2013-12-01

Subject: Estudo que associa milho GM a cancro retractado

 

Estudo que associa milho GM a cancro retractado

 

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@ Nature/CHARLY TRIBALLEAU/AFP/GettyImages

Cedendo ao quase universal escárnio dos cientistas, a revista Food and Chemical Toxicology cumpriu a sua ameaça de retractar o controverso artigo que alegava que um tipo de milho geneticamente modificado (GM) causava doenças graves em ratos, depois de os autores se recusarem a retirá-lo.

O artigo, de um grupo de investigação liderado por Gilles-Eric Séralini, biólogo molecular na Universidade de Caen, França, e publicado em 2012, "não revelava qualquer evidência de fraude ou má representação intencional de dados", refere um comunicado de Elsevier, que publica a revista. Mas o pequeno número e tipo de animais usados no estudo significam que "não se pode chegar a conclusões definitivas". A conhecida alta incidência de tumores na estirpe Sprague–Dawley de ratos "não pode ser excluída como causa da alta mortalidade e incidência observada nos grupos tratados", acrescenta o comunicado.

Essa decisão não foi surpresa. No início deste mês, o editor-chefe da revista Wallace Hayes ameaçou com a retracção se Séralini recusasse retirar o artigo. Hayes anunciou a retracção numa conferência de imprensa em Bruxelas mas Séralini e a sua equipa mantêm os seus resultados e alegam que a retracção resulta do encontro da revista com o biólogo Richard Goodman, que tinha trabalhado para a gigante da biotecnologia Monsanto durante sete anos.

“A revista reviu o nosso artigo mais do que qualquer outro", diz o co-autor e médico Joël Spiroux de Vendômois, que também é presidente do Comité para Investigação e Informação Independente sobre Engenharia Genética (CRIIGEN), que colaborou no estudo. A retracção é “um escândalo de saúde pública", diz ele.

Goodman, no entanto, nega qualquer envolvimento na decisão de retractar o artigo: "A Food and Chemical Toxicology pediu-me para me tornar um editor associado em Janeiro de 2013 devido à minha longa experiência na área e depois de me ter queixado do estudo de Séralini", diz ele. “Recebo uma pequena quantia para lidar com manuscritos sobre biotecnologia em part-time mas não revi os dados do estudo Séralini, nem tenho nada a ver com a determinação de que o artigo devia ser retirado pelo jornal."

 

O estudo revelou que ratos alimentados durante dois anos com o milho resistente ao glifosato NK603 da Monsanto desenvolviam mais tumores e morriam mais cedo que os controlo. Também descobriu que os ratos desenvolveram tumores quando o glifosato (Roundup), o herbicida usado com o milho GM da Monsanto, era acrescentado à sua água de beber.

Na conferência de imprensa de 28 de Novembro, Corinne Lepage, membro do parlamento europeu e antiga ministra francesa do ambiente, disse que o artigo de Séralini fazia “boas perguntas sobre a toxicidade a longo prazo dos OGM e do herbicida Roundup". A retracção do artigo “não faz desaparecer estas questões", acrescentou Lepage, que também é co-fundadora da CRIIGEN.

Os alegados conflitos de interesse estão no centro da última ronda de controvérsia. Lepage apelou à demissão de Anne Glover, que foi nomeada conselheira científica chefe da Comissão Europeia há dois anos e que Lepage considera defensora dos OGM. Desde então, salientou Lepage, a comissão propôs, pela primeira vez desde 1996, autorizar o cultivo de milho GM na Europa. Os conflitos de interesse com a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (AESA) em Parma, Itália, responsável pela avaliação de risco dos OGM, “permanecem numerosos", disse ela.

A retracção do artigo foi o último de uma série de reveses para Séralini e para a sua equipa. A publicação do estudo da sua equipa foi recebida com uma tempestade de protestos tanto dos cientistas, como da AESA e do Instituto Federal de Avaliação de Risco alemão de Berlim, devido ao artigo não fornecer dados adequados para apoiar as suas conclusões.

 

 

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