2014-01-05

Subject: Genomas humanos antigos revelam ancestralidade complexa

 

Genomas humanos antigos revelam ancestralidade complexa

 

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@ Nature/De Agostini Picture Library/Getty ImagesSequências genómicas recentemente conhecidas de quase uma dúzia dos primeiros habitantes humanos da Europa sugerem que o continente já foi um verdadeiro caldo de culturas, em que agricultores de olhos castanhos se encontraram com caçadores-recolectores de olhos azuis.

Os europeus actuais, demonstra este último trabalho, podem traçar a sua ancestralidade até três grupos em combinações variadas: caçadores-recolectores, alguns dos quais com olhos azuis, vindos de África há mais de 40 mil anos; agricultores do Médio Oriente que migraram para oeste muito mais recentemente e uma população nova e mais misteriosa que provavelmente terá vindo no norte da Europa e da Sibéria.

Essa conclusão surge da análise dos genomas de caçadores-recolectores com 8 mil anos, um homem do Luxemburgo e sete indivíduos da Suécia, bem como do genoma de uma mulher com 7500 anos da Alemanha. A análise, liderada por Johannes Krause, da Universidade de Tübingen, Alemanha, e David Reich, da Escola de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, foi publicada no website bioRxiv.org a 23 de Dezembro de 2013 mas os resultados ainda não foram publicados numa revista revista por pares.

Uma segunda equipa, liderada por Carles Lalueza-Fox, da Universidade Pompea Fabra em Barcelona, irá publicar brevemente o genoma de um caçador-recolector com 7 mil anos do noroeste espanhol, revelou o paleogeneticista numa conferência. Em 2012, a sua equipa tinha publicado dados genómicos preliminares da mesma amostra, sugerindo que este caçador-recolector tinha muito pouca relação com os actuais espanhóis. Os dois artigos descrevem o que se pensa serem os genomas humanos europeus mais antigos de que há conhecimento.

A sequenciação genética dos autores sugere que os indivíduos do Luxemburgo e de Espanha, apesar de terem pele escura, provavelmente tinham olhos azuis e pertenciam a grupos conhecidos por serem caçadores-recolectores. A mulher alemã, por sua vez, tinha olhos castanhos e pele clara e estava mais relacionada com grupos do Médio Oriente conhecidos por serem agricultores. 

No entanto, tanto o caçador-recolector luxemburguês, como a agricultora alemã tinham múltiplas cópias do gene da enzima que degrada o amido na saliva, uma característica que foi proposta como sendo uma adaptação à dieta rica em cereais característica da vida agrícola. Por outro lado, nenhum deles tinha a capacidade de digerir a lactose do leite, uma característica que emergiu no Médio Oriente depois da domesticação do gado e sua posterior propagação pela Europa.

O trabalho também traz algumas reviravoltas à pré-história europeia. Estudos arqueológicos e genéticos anteriores sugeriam que a maioria dos actuais europeus eram descendentes de agricultores do Médio Oriente que se cruzaram com caçadores-recolectores locais em algumas regiões e substituíram esses primeiros residentes noutras. A equipa de Krause conclui que uma terceira população contribuiu para o fundo genético dos europeus contemporâneos.

Este grupo, que os autores apelidam de norte eurasianos antigos, podem ter vivido a latitudes elevadas da Europa e da Sibéria até há poucos milhares de anos. Vestígios desta população também foram detectados no genoma de uma criança siberiana com 24 mil anos. Publicado online no mês passado, o genoma do rapaz sugere que os eurasianos do norte se terão cruzado com os europeus e com os ancestrais dos nativos americanos.

 

Uma comparação dos novos dados com sequências genéticas de indivíduos actuais mostra que os actuais residentes de vários países europeus são uma mistura destes três grupos. Os escoceses e os estonianos, por exemplo, têm maior ancestralidade norte eurasiana do que qualquer outra população europeia moderna amostrada, enquanto os da Sardenha estão mais próximos dos agricultores do Médio Oriente que do resto dos europeus.

Os novos genomas europeus antigos também indiciam fugas dos primeiros humanos de África. Os agricultores do Médio Oriente, descobriu a equipa de Krause, divergiram dos seus ancestrais africanos mais cedo que os grupos europeus e asiáticos. Uma possível explicação para este padrão pode ser os agricultores serem descendentes de humanos que habitaram colónias com 100 a 120 mil anos em Israel e na Península Ibérica. Muitos investigadores assumiram que estes locais representavam migrações falhadas de saída de África, pois outras evidências sugeriam que os humanos apenas tinham deixado África há menos de 100 mil anos.

“Acho que ninguém estava à espera disto”, diz Eske Willerslev, paleogeneticista na Universidade de Copenhaga. Mas ele considera que a existência dessa população a norte vai ser complicada de provar conclusivamente, ainda que “seja super interessante, se for correcto."

“O que seria mesmo bom era encontrar um indivíduo que seja uma observação directa dessa população", diz Pontus Skogland, geneticista evolutivo na Universidade de Uppsala, Suécia. O DNA antigo não dura muito em climas quentes pelo que encontrar DNA desta população no Médio Oriente pode exigir avanços técnicos e muita sorte.

Lalueza-Fox não discute o trabalho da sua equipa mas alerta contra assumir demasiado sobre os europeus com base num punhado de genomas antigos, todos do mesmo período: “Vão haver muitas migrações diferentes e muito espaço para novas investigações nos próximos anos."

 

 

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