2013-11-24

Subject: Ratos com apenas dois genes do cromossoma Y produzem descendência saudável

 

Ratos com apenas dois genes do cromossoma Y produzem descendência saudável

 

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Os investigadores mostraram que apenas dois genes do cromossoma Y, o emblema genético da masculinidade na maioria dos mamíferos, são o suficiente para que um rato macho conceber descendência saudável usando reprodução assistida. A mesma equipa já tinha anteriormente relatado que ratos macho a quem faltavam apenas sete genes do seu cromossoma Y conseguiam conceber crias saudáveis.

O estudo leva os investigadores um passo mais perto da criação de ratos que possam ser pais sem qualquer contribuição do cromossoma Y. As descobertas também podem ter implicações na fertilidade humana, pois o trabalho sugere que a técnica de reprodução assistida usada nos ratos pode ser mais segura em humanos do que antes se considerava.

“Para mim é mais uma demonstração de que não resta muito no pobre cromossoma Y que seja essencial. Quem precisa do Y?", diz Jennifer Marshall Graves, geneticista no Instituto La Trobe de Ciência Molecular em Melbourne, Austrália, que não esteve envolvido no estudo.

Um embrião sem o cromossoma Y normalmente desenvolve-se numa fêmea mas há muito que os biólogos questionam se será necessário todo o cromossoma para produzir um macho saudável. Um único gene do cromossoma Y, o gene Sry, é conhecido por ser suficiente para criar um rato anatomicamente macho, ainda que seja um rato estéril por não ter alguns genes envolvidos na produção dos espermatozóides, como os investigadores demonstraram ao remover o cromossoma Y e inserindo o gene Sry noutro cromossoma.

Mais recentemente, os investigadores liderados por Monika Ward, da Universidade do Havai em Honolulu, mostraram que com apenas dois genes do cromossoma Y, Sry e Eif2s3y, os ratos macho sem cromossoma Y conseguem, pelo menos, produzir precursores dos espermatozóides chamados espermatídeos (ainda que não espermatozóides maduros).

Neste último estudo, publicado esta semana na revista Science, a equipa conseguiu que estes ratos se reproduzissem, com uma pequena ajuda. Eles injectaram os espermatídeos em óvulos em caixas de Petri usando uma técnica conhecida por injecção de espermatídeos redondos (ROSI). Alguns dos óvulos fertilizados desenvolveram-se em embriões e foram implantados no útero de ratos fêmea. Dessas transferências, 9% resultaram em nascimentos vivos, comparados com as 26% transferências de ratos com um cromossoma Y completo.

 

A técnica ROSI tem sido usada como técnica de reprodução assistida para ajudar homens estéreis cujos testículos não produzem espermatozóides normais mas apenas espermatídeos. Mas os especialistas em fertilidade consideram-na uma técnica experimental devido ao receio de que os espermatídeos redondos imaturos contribuam para o nascimento de descendência geneticamente defeituosa. Em particular, tem havido preocupação com processos genéticos, como o imprinting (a activação e desactivação de genes que ocorre nos espermatozóides antes de entrarem em contacto com o óvulo), serem incompletos nos espermatídeos.

O estudo actual pode ajudar a aliviar estes receios, diz o geneticista do desenvolvimento Robin Lovell-Badge, do Instituto Nacional de Investigação Médica do Conselho de Investigação Médica em Londres. “O facto de se ter obtido descendência normal usando ROSI apenas com o Sry e o Eif2s3y sugere que as preocupações sobre a utilização da ROSI em humanos respeitantes aos defeitos de imprinting provavelmente são infundados, o que por si só é importante", tanto para homens com cromossomas Y defeituosos, quer para os que não são capazes de produzir esperma normal por qualquer outra razão, diz ele.

No entanto, provavelmente será impossível fertilizar um óvulo humano usando apenas estes dois genes. Os investigadores ainda têm muito trabalho para definir que genes do cromossoma Y são minimamente essenciais a dar origem a descendência saudável.

No futuro, pode ser possível ultrapassar completamente o cromossoma Y, diz Ward. Ela está a trabalhar para encontrar genes noutros cromossomas que interajam com os do cromossoma Y pois a activação desses outros genes pode eliminar completamente a necessidade dos genes originais do cromossoma Y, diz ela.

 

 

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