2013-12-22

Subject: Narcolepsia confirmada como doença auto-imune

 

Narcolepsia confirmada como doença auto-imune

 

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Enquanto a pandemia de gripe suína varria o mundo em 2009, a China assistiu a um pico de casos de narcolepsia, uma doença misteriosa que envolve uma sonolência súbita e incontrolável. Entretanto, na Europa, cerca de uma em cada 15 mil crianças que receberam Pandemrix (a agora defunta vacina da gripe que continha fragmentos do vírus pandémico) também desenvolveram narcolepsia, uma doença crónica.

A imunologista Elizabeth Mellins e o investigador da narcolepsia Emmanuel Mignot, da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia, solucionaram parcialmente o mistério por trás destes eventos, para além de confirmarem a hipótese há muito avançada de que a narcolepsia é uma doença auto-imune.

A narcolepsia é causada pela perda gradual de neurónios produtores de hipocretina, a hormona que nos mantém acordados. Muitos cientistas já suspeitavam que o sistema imunitário era responsável mas a equipa de Stanford descobriu a primeira evidência directa: um grupo especial de células T CD4+ que têm como alvo a hipocretina e se encontram apenas em pessoas com narcolepsia.

“Até agora, a ideia de que a narcolepsia era uma doença auto-imune era uma hipótese muito apelativa mas esta é a primeira evidência directa da auto-imunidade", diz Mellins. “Penso que estas células são a prova definitiva." O estudo foi publicado na última edição da revista Science Translational Medicine.

Thomas Scammell, neurologista na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard em Boston, Massachusetts, diz que os resultados são bem-vindos depois de anos “anos de modesto desapontamento", marcados por muitos falhanços em descobrir anticorpos produzidos pelo corpo de uma pessoa e que atacam a sua própria hipocretina. “É uma das melhores coisas a acontecer no campo da narcolepsia desde há muito tempo."

Não é claro porque razão algumas pessoas produzem estas células T e outras não mas a genética pode desempenhar um papel. Em trabalhos anteriores, Mignot mostrou que 98% das pessoas com narcolepsia têm uma variante do gene HLA que se encontra apenas em 25% da população em geral.

Factores ambientais, como infecções, provavelmente também contam, no entanto. O modelo de trabalho de Mellins é que a narcolepsia acontece quando pessoas com uma predisposição genética, que envolve ter várias variantes genéticas relacionadas com a narcolepsia, encontram um factor ambiental que imita a hipocretina, desencadeando uma resposta imunitária. O vírus H1N1 de 2009 foi um desses factores: a equipa descobriu que essas mesmas células T CD4+ especiais também reconheciam a proteína do vírus pandémico H1N1.

 

É claro que a narcolepsia já existia há muito antes da pandemia de 2009 e dado que os novos casos da doença parecem aumentar logo após o Inverno, na sequência do pico da gripe sazonal, é possível que outras estirpes ou mesmo outros vírus estejam envolvidos.

Mas os resultados não explicam completamente o mistério do Pandemrix, pois outras vacinas continham as mesmas proteínas mas não levaram a aumento de casos de narcolepsia. Independentemente, Mellins diz que deverá ser possível evitar a repetição do mesmo erro garantindo que futuras vacinas não contenham componentes que se assemelhem à hipocretina.

Outra ponta solta é que “eles não mostram de que forma estas células T estão a matar os neurónios produtores de hipocretina", acrescenta Scammell. “É como um mistério policial e não sabemos quem é o verdadeiro assassino." Ele pensa que é improvável que as células T sejam as verdadeiras culpadas, em vez disso, podem estar a agir através de um intermediário ou simplesmente serem um sintoma de outro evento destruidor.

"Os resultados são muito importantes mas precisam de um estudo replicador com um grupo alargado de pacientes e controlos", diz Gert Lammers, neurologista no Centro Médico da Universidade de Leiden na Holanda e presidente da Rede Europeia de Narcolepsia. “Se as descobertas forem confirmadas, o primeiro resultado pode ser o desenvolvimento de novos testes de diagnóstico."

 

 

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