2013-12-19

Subject: Indecisão relativamente a antigas áreas agrícolas soviéticas

 

Indecisão relativamente a antigas áreas agrícolas soviéticas

 

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@ Nature/F. Schierhorn et al.O colapso da União Soviética em 1991 anunciou o fim de muitas indústrias comunistas não rentáveis, bem como um conjunto de alterações sem precedentes na utilização da terra.

À medida que a economia de mercado se afirmava, vastas áreas de terras de cultivo soviéticas foram abandonadas pelos agricultores e reclamadas pela natureza, provocando uma verdadeira dor de cabeça para os actuais decisores: devem essas áreas ser replantadas para alimentar bocas esfomeadas ou devem ser deixadas selvagens para que funcionem como um substancial sumidouro do poluente dióxido de carbono?

A questão ressurgiu este mês depois de um estudo ter sugerido que as áreas agrícolas abandonadas desde 1990 na Rússia ocidental, Belarrúsia e Ucrânia foram severamente subestimadas. 

De acordo com os números baseados em estatísticas regionais de colheitas, mais de um quarto das antigas áreas agrícolas da região estão paradas. Isto representa cerca de 31 milhões de hectares (uma área do tamanho da Polónia) e corresponde a mais do triplo da área estimada em 2009 pela Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) com base nas observações de utilização da terra a partir do espaço.

Esses mapas do coberto dos terrenos derivados de imagens de satélite não são rigorosos, pelo que Florian Schierhorn, geógrafo no Instituto Leibniz para o Desenvolvimento Agrícola da Europa Central e Ocidental em Halle, Alemanha, se virou para os dados de colheitas anuais para mapear as alterações nos terrenos agrícolas com alta resolução temporal e espacial. Usando esses mapas, a equipa de investigadores aplicou um algoritmo baseado em preferências como a qualidade do solo para decidir que locais tinham maior probabilidade de terem sido cultivados num dado ano. Validaram os seus mapas usando dados de detecção remota e imagens do Google Earth.

“A União Soviética esforçou-se muito por alcançar a auto-suficiência agrícola", diz Schierhorn, o que significou cultivar mesmo terrenos de baixa qualidade. Segundo ele, a produção de cereais em regiões férteis continua substancial mas caiu a pique em locais menos férteis essencialmente porque, após 1990, houve uma redução gigantesca no gado soviético, grande consumidor de rações.

Muitos locais em tempos usados para produzir rações para animais poderiam actualmente suportar variedades de trigo e outros cereais, diz Schierhorn. Se totalmente replantadas, ele estima que as terras abandonadas da região poderiam produzir cerca de 90 milhões de toneladas de cereais por ano, cerca de 35 milhões de toneladas mais do que a de trigo russa em 2013. Recultivar apenas parte dessas terras seria suficiente para proteger a Rússia das suas notoriamente erráticas colheitas, acrescenta Schierhorn, e, em último caso, ajudaria a satisfazer a procura global de cereais para a alimentação animal e humana, projectada para chegar às 3 biliões de toneladas até 2050.

O grau abandono das terras na Rússia ocidental não é claro, no entanto. Kirsten de Beurs, geógrafa na Universidade do Oklahoma em Norman, visitou frequentemente a região e considera que alguns dos dados de Schierhorn não reflectem directamente o que se passa no terreno: “Encontrámos muitas áreas abandonadas mas também um número significativo de áreas que voltaram ser cultivadas", diz ela.

 

Mas há um problema com o recultivo dos terrenos agrícolas abandonados pois o carbono aprisionado nos solos e plantas poderá ser libertado para a atmosfera. O estudo de Schierhorn estima, usando modelos de vegetação, que 470 milhões de toneladas de carbono (o equivalente a cerca de um terço das emissões de CO2 dos Estados Unidos em 2012 se libertadas) foram sequestradas entre 1990 e 2009 nos terrenos agrícolas abandonados na Rússia ocidental e Ucrânia.

A vegetação selvagem está a absorver carbono a uma taxa três vezes superior à anteriormente estimada por alguns investigadores e o sumidouro pode tornar-se ainda mais substancial se se formarem florestas, relata a equipa. Os terrenos abandonados, diz Schierhorn, são responsáveis por um terço do sumidouro de carbono fornecido por todas as florestas na Rússia ocidental.

Mas estas estimativas estão envolvidas em incerteza, diz Nicolas Vuichard, perito em ecossistemas no Laboratório do Clima e Ciências Ambientais em Gif-sur-Yvette, França. Num estudo de 2008, ele calculou um sumidouro de carbono de cerca de 8 milhões de toneladas por ano nos terrenos agrícolas abandonados da Ucrânia, Belarrúsia e Rússia ocidental.

“A capacidade de um sumidouro de carbono não depende apenas da presente actividade biológica mas também da gestão das antigas práticas agrícolas, como a utilização de fertilizantes", diz Vuichard.

Actualmente, existem sinais de que locais abandonados na Rússia estão a ser replantados; áreas aradas e plantadas com forragem e outras colheitas aumentaram ligeiramente nos últimos anos. A tendência é encorajadora para a produção de alimentos, diz Schierhorn, mas uma inversão completa da situação pode não ser desejável, dado o balanço entre prós e contras.

Schierhorn estima que cerca de 10 milhões de hectares poderão ser recultivados sem que existe demasiado stress sobre o solo e recursos hídricos, “o resto era melhor que permanecesse intocado".

 

 

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