2014-01-11

Subject: Esforços antitabagismo salvaram milhões de vida em todo o mundo

 

Esforços antitabagismo salvaram milhões de vida em todo o mundo

 

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Meio século depois de o governo americano ter feito soar um influente alarme sobre os perigos para a saúde do tabaco, a taxa global de adultos que fumam reduziu-se e milhões de mortes associadas ao fumo foram prevenidas, relata um conjunto de estudos agora conhecidos.

“O controlo do tabaco foi um sucesso na saúde pública", refere o bioestatístico Theodore Holford, da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, e primeiro autor de um dos artigos, mas ainda há muito a fazer, particularmente nos países e nas populações em que o tabaco ainda é popular.

“Com milhões de mortes por ano atribuíveis ao tabaco, podemos e devemos fazer melhor", acrescenta o perito em saúde global Christopher Murray, da Universidade de Washington em Seattle, líder de uma equipa responsável por outro dos artigos. 

Estes artigos apresentam investigações sobre prevenção e controlo do tabagismo como parte de uma edição especial da revista Journal of the American Medical Association que assinala o 50º aniversário de um relatório de referência sobre os efeitos sobre a saúde do tabagismo. O relatório, publicado a 11 de Janeiro de 1964 pelo responsável pela saúde americana Luther Terry, concluía que as evidências de que fumar provocava cancro do pulmão e outras doenças eram avassaladoras.

O relatório deste porta-voz do departamento de saúde ajudou a desencadear medidas para conter o tabaco, como a legislação americana de 1965 que exigia a existência de avisos nos maços de cigarros. Desde então, o movimento em direcção a regulamentações mais restritivas do tabaco ganhou velocidade. Em 2003, a Convenção-quadro sobre o Controlo do Tabaco da Organização Mundial de Saúde recomendou que os países tomassem medidas para controlar a indústria do tabaco proibindo, por exemplo, a publicidade ao tabaco e ao fumo em locais públicos e aumento os impostos sobre os produtos de tabaco.

Estes e outros esforços de controlo do tabaco, como campanhas de educação, processos contra os produtores de cigarros e programas de abandono do tabaco, evitaram 8 milhões de mortes prematuras só nos Estados Unidos, estima o estudo de Holford, que foi liderado por David Levy, da Universidade de Georgetown em Washington DC. O seu estudo comparou as alterações na expectativa de vida dos americanos desde 1964 com a que seria se as medidas de controlo do tabaco não tivessem sido adoptadas.

A médica Michele Bloch, chefe do departamento de investigação sobre controlo do tabaco no Instituto Nacional do Cancro (NCI) em Bethesda, Maryland, considera o estudo de Levy “poderoso e entusiasmante" pois nenhum outro estudo tinha antes estimado a soma total de mortes relacionadas com o tabaco evitadas ao longo de tão longo período de tempo. O estudo descobriu que essas vidas foram salvas porque os esforços no controlo do tabaco levaram a um ganho médio de 20 anos de vida e a maioria das mortes evitadas teria colhido pessoas de meia-idade.

Em todo o mundo, estima o estudo de Murray, a percentagem de homens adultos que fumam em 187 países reduziu de 41% em 1980 para 31% em 2012 e a percentagem de mulheres caiu de 10,6% para 6,2%. Quatro países (Canadá, Islândia, México e Noruega) cortaram as taxas de fumadores em mais de 50% entre homens e mulheres.

Mas os estudos também apontam para a existência de limitações nos actuais programas de controlo.

 

O estudo de Levy, por exemplo, em parte financiado pelo NCI, salienta que a utilização nos Estados Unidos dos e-cigarros, tabaco sem fumo, charutos e cachimbos está a aumentar e pode eliminar os ganhos de saúde se estas formas de tabaco forem usadas com os cigarros. O estudo de Murray também salienta que devido ao crescimento populacional há mais pessoas a fumar actualmente (967 milhões) do que em 1980, quando havia 721 milhões de fumadores. Ainda mais preocupante, o declínio das taxas de fumadores está a abrandar: entre 1996 e 2006 a taxa caiu cerca de 1,7% ao ano mas apenas caiu 0,9% por ano desde então, na sua maioria devido ao aumento de fumadores em países como o Bangladesh, China, Indonésia e Rússia.

Nem sempre é claro por que razão certos países mantêm taxas de fumadores tão elevadas mas Murray salienta que países que trabalham há mais tempo na implementação de leis antitabagismo e campanhas de educação são os que têm maiores declínios. Por exemplo, diz ele, a Nova Zelândia foi um dos primeiros países a ratificar a Convenção-quadro de Controlo do Tabaco e proibiu o tabaco de praticamente todos os locais de trabalho em 2004. As taxas de fumadores caíram de 26% em 1990 para 18% em 2012.

Bloch espera que o estudo de Murray venha a ajudar a estimular os esforços de controlo do tabaco ao mostrar o vício do tabaco não é menos tratável do que outras prioridades de saúde pública, como as doenças infecciosas: “Por vezes temos a sensação de que o consumo global de tabaco é um problema tão difícil que qualquer esforço para o resolver é fútil. Estes artigos demonstram que isso é falso, que progressos podem e, na realidade, estão a ser feitos."

 

 

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