2013-12-08

Subject: Esperanças de cura dos 'pacientes de Boston' arrasadas

 

Esperanças de cura dos 'pacientes de Boston' arrasadas

 

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@ Nature/Callista Images/cultura/Corbis

Dois pacientes que os investigadores esperavam ter curado do HIV viram as suas infecções regressarem, despedaçando as esperanças de que o vírus tivesse sido erradicado dos seus corpos.

Os pacientes tinham recebido um tratamento semelhante ao dado a Timothy Ray Brown, conhecido como o 'paciente de Berlim', que os médicos tinham indicado em 2009 ter sido curado do vírus por um transplante de medula óssea com células resistentes à infecção do HIV.

Ao contrário de Brown, no entanto, os dois 'pacientes de Boston', assim apelidados devido à cidade do Massachusetts onde foram tratados, receberam transplantes de medula óssea com células não resistentes ao HIV. Ainda assim, ambos pareciam estar livres do vírus meses depois de deixarem o tratamento com anti-retrovirais mas num encontro sobre persistência do HIV em Miami, Florida, os investigadores relataram que o vírus tinha regressado em ambos os pacientes de Boston.

“É desapontante e muito entristecedor", diz a virulogista Deborah Persaud, do Centro Infantil Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, que tinha relatado em Março que a sua equipa parecia ter curado uma criança do HIV através de tratamento com medicamentos anti-retrovirais.

Outros investigadores consideraram as notícias sobre os pacientes de Boston muito tristes mas não inteiramente inesperadas pois não receberam o mesmo tratamento que Brown.

Ainda, o resultado é muito importante para os investigadores que buscam uma cura para o HIV, diz Steven Deeks, investigador de HIV e médico na Universidade da Califórnia, San Francisco. “O falhanço na cura destes indivíduos irá certamente influenciar a condução dos futuros testes clínicos", diz ele.

Por exemplo, apesar dos testes mais poderosos disponíveis indicarem que os pacientes de Boston estavam livres de HIV após os seus transplantes, agora parece isso não era real. “Está agora claro que o regresso dos vírus pode acontecer em qualquer momento, mesmo meses após o fim da terapia. As pessoas terão de ser seguidas muito cuidadosamente por períodos mais prolongados do que no passado", diz Deeks.

Os pacientes de Boston tinham recebido transplantes de medula óssea para tratar linfomas, um em 2008 e outro em 2010. Ambos continuaram a tomar medicação anti-retroviral depois dos transplantes e oito meses depois os investigadores não conseguiram detectar sinais de HIV no sangue dos pacientes. Esta Primavera, ambos os homens optaram por deixar de tomar anti-retrovirais e parecia que continuavam sem sinais do HIV.

Os seus médicos, os especialistas em HIV Timothy Henrich e Daniel Kuritzkes, do Hospital Feminino Brigham em Boston, anunciaram num encontro a três de Julho que era possível que os homens estivessem curados.

 

Mas outros investigadores adiaram o seu julgamento sobre se o vírus tinha sido eliminado do corpo dos homens, dado que as células transplantadas não eram resistentes à infecção pelo HIV.

Henrich e Kuritzkes pensaram que os homens podiam ter sido curados através de um fenómeno conhecido por doença transplante versus hospedeiro, uma complicação vulgar nos transplantes, em que as células transplantadas atacam as células imunitárias do corpo. Os médicos especularam que este fenómeno tinha eliminado todas as células infectadas com HIV.

Quando fizeram o anúncio em Julho, Henrich e Kuritzkes disseram que era demasiado cedo para declarar uma cura e apenas um mês depois ficou demonstrado que tinham razão: detectaram HIV num dos pacientes em Agosto, 12 semanas após este ter parado com a medicação. O segundo paciente manteve o HIV afastado mais tempo mas o vírus voltou em Novembro, 32 semanas após ter parado com a medicação.

Ambos os homens estão agora a tomar novamente os medicamentos anti-retrovirais e de boa saúde, referiu Henrich hoje num comunicado. Ele refere que o vírus deve ter estado escondido algures no corpo dos homens, o que sobe as fasquia para os investigadores que estão a tentar curar os pacientes do HIV.

“Apesar de através desta pesquisa termos descoberto que o reservatório de HIV é mais profundo e mais persistente do que antes se sabia e que os nossos standards actuais de sondagem do HIV podem não ser suficientes para nos informar se a remissão a longo prazo do HIV é possível se a terapia anti-retroviral for interrompida", referiu Henrich.

Tanto ele como Deeks dão todo o crédito aos homens que participaram na pesquisa. “É importante reconhecer os sacrifícios heróicos feitos pelos participantes no estudo", diz Deeks. “O conhecimento adquirido pela sua participação irá moldar a agenda da investigação da cura durante anos.”

 

 

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