2013-12-16

Subject: Genética dos caribus revela sombra de alterações climáticas

 

Genética dos caribus revela sombra de alterações climáticas

 

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Quando o gelo cobriu a América do Norte há 20 mil anos, durante o máximo da última Idade do Gelo, devorou zonas habitáveis para os caribus e isolou-os dos seus parentes eurasiáticos durante milhares de anos.

Agora os investigadores revelaram evidências de que esses eventos climáticos esculpiram a genética do caribu norte-americano, o que pode impedir estes animais de se adaptarem a futuras alterações climáticas.

“Apesar de o passado não ser garantia para o futuro, torna-me pessimista sobre o futuro desta espécie", diz Glenn Yannic, geneticista populacional na Universidade Laval em Quebec City, Canadá e principal autor de um estudo agora publicado na revista Nature Climate Change.

As grandes manadas de caribus estão em declínio por todo o mundo. Os cientistas têm atribuído a culpa desta situação à exploração de recursos naturais e à construção de novas estradas que se têm estabelecido no habitat do caribu e às alterações do clima que dessincronizam a migração das manadas com o crescimento vegetal primaveril, deixando-os a passar fome. 

A maior parte dos estudos que prevê impactos climáticos sobre as espécies analisa os ecossistemas, espécies individualmente ou populações, não factores genéticos à escala global, refere Yannic.

“Nós já temos sofrido muitas alterações climáticas", diz Paul Wilson, geneticista da conservação na Universidade Trent em Peterborough, Canadá. "A genética dar-nos-á informação sobre o que aconteceu na interface da idade do gelo, logo porque não usá-la para produzir projecções?"

Yannic e os seus colegas caracterizaram a evolução do caribu analisando pequenos segmentos de DNA, conhecidos por marcadores, de 1297 caribus de toda a actual distribuição geográfica da espécie.

A análise revelou duas linhagens distintas de caribus, que divergiram há cerca de 300 mil anos. O grupo Euro-Beringia actualmente ocupa zonas da Eurásia, Groenlândia e América do Norte, incluindo o arquipélago norueguês de Svalbard, Rússia, Alasca e os arquipélagos canadianos do árctico. A linhagem norte-americana estabeleceu-se no Quebec, Newfoundland e nas pradarias canadianas.

O trabalho também revelou diferenças na riqueza genética, ou diversidade, dos dois grupos. Os investigadores focaram a sua análise genética nas sequências de DNA que parecem não ter impacto na adaptação dos caribus a novos ambientes, os chamados marcadores neutrais.

 

Seguidamente, emparelharam os dados genéticos com um modelo climático que produziu mapas de habitats adequados aos caribus a cada mil anos, nos últimos 21 mil anos. Isto permitiu-lhes inferir a distribuição das duas linhagens de caribus ao longo do tempo passado. Descobriram que a distribuição dos grupos se alinhava em ambos os modelos: “Isso significa que podemos ter confiança que o clima teve uma enorme influência na distribuição geográfica dos caribus", diz Yannic.

Apenas uma fina faixa de habitat permaneceu adequada aos caribus na América do Norte há 21 mil anos, durante a glaciação, matando a maioria da população. Em resultado disso, muitas variantes genéticas desapareceram completamente e a diversidade genética do caribu norte-americano diminuiu. Pelo contrário, o caribu Euro-Beringia, que viveu num clima mais estável durante o mesmo período, permaneceu mais diverso geneticamente.

A equipa também olhou para o futuro. Se as emissões de gases de efeito de estufa permanecerem estáveis, o seu modelo indica que o caribu norte-americano pode perder até 89% do seu habitat adequado até 2080. Associado aos baixos níveis de diversidade genética, este facto pode tornar o caribu norte-americano uma visão rara fora do norte do Quebec e do Labrador, diz Yannic.

Ele prevê que a população Euro-Beringia não sofra um impacto negativo tão grande, mesmo que venha a perder até 60% do seu habitat adequado.

“É de alguma forma consolador que estejam a prever alguma estabilidade na população eurasiática", diz Tara Fulton, paleogeneticista na Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá. “Se os caribus têm muito diversidade nesses marcadores neutrais, provavelmente também terão muito diversidade nos genes que lhes permitem adaptar-se a alterações ambientais."

 

 

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