2013-12-28

Subject: Mamíferos carismáticos podem ajudar a conduzir conservação

 

Mamíferos carismáticos podem ajudar a conduzir conservação

 

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@ Nature/Snap2Art/Shutterstock.com

Leões, elefantes e outras espécies carismáticas não são, por si só, boas indicadoras de pontos-quentes de biodiversidade mas uma nova análise sugere que os estudos dos grandes mamíferos que tanto agradam aos turistas podem ser parte de um cocktail de indicadores que produzem mapas úteis para o planeamento de esforços de conservação.

É frequente os cientistas de organizações conservacionistas focarem as suas investigações em animais de grande porte interessantes que o público, e os doadores, adoram, como pandas, tigres ou gorilas. Uma razão racional para isso é que dado que esta megafauna carismática apenas pode prosperar em áreas grandes, ricas e biodiversificadas, a sua distribuição pode agir como indicador da diversidade de ecossistemas inteiros, de microrganismos para cima, algo que é extremamente difícil de medir. 

Há muito que os conservacionistas defendem que as acções dirigidas à conservação de um animal icónico têm um efeito guarda-chuva e salvam espécies menos glamorosas que prosperam à sua sombra.

No entanto, alguns estudos têm lançado sérias dúvidas sobre a realidade do efeito guarda-chuva. Uma análise de 1998 realizada por Daniel Simberloff, biólogo na Universidade do Tennessee em Knoxville, salientava que “que muitas outras espécies fiquem realmente sob o guarda-chuva é mais uma questão de fé do que de investigação". 

Igualmente, um relatório de 2000 revelou que mapas da distribuição geográfica dos cinco grandes mamíferos africanos populares junto dos turistas (leões Panthera leo, leopardos Panthera pardus, elefantes Loxodonta africana, búfalos africanos Syncerus caffer e rinocerontes Diceros bicornis e Ceratotherium simum) "não eram significativamente melhores na representação da diversidade de mamíferos e aves do que os resultantes de uma escolha aleatória de áreas".

Assim, Enrico Di Minin e Atte Moilanen, biólogos populacionais na Universidade de Helsínquia, decidiram construir uma fórmula que combinasse a distribuição geográfica dos grande cinco com outro tipo de informação, de forma a obter mapas verdadeiramente úteis. A sua análise foi publicada na revista Journal of Applied Ecology.

A dupla focou-se no KwaZulu-Natal, a província sul-africana conhecida por ser um ponto-quente de diversidade, onde os grandes cinco vagueiam entre florestas, bosques e savanas. Os investigadores fizeram milhares de mapas com resolução de 200 × 200 metros usando 662 medições de biodiversidade, cada uma descrevendo a distribuição de um tipo de habitat ou de uma espécie. Consideraram espécies que os conservacionistas amam, as ameaçadas de extinção, as raras e as endémicas.

Di Minin e Moilanen descobriram que a distribuição dos grandes cinco, por si só, não ajudava muito a prever onde se encontraria alta biodiversidade para outras espécies. Particularmente, as áreas com muitos mamíferos carismáticos não eram necessariamente as ricas em invertebrados, répteis, anfíbios ou plantas.

Mas os investigadores também criaram mapas que sobrepunham várias camadas de dados, mostrando a distribuição dos grandes cinco e de espécies chave de aves, répteis e anfíbios. Mais, acrescentaram uma camada de informação relativa à diversidade de tipos de habitat em cada unidade de superfície que consideraram. Desta forma descobriram que, para uma dada quantidade de terreno, as áreas que incluem o máximo desta diversidade que fosse possível também incluíam uma elevada percentagem da diversidade de plantas e invertebrados da área.

 

Assim, mesmo em locais, e há muitos, onde os dados sobre plantas e invertebrados não existiam, a informação sobre a megafauna carismática pode ser útil se for complementada por informação sobre mais grupos animais e tipos de habitat, tornando-se um substituto razoável para todo o resto da biodiversidade, de insectos a árvores ou bolores e microrganismos.

A abordagem com “mais camadas" à medição da biodiversidade parece funcionar bem em todas as paisagens terrestres e aquáticas, comenta Hugh Possingham, modelador ecológico na Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália. “Existem agora muitos estudos de substituição como este, se acrescentarmos mais camadas obtém-se um resultado melhor. Se tens mais dados, usa-os."

Mas porque razão usar a megafauna de todo, se estas espécies são tão más a prever onde se encontram essa biodiversidade menos apelativa? Di Minin considera que um mapa é mais útil quando explicitamente inclui os animais de grande porte economicamente importantes: “Uma grande proporção dos turistas que visitam a África do Sul são atraídos por estes matulões, eles geram muito dinheiro. A questão importante é se os podemos usar para proteger mais biodiversidade."

 

 

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