2014-01-08

Subject: Bloqueio do suicídio celular prometedor como terapia contra HIV

 

Bloqueio do suicídio celular prometedor como terapia contra HIV

 

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A infecção com HIV provoca um suicídio em massa de células imunitárias, um processo que pode ser bloqueado com um medicamento experimental que impede a autodestruição celular, sugerem estudos com células em cultura. Os investigadores vieram agora propor que se realize um teste clínico em pessoas infectadas com HIV.

As actuais terapias contra o HIV funcionam tendo como alvo proteínas chave produzidas pelo vírus mas descobertas feitas em células em cultura e publicadas nas revistas Science e Nature, sugerem que ter como alvo proteínas das células hospedeiras pode ser uma abordagem alternativa para preservar o sistema imunitário perante a infecção com HIV.

Os artigos também abordam um mistério antigo de décadas: por que razão as células imunitárias morrem nas pessoas com HIV. Um estudo de 2010 mostrava que o HIV não mata directamente a maioria destas células, as chamadas células CD4. Em vez disso, as células quase sempre se autodestroem: “É muito mais um suicídio do que um assassínio", diz Warner Greene, virologista molecular no Instituto Gladstone de Virologia e Imunologia de San Francisco, Califórnia, e co-autor de um dos estudos.

Nestes últimos estudos, a equipa de Greene investigou estas infecções 'abortivas' e identificou um sensor que detecta o DNA viral na célula e activa a resposta suicida. Descobriram também que a maioria dos suicídios celulares ocorre via um processo chamado piroptose, em que a célula a morrer provoca uma resposta inflamatória feroz. 

Uma proteína chave envolvida na piroptose é a caspase 1 e um inibidor experimental da caspase 1, produzido pela Vertex Pharmaceuticals de Cambridge, Massachusetts, já tinha sido testado em humanos como um potencial tratamento para a epilepsia. O medicamento, VX-765, falhou perante a epilepsia mas os estudos de seis semanas sugerem que é seguro.

Greene e os seus colegas testaram o VX-765 em células de cultura de amígdalas e baço humanos infectadas com HIV e descobriram que bloqueava a piroptose, impedindo a morte das células CD4 e suprimia a inflamação. Greene espera que a abordagem possa um dia fornecer uma alternativa ou, pelo menos, um complemento, aos medicamentos anti-retrovirais actualmente usados por 9,7 milhões de pessoas em todo o mundo como forma de gerir a infecção com HIV.

Como o inibidor da caspase 1 teria como alvo uma proteína do hospedeiro e não do vírus, é menos provável que o HIV se torne resistente à terapia, diz Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas de Bethesda, Maryland, mas qualquer nova terapia para o HIV irá enfrentar forte competição com os mais de 30 anti-retrovirais actualmente disponíveis: “Tem que se ser muito bem para os substituir", diz Fauci.

 

Compreender por que razão a infecção com HIV mata as células CD4 é um passo importante para os investigadores, diz Gary Nabel, cientista-chefe da Sanofi, uma farmacêutica sediada em Paris. “Precisamos de compreender quando uma célula prefere morrer a permitir que o vírus a infecte e como o vírus consegue escapar ao suicídio celular em resposta à infecção", diz ele.

No entanto, Nabel também pede cautela pois está preocupado com o facto de algumas das infecções que Greene considerou abortivas poderem prosseguir se as células imunitárias sobreviverem. “Impedir a morte celular é uma faca de dois gumes no contexto do HIV. A morte pode ser protectora se uma célula T considera que vai morrer antes que o vírus se replique e se espalhe para outras células."

Greene contrapõe que a sua equipa procurou evidências de progressão de uma infecção activa e não as encontrou. “A piroptose não é uma estratégia para proteger o hospedeiro de uma infecção produtiva, pelo contrário, é uma via que na realidade promove a progressão clínica da SIDA", diz ele.

 

 

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