mas os cálculos dos investigadores consistentemente mostraram que as árvores maiores acumulavam mais massa. Num lote de floresta antiga no oeste americano, por exemplo, árvores com mais de 100 centímetros de diâmetro correspondiam a apenas 6% dos indivíduos mas eram responsáveis por 33% do crescimento.

As descobertas vêm juntar-se a um caso de estudo detalhado publicado em 2010, que mostrava tendências de crescimento semelhantes para duas das árvores mais altas do mundo, a sequóia Sequoia sempervirens e o eucalipto Eucalyptus regnans, ambas capazes de ultrapassar facilmente os 100 metros de altura. 

Nesse estudo, os investigadores subiram e obtiveram medições detalhadas de ramos por toda a copa para calcular o crescimento global das árvores. Stephen Sillett, botânico na Universidade Estadual Humboldt em Arcata, Califórnia, que liderou o estudo de 2010, refere que esta última análise confirma que as descobertas da sua equipa se aplicam a praticamente todas as árvores.

 

Os resultados são consistentes com a conhecida redução do crescimento ao nível da folha à medida que a árvore envelhece. Apesar de as folhas individualmente poderem ser menos eficientes, as árvores mais velhas têm muito mais delas e nas florestas antigas um número reduzido de grandes árvores dominam as tendências de crescimento até serem, eventualmente, deitadas a baixo por uma combinação de fungos, fogos, vento e gravidade. A taxa de acumulação de carbono depende da velocidade com que as florestas antigas se renovam.

“É a realidade geométrica do crescimento das árvores: árvores maiores têm mais folhas e têm mais superfície para depositar madeira", diz Sillett. “A ideia de que as florestas antigas são decadentes é na realidade um mito."

As descobertas ajudam a resolver algumas destas contradições, diz Maurizio Mencuccini, ecologista florestal na Universidade de Edimburgo, Reino Unido. As árvores mais jovens crescem mais rapidamente numa escala relativa, o que significa que levam menos tempo a duplicar de tamanho, diz ele. ”Mas numa escala absoluta, as árvores antigas continuam a crescer muito mais."

O estudo tem vastas implicações para a gestão florestal, seja na maximização da produção de madeira ou no fornecimento às florestas antigas de habitat e stocks de carbono cada vez maiores. De modo geral, a investigação pode ajudar os cientistas a desenvolver melhores modelos do funcionamento das florestas e do seu papel na regulação do clima.

 

 

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