2013-12-11

Subject: Nem todas as espécies entram em declínio com a idade

 

Nem todas as espécies entram em declínio com a idade

 

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@ Nature/Barbara Carroll/Getty

Os guppies e as pulgas de água apenas vivem dias ou semanas mas a sua taxa de mortalidade aumenta acentuadamente com a idade, tal como no caso de animais de vida bem mais longa, como os humanos. No entanto, outros animais, como o caranguejo-eremita ou a hidra (o microscópico animal de água doce que vive séculos) contornam essa tendência, desfrutando de níveis praticamente constantes de fertilidade e mortalidade.

Uma comparação dos padrões demográficos estandardizados em 46 espécies, publicada hoje na revista Nature, sugere que a vasta diversidade de 'estratégias de envelhecimento' entre elas desafia a noção de que a evolução conduz inevitavelmente à senescência, ou seja, à deterioração da mortalidade e da fertilidade, com a idade, diz Owen Jones, biólogo na Universidade do Sul da Dinamarca em Odense, que liderou o estudo.

“Ao realizar uma análise com muitas espécies, ficámos com uma visão mais geral e encontrámos uma abundância de violações desta teoria subjacente", diz Jones.

Para comparar os padrões de fertilidade e mortalidade, os autores reuniram dados publicados sobre o ciclo de vida de 11 mamíferos, 12 outros vertebrados, 10 invertebrados, 12 plantas vasculares e uma alga verde, e estandardizaram as trajectórias dividindo as taxas de mortalidade em cada ponto do ciclo de vida pela taxa de mortalidade média.

A equipa não encontrou qualquer associação entre a duração da vida e o grau de senescência. Das 24 espécies que revelam o aumento mais abrupto da mortalidade com a idade, 11 tinham durações de vida relativamente longas e 13 tinham durações de vida relativamente curtas. Uma divisão semelhante relativamente à duração da vida ocorria nas espécies que tinham um aumento menos abrupto na mortalidade.

Quando os investigadores organizaram as espécies ao longo de um contínuo de senescência, os mamíferos ficaram agrupados numa extremidade do espectro, entre os organismos que sofrem uma alteração abrupta na mortalidade, e as plantas, que têm uma mortalidade muitíssimo inferior, povoavam o outro extremo. Aves e invertebrados ficaram dispersos por todo o contínuo.

Os autores sugerem que a diversidade nas estratégias de envelhecimento através de todo o espectro desafiam os teóricos. “As teorias evolutivas que temos aplicam-se em muitas situações mas não conseguem explicar alguns casos", diz Jones. “Não se trata de deitar fora as antigas teorias mas sim de as modificar de forma a que funcionem para todas as espécies."

Esta é a primeira vez que se tenta estandardizar comparações entre espécies de taxas de mortalidade e sobrevivência mas já deixou muitos cientistas a coçar a cabeça pois, dizem eles, a diversidade de estratégias de vida está bem estabelecida. 

 

Mais importante, questionam a base biológica da comparação. Em causa está a validade de comparar populações criadas em laboratório, frequentemente consanguíneas, com estudos de campo, alguns dos quais decorrem ao longo de décadas. 

“Esta abordagem é uma espécie de salada de frutas, propondo que assim se saberá algo sobre a evolução da laranja”, diz Steven Austad, biólogo evolutivo no Centro de Ciência da Universidade do Texas em San Antonio. “Esta comparação de trajectórias demográficas por toda a árvore da vida está completamente divorciada da biologia e ignora o impacto do ambiente."

Laurence Mueller, biólogo evolutivo na Universidade da Califórnia, Irvine, concorda: “Os organismos no campo morrem devido a muitas razões, como por exemplo, predação ou doenças, que não o envelhecimento. Infelizmente, o desconhecimento sobre a fonte da mortalidade nos dados de campo confunde os padrões de senescência relacionados com a idade, que é o que nos interessa."

O co-autor do estudo Hal Caswell, ecologista matemático na Instituição Oceanográfica Woods Hole no Massachusetts, diz que a tentativa de distinguir se as mortes se devem ou não à senescência é um erro: “Um aumento na mortalidade com a idade representa um declínio na capacidade de lidar com os perigos da morte, independentemente da sua fonte, e é definido como senescência."

Mas críticos dizem que duvidam que este artigo represente um desafio formidável à teoria evolutiva. “Este estudo é uma recordação útil de que os padrões de envelhecimento são diversificados mas não refuta a teoria existente", diz Stephen Stearns, biólogo evolutivo na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. “Isso exigiria medições empíricas difíceis do equilíbrio entre a reprodução e a mortalidade, que ainda não foram feitas."

 

 

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