2014-01-12

Subject: A razão por que os tubarões não têm ossos

 

A razão por que os tubarões não têm ossos

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Norbert Wu/Minden Pictures/Getty Images

Um peixe de aspecto muito bizarro, com um focinho demasiado grande, é o primeiro vertebrado mandibulado mais primitivo com o genoma sequenciado. A sequência de DNA do tubarão-elefante ajuda a explicar por que razão os tubarões têm um esqueleto cartilagíneo e a forma como os humanos e outros vertebrados desenvolveram a imunidade adquirida.

Os tubarões-elefante Callorhinchus milii fazem parte de um ramo evolutivo dos peixes cartilagíneos conhecido como quimeras, parentes próximos dos tubarões e das raias. Eles patrulham as águas profundas ao largo do sul da Austrália e da Nova Zelândia e usam os seus focinhos característicos para caçar bivalves enterrados na areia. Apesar dos tubarões-elefante não serem conhecidos por atacar humanos, apresentam um espigão com sete centímetros na barbatana dorsal, usado para os defender dos predadores.

Há seis anos, os cientistas escolheram o C. milii para ser o primeiro peixe cartilagíneo a ser sequenciado devido ao seu genoma relativamente pequeno, cerca de um terço do humano. “Já tivemos muitos genomas de anfíbios, aves e mamíferos mas não tubarões", diz o autor do estudo Byrappa Venkatesh, perito em genómica comparativa na Agência para a Ciência, Tecnologia e Investigação em Singapura.

Dado o tubarão-elefante é considerado um vertebrado mandibulado primitivo e mudou muito pouco desde que os peixes ósseos surgiram há cerca de 420 milhões, o que o torna um dos vertebrados de evolução mais lenta que se conhece, é uma importante linha de base para a genómica comparativa. “Vamos usá-lo como referência nos próximos anos", diz Venkatesh. O genoma foi publicado na última edição da da revista Nature.

Até agora, os cientistas já sequenciaram os genomas de oito peixes ósseos e de dois tipos de lampreia. Os tubarões, raias e quimeras distinguem-se dos outros vertebrados por terem um esqueleto cartilagíneo e não ósseo e, apesar de os cientistas saberem quais os genes envolvidos na formação dos ossos, não era claro se os tubarões tinham perdido a capacidade de formar ossos ou se nunca os tinham tido em primeiro lugar pois, afinal, são capazes de os produzir para os dentes e para as barbatanas.

A sequência genética revela que os membros deste grupo não têm uma única família de genes que que regula o processo de transformar cartilagem em osso e que uma duplicação deu origem à transformação em vertebrados ósseos. De facto, quando os investigadores desactivaram um desses mesmos genes em peixes-zebra, isso reduziu significativamente a sua capacidade de formar osso.

 

John Postlethwait, biólogo do desenvolvimento na Universidade do Oregon em Eugene, considera as descobertas uma “iluminação”. Ele estuda os peixes do gelo antárctico (Notothenioidei), que perderam a capacidade de formar ossos devido a processos evolutivos, e tenciona verificar se lhes faltam os mesmos genes que faltam no genoma do tubarão-elefante.

O genoma do C. milii também ajuda a responder a questões importantes sobre a evolução da imunidade adquirida, que é a base da vacinação e permite aos humanos e outros vertebrados combater novos agentes patogénicos. Os tubarões-elefante têm células T assassinas, que destroem directamente células do corpo que foram infectadas por vírus mas não têm células T ajudantes, que ajudam a regular a resposta imunitária global em resposta a uma infecção. Os dados da nova sequência sugere que a imunidade adquirida evoluiu num processo em duas etapas, ao contrário de apenas uma, como antes se pensava.

Estão em curso esforços para sequenciar mais peixes cartilagíneos, incluindo a Leucoraja erinacea norte-americana e o tubarão Scyliorhinus canicula.

Igor Schneider, biólogo evolutivo na Universidade Federal do Pará, Brasil, que estuda a evolução dos membros a partir das barbatanas dos peixes, está entusiasmado em puder usar a sequência de dados para o seu próprio trabalho. “O genoma do tubarão-elefante fornece uma ferramenta valiosa para estudos comparativos", diz ele, e espera que o ajude a determinar “as etapas genéticas que conduziram à vida em terra".

 

 

Saber mais:

Peixe fóssil revela origens da mandíbula

Tubarões batem com a cauda para atordoar presas

Tubarões-limão aprendem observando-se uns aos outros

Como as barbatanas se tornaram membros

Revelados os segredos do maior peixe do mundo

Jaws faz trinta anos: que herança deixou?

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com