2014-01-14

Subject: Falta de sincronia entre microrganismo e Homem aumenta risco de cancro do estômago

 

Falta de sincronia entre microrganismo e Homem aumenta risco de cancro do estômago

 

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@ Nature/Sciepro/Science Photo Library/Corbis

A cidade colombiana de Tuquerres, alojada alto nos Andes, tem uma das maiores taxas de cancro do estômago do mundo: cerca de 150 casos por cada 100 mil pessoas. Pelo contrário, a cidade costeira de Tumaco, apenas a 200 km de distância, a taxa equivalente é de apenas de 6 em cada 100 mil pessoas.

Esta diferença de 25 vezes é, em parte, devida a um desencontro evolutivo entre os humanos e um microrganismo, de acordo com um novo estudo.

A principal causa do cancro do estômago é a bactéria Helicobacter pylori, que infecta metade da população. Geralmente é inofensiva mas, ocasionalmente, leva a tumores. A H. pylori infecta os humanos desde as nossas origens em África e diversificou-se connosco à medida que nos espalhamos pelo mundo. Mas em locais como a América do Sul, a chegada dos colonos europeus quebrou esta longa história de co-evolução, produzindo algumas pessoas com estirpes de H. pylori que não partilham a sua ancestralidade.

Agora, uma equipa de cientistas liderada por Pelayo Correa e Scott Williams do Centro Médico da Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee, demonstrou que esta falta de sincronia pode transformar uma infecção normalmente benigna numa potencialmente cancerígena. Quando analisados juntos, os genomas de hospedeiros e microrganismos fazem uma previsão melhor do risco de doença do que quando considerados isoladamente, descobriu a equipa. 

Os seus resultados foram publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Muitas pessoas têm H. pylori, mas muito poucos têm maus resultados. Será isso devido ao organismo ou ao hospedeiro?", diz Martin Blaser, microbiólogo na Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque. “Este artigo fornece evidências que esta sincronia é importante, é um avanço muito importante."

Primeiro os investigadores mostraram que os habitantes da cidade costeira de Tumaco têm, na sua maioria (58%), uma ancestralidade africana, tal como as suas estirpes de H. pylori, pois muitos são descendentes de escravos fugidos ou libertados. Pelo contrário, a população da montanhosa Tuquerres é 67% ameríndia e 31% europeia. As suas estirpes H. pylori são maioritariamente europeias, importadas pelos conquistadores e que, de alguma forma, substituíram as estirpes ameríndias.

A equipa também descobriu que se as estirpes H. pylori tiverem origem diferente da dos seus hospedeiros, parece mais provável que causem lesões estomacais cancerosas. Por exemplo, as que têm origem em África parecem ser maioritariamente benignas em pessoas com uma ancestralidade africana significativa mas têm maior probabilidade de provocar lesões em pessoas com ancestralidade maioritariamente ameríndia.

 

“Os hospedeiros e as estirpes não tiveram hipótese de estabelecer a paz uns com os outros", explica a co-autora do estudo Barbara Schneider, também da Faculdade de Medicina da Universidade Vanderbilt.

Para sua surpresa, ela e os seus colegas descobriram que a incompatibilidade entre o hospedeiro e o microrganismo tinha um maior efeito muito maior sobre o risco de lesões estomacais cancerígenas que um gene bem estudado chamado cagA, que afecta fortemente a virulência da H. pylori. De facto, as diferenças de ancestralidade entre hospedeiro e microrganismo são responsáveis pela quase totalidade da diferença em risco de cancro de estômago entre as populações de Tumaco e Tuquerres.

Mark Achtman, microbiólogo na Universidade de Warwick em Coventry, Reino Unido, diz que a associação feita no artigo é clara e nova mas acrescenta que “também gostaria de a ver replicada noutros locais fora da América do Sul para garantir que não está a reflectir a dieta, a elevação ou outra coisa qualquer."

Os autores também querem ver se as mesmas tendências se aplicam na África oriental, onde o cancro de estômago é invulgarmente comum (afectando cerca de 42 em cada 100 mil homens e 18 em cada 100 mil mulheres) e no resto do continente, onde a incidência de cancro do estômago é mínima apesar dos elevados níveis de infecção com H. pylori.

 

 

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