2013-11-22

Subject: Nativos americanos têm raízes europeias

 

Nativos americanos têm raízes europeias

 

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@ Nature/Kelly Graf

Os vestígios fósseis com 24 mil anos de um jovem rapaz da aldeia siberiana de Mal’ta vieram acrescentar uma nova raiz à árvore filogenética dos indígenas americanos: ainda que alguma da ancestralidade dos nativos do Novo Mundo possa ser seguida até ao leste asiático, o genoma do rapaz de Mal’ta, o mais antigo conhecido de qualquer humano moderno, mostra que até um terço dessa ancestralidade pode ser seguida até à Europa.

Os resultados mostram que as pessoas relacionadas com os eurásios ocidentais se espalham até muito mais longe do que alguém tinha suspeitado e viveram na Sibéria durante os tempos mais frios da última idade do gelo.

“Em algum momento do passado um ramo dos leste asiáticos e um ramo dos eurásios ocidentais encontraram-se e fizeram muito sexo", diz o paleogeneticista Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, que liderou a sequenciação do genoma do rapaz. A mistura, diz ele, originou os nativos americanos, no sentido de todas as populações, tanto da América do Norte, como da América do Sul, como as conhecemos. Os resultados da investigação da sua equipa foram publicados na última edição da revista Nature.

Em 2009, a equipa de Willerslev viajou até ao Museu Hermitage em São Petersburgo, onde conseguiu recolher uma amostra de DNA de um dos ossos do braço do rapaz de Mal’ta. “Esperávamos que ele nos pudesse dizer alguma coisa sobre o povoamento inicial das Américas mas era um tiro no escuro", recorda ele.

A equipa descobriu que o DNA mitocondrial do rapaz pertencia a uma linhagem conhecida por haplogrupo U, que pode ser encontrada na Europa e na Ásia ocidental mas não na Ásia oriental, onde o seu corpo foi encontrado. O resultado foi tão bizarro que Willerslev assumiu que a sua amostra tinha sido contaminada com outro material genético e deixou o projecto parado durante um ano.

Mas o DNA nuclear do rapaz contou a mesma história. “Geneticamente, este indivíduo não tinha qualquer relação com a Ásia oriental mas sim com os europeus e asiáticos ocidentais", diz Willerslev. “Mas aquilo que mais nos deixava perplexos era encontrarmos assinaturas que apenas encontramos actualmente nos nativos americanos." Este sinal é consistente entre as populações de todas as Américas, implicando que não poderia ter tido origem nos colonos europeus que chegaram depois de Cristóvão Colombo, reflectindo antes uma ancestralidade antiga.

O genoma do rapaz de Mal’ta mostrou que os nativos americanos têm entre 14% a 38% da sua ancestralidade na Eurásia ocidental, concluem os autores.

“A distribuição das linhagens genéticas há 24 mil anos deve ter sido muito diferente do que observamos actualmente", diz Jennifer Raff, antropóloga e geneticista na Universidade do Texas em Austin. “Pode ser muito interessante ver como são outros genomas deste período."

 

A equipa de Willerslev sugere que depois de os ancestrais dos nativos americanos terem divergido dos asiáticos orientais, eles se terão deslocado para norte. Algures na Sibéria terão encontrado outro grupo de pessoas que se deslocava para leste desde a Eurásia ocidental, o grupo a que o rapaz de Mal’ta pertencia. Os dois grupos misturaram-se e os seus descendentes terão, eventualmente, viajado para leste até à América do Norte.

“Já temos fortes evidências da ancestralidade siberiana dos nativos americanos e este estudo é importante porque nos ajuda a compreender quem terão sido os ancestrais desses siberianos", diz Raff.

Esta nova história das origens ajuda a resolver várias peculiaridades da arqueologia do Novo Mundo: por exemplo, crânios antigos encontrados tanto na América do Norte como na do Sul apresentam características que não se assemelham às dos asiáticos orientais e contêm o haplogrupo mitocondrial X, que está relacionado com as linhagens eurasiáticas ocidentais e não com as asiáticas orientais.

Com base nestas características, alguns cientistas sugeriram que os nativos americanos descendiam de europeus que navegaram para oeste através do Atlântico. No entanto, diz Willerslev, “não precisamos de uma hipótese tão extrema": essas características fazem sentido se considerarmos que os nativos americanos têm algumas raízes eurasiáticas ocidentais.

"Ainda há algum debate sobre se houve uma única expansão dos grupos humanos para as Américas ou mais do que uma", diz Theodore Schurr, antropólogo na Universidade da Pensilvânia em Filadélfia. “Os dados deste artigo apoiam o cenário de uma única migração" mas ainda permitem que possam ter ocorrido várias sequencialmente, a partir do mesmo fundo genético siberiano misto.

 

 

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