2014-01-18

Subject: Debate sobre que mamíferos conviveram com os dinossauros

 

Debate sobre que mamíferos conviveram com os dinossauros 

 

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Terá o primeiro mamífero placentário convivido com os dinossauros ou terão emergido depois de um gigantesco asteróide os ter dizimado? Este é o tema de um acalorado debate entre cientistas que defendem que os fósseis são os guardiões do tempo por excelência da história da vida e cientistas que consideram que a genética fornece dados mais fiáveis.

Essas disputas já duram há décadas, desde que os investigadores começaram a verificar os detalhes evolutivos a partir de proteínas e DNA mas a escaramuça sobre os mamíferos placentários começou com um artigo publicado no ano passado, que defendia que o grupo só se tinha diversificado depois dos dinossauros não avícolas se terem extinto, há 65 milhões de anos.

Para esse estudo, Maureen O’Leary, bióloga evolutiva na Universidade Stony Brook em Nova Iorque, passou vários anos a caracterizar e a analisar milhares de características de dúzias de mamíferos vivos e fósseis. A sua equipa combinou essas características com dados genéticos para construir uma gigantesca árvore filogenética, mostrando de que forma os mamíferos placentários se relacionam um com os outros.

Mas para estabelecer quando os diferentes seres evoluíram, os investigadores olharam apenas para o registo fóssil. Concluíram que os primeiros mamíferos placentários surgiram apenas depois do impacto do asteróide que matou os dinossauros e marcou o fim do período Cretácico e o início do Paleogénico. Depois disso, diz a equipa, os placentários diversificaram-se rapidamente e uma pletora de mamíferos ocupou os nichos ecológicos deixados pelos dinossauros.

Phil Donoghue, paleobiólogo da Universidade de Bristol, Reino Unido, não ficou convencido. O trabalho de O'Leary foi “um estudo incrivelmente impressionante em todos os aspectos, com excepção da escala de tempo na escola evolutiva". “O que nos preocupa realmente é que tudo isto vai acabar nos livros escolares."

Agora, Donoghue e os geneticistas evolutivos Mário dos Reis e Ziheng Yang, do University College de Londres publicaram um estudo na revista Biology Letters, dizendo que a equipa de O’Leary fez um erro fatal ao assumir que as linhagens de espécies não são mais antigas que os fósseis mais velhos de que há conhecimento. Os fósseis devem, pelo contrário, assinalar a idade mínima para uma linhagem, diz Donoghue, pois é provável que os animais já existissem antes disso mas não tivessem ficado preservadas em fóssil ou que esses vestígios ainda não tenham sido descobertos.

Usando uma elaboração matemática deste conceito e dados genómicos de dúzias de mamíferos, a equipa de Donoghue calculou novas datas para a árvore filogenética dos mamíferos placentários. Os investigadores concluem que os mamíferos placentários emergiram algures entre 108 a 72 milhões de anos, bem antes dos dinossauros não avícolas terem desaparecido.

 

A crítica segue-se a um comentário técnico de Agosto de 2013 sobre o artigo de O'Leary, em que um grupo independente também rejeitava a sugerida origem no Paleogénico, pois, diziam, exige um aumento dramático na taxa de evolução para explicar a diversidade inicial dos mamíferos placentários.

O’Leary diz que a sua equipa quis evitar introduzir um preconceito ao assumir que os mamíferos placentários são mais antigos do que sugerido pelas evidências fósseis mas Anne Yoder, geneticista evolutiva na Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte, prefere a abordagem de Donoghue, dos Reis e Yang. “É difícil dizer quem está certo e errado mas o peso dos dados apoia a conclusão de dos Reis."

Yoder acrescenta que as descobertas têm o potencial para harmonizar os dados moleculares e fósseis. Há uma década ela concluiu, usando dados genéticos, que o ancestral comum dos lóris viveram há cerca de 40 milhões de anos, mesmo apesar de o fóssil mais antigo ter menos de 20 milhões de anos. Quando o seu artigo estava para impressão, outra equipa relatou ter encontrado um fóssil com mais de 40 milhões que estava de acordo com a sua previsão.

Quanto ao actual debate, “os primeiros mamíferos placentários encontrados no Cretácico irão decidir isto de uma vez", diz Yoder. O’Leary concorda que a questão será decidida pelas evidências fósseis e não por modelos matemáticos.

 

 

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