2013-12-09

Subject: DNA de hominídeo intriga peritos

 

DNA de hominídeo intriga peritos

 

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@ Nature

Outro genoma antigo analisado e outro mistério encontrado. DNA obtido a partir de um fémur com 400 mil anos escavado em Espanha revelou uma inesperada ligação entre os hominídeos europeus desse tempo e uma críptica população, os Denisova, que se sabe terem vivido muito mais recentemente no sudoeste siberiano.

O DNA, que representa a sequência mais antiga de um hominídeo alguma vez publicada, deixou os investigadores intrigados pois a maioria deles acreditava que os ossos seriam mais fortemente aparentados com os Neanderthal do que com os Denisova. “Não é nada o que eu esperava, na realidade ninguém o esperava", diz Chris Stringer, paleoantropólogo no Museu de História Natural de Londres, que não esteve envolvido no estudo.

O fóssil foi escavado na década de 90 numa caverna profunda num local bem estudado no norte de Espanha, conhecido por Sima de los Huesos (poço de ossos). Este fémur e os vestígios de mais de duas dúzias de outros hominídeos descobertos no local tinham sido classificados como formas iniciais de Neanderthal, que viveram na Europa até há cerca de 300 mil anos, ou a Homo heidelbergensis, uma população de hominídeos pouco definida que terá dado origem aos Neanderthal na Europa e possivelmente aos humanos africanos.

Mas uma ligação mais próxima com os Neanderthal do que com os Denisova não foi o que a equipa liderada por Svante Pääbo, geneticista molecular no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, encontrou. 

A equipa sequenciou a maior parte do genoma mitocondrial do fémur, que é passado através da linhagem materna e a análise filogenética resultante colocou o DNA mais próximo dos Denisova que dos Neanderthal ou dos humanos modernos, o que “coloca mais questões do que respostas", diz Pääbo.

A descoberta da equipa, publicada  online na Nature esta semana, não significa necessariamente que os hominídeos de Sima de los Huesos estão mais próximos dos Denisova, uma população que viveu a milhares de quilómetros de distância e centenas de milhar de anos mais mais tarde, do que com os vizinhos Neanderthal pois os genoma mitocondrial apenas conta a história da mãe de um dado indivíduo, da sua avó, etc.

O DNA nuclear, pelo contrário, contém material de ambos os progenitores (e de todos os seus ancestrais) e tipicamente fornece uma visão mais rigorosa da história de uma população mas este não estava disponível no fémur estudado.

Com essa questão em mente, os investigadores interessados na evolução humana estão a debater-se para explicar a surpreendente ligação e todos têm ideias diferentes.

Pääbo salienta que genomas nucleares inteiros de Neanderthal e Denisova antes publicados sugerem que os dois tiveram um ancestral comum que terá vivido há 700 mil anos. Ele sugere que os hominídeos de Sima de los Huesos podem representar a população fundadora que em tempos viveu na Eurásia e originou os dois grupos. Ambos podem ter a sequência mitocondrial encontrada nas cavernas mas estas linhagens mitocondriais extinguem-se sempre que uma fêmea não produz uma filha, logo os Neanderthal podiam simplesmente ter pedido a sequência que perdurou nas mulheres Denisova.

“Eu tenho a minha visão sobre isso", diz Stringer, que já tinha defendido que os hominídeos de Sima de los Huesos são na realidade os primeiros Neanderthal. Ele pensa que o genoma mitocondrial recém-descodificado pode provir de outro grupo de hominídeos distinto. 

 

Perto das cavernas, os investigadores descobriram ossos de hominídeo com cerca de 800 mil anos que foram atribuídos a um hominídeo arcaico conhecido por Homo antecessor, que se pensa ser o descendente europeu do Homo erectus. Stringer propõe que estes espécimes se cruzaram com a população ancestral dos Denisova e de Sima de los Huesos, introduzindo a linhagem mitocondrial descodificada em ambas as populações.

Este cenário, diz Stringer, explica outra singularidade lançada pela sequenciação do DNA deste hominídeo antigo. Como parte de uma análise muito discutida e prestes a ser publicada dos genomas nucleares dos Denisova e de Neanderthal, a equipa de Pääbo sugere que os Denisova parecem ter-se cruzado com um grupo misterioso de hominídeos.

A situação pode ficar mais clara se a equipa de Pääbo conseguir obter DNA nuclear dos ossos dos hominídeos de Sima de los Huesos, o que a sua equipa espera fazer no espaço de um ano.

Obter essas sequências não será fácil pois o DNA nuclear está presente a níveis muito inferiores do que o DNA mitocondrial e até este último foi difícil de obter: a equipa teve que moer quase duas gramas de osso e depender de vários métodos técnicos e computacionais para sequenciar o DNA danificado e contaminado e arranjá-lo num genoma. Para garantir que identificaram sequências genuinamente antigas, analisaram apenas pequenos segmentos de DNA que continham modificações características do DNA antigo.

Clive Finlayson, arqueólogo no Museu de Gibraltar, apelida este último artigo de “sóbrio e refrescante" e considera que muitas ideias sobre a evolução humana derivam de amostragem limitada e ideias preconcebidas mas, "para mim, a genética não mente".

Até Pääbo admite que ficou intrigado com a descoberta da sua equipa: “A minha esperança é, claro, que eventualmente traremos clareza e não confusão a este mundo."

 

 

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