2014-01-19

Subject: Voo em formação espanta cientistas com a sua precisão

 

Voo em formação espanta cientistas com a sua precisão

 

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As aves migratórias coordenam o seu batimento de asas com um rigor muito maior do que antes se pensava de modo a colher as maiores poupanças energéticas do voo em formação, sugere um novo estudo agora conhecido.

Em 2011, como parte de um programa de reintrodução, íbis criadas em cativeiro que seguiam um veículo ultra-ligeiro até aos locais onde iam passar o Inverno organizaram-se em forma de V. Os gravadores de dados que transportavam no dorso capturaram todas as posições em que se colaram e todos os batimentos de asa, fornecendo as evidências experimentais mais convincentes até à data de que as aves exploram a aerodinâmica da familiar formação para conservar energia.

Os modelos teóricos já tinham demonstrado que a formação em V, observada em outras aves migratórias como os gansos, pode permitir às aves que seguem atrás poupar energia mas os modelos também indicavam que a coordenação entre as aves teria que ser excepcionalmente precisa para fazer a diferença e muitos cientistas duvidaram que os animais o conseguissem em voo, diz o ecofisiologista Steven Portugal, da Real Faculdade de Veterinária em Hatfield, Reino Unido.

Para tirar o máximo partido da vantagem da aerodinâmica do V, cada ave teria que posicionar a sua asa na zona de movimento ascendente do vórtice de ar que rodopia do ponta da asa da ave à sua frente. Mas esse vórtice desloca-se para cima e para baixo devido ao bater da asa da ave à frente logo a ave atrás não só tem que estar na posição certa, como tem que bater as suas asas exactamente no momento certo, com alterações que dependem da distância entre as aves, para continuar a beneficiar da força ascendente.

Colocados perante esta complexidade, os cientistas colocaram razões alternativas para a formação, sugerindo que poderia proteger as aves contra predadores ou permitir ao bando colocar os melhores navegadores à frente.

Para o novo estudo, agora publicado na revista Nature, Portugal quis testar a hipótese da aerodinâmica. A sua equipa usou gravadores de dados que desenvolveram ao longo de vários anos, que registam dados de GPS cinco vezes por segundo em sincronia com um acelerómetro que contava os batimentos de asa.

Mas um problema permanecia: como aceder a um bando de aves em voo livre mas que fossem domesticadas o suficiente para serem capturadas repetidamente? 

A resposta veio de um projecto de conservação na Áustria. Aí, uma equipa liderada pelo biólogo Johannes Fritz, que recentemente recebeu financiamento da Comissão Europeia, estava a reintroduzir o íbis careca Geronticus eremita, que estava extinto na Europa há cerca de 400 anos. Desde 2003 que os conservacionistas treinavam aves para que seguissem os seus progenitores adoptivos humanos das zonas de procriação na Áustria e Alemanha aos terrenos de Inverno na Toscânia, usando um ultra-leve. 

 

A convite de Fritz, em Agosto de 2011 Portugal equipou 14 íbis jovens em Salzburg com os seus gravadores de dados.

Portugal recolheu dados de três dias da migração de 36 dias liderada pelo avião. a partir deles seleccionou um segmento de sete minutos sem qualquer problema para analisar. Para sua surpresa, a análise revelou que a formação das aves encaixava nas previsões teóricas da aerodinâmica: “As aves colocam-se no melhor lugar e batem as asas no melhor momento."

Mas isso não parecia ser tudo. Portugal também relata que as aves mudam frequentemente para posições aparentemente menos boas, como a directamente atrás da ave da frente, ajustando o seu bater de asas para evitar o fluxo descendente. Não é claro por que razão deixam a posição em V poupadora de energia, diz o ecologista comportamental Martin Wikelski, do Instituto Max Planck de Ornitologia em Radolfzell, Alemanha. A resposta pode vir com melhor tecnologia de GPS que possa medir as posições verticais, para além das horizontais, diz o biólogo Ty Hedrick, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

Sejam quais forem as razões, as aves claramente têm uma maior capacidade de sentir e responder ao fluxo de ar do que os investigadores acreditavam. "Em geral, sabemos muito menos sobre o sistema sensorial do que sobre o sistema motor do voo animal", diz o biólogo Bret Tobalske, da Universidade do Montana em Missoula. Uma possibilidade, sugere Portugal, é que usem penas especiais.

“Elas têm tanta consciência de onde cada uma está e do que está a fazer", diz Portugal. “E isso é que acho realmente impressionante.”

 

 

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