2013-11-21

Subject: Lesmas solares sobrevivem no escuro

 

Lesmas solares sobrevivem no escuro

 

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@ Nature/SVEN GOULD/JAN DE VRIES

Já foram apelidadas de 'lesmas solares' ou de 'folhas rastejantes' mas trata-se de uma espécie de lesma marinha sacoglossan que assimila os cloroplastos da alga de que se alimenta, o torna os seus corpos de um verde vistoso. 

Mas afinal, estas lesmas podem sobreviver a meses de fome, mesmo quando a sua capacidade fotossintética está drasticamente reduzida, o que vem lançar dúvidas sobre a largamente aceite teoria de que estes invertebrados dependem da fotossíntese para se alimentarem quando não há alimento disponível no meio.

“A assunção anterior de que bastava a fotossíntese para explicar a sua sobrevivência, precisa de ser reconsiderada", diz Sven Gould, biólogo molecular celular na Universidade de Düsseldorf na Alemanha e o principal autor do estudo, publicado na última edição da revista Proceedings of the Royal Society B.

Quando se alimentam de algas unicelulares de grande dimensão, algumas lesmas sacoglossan digerem toda  alga excepto os cloroplastos. As lesmas armazenam os organitos numa glândula digestiva que estende ao longo de todo o comprimento do corpo, onde os cloroplastos continuam a fotossintetizar. 

Em muitos tipos de lesmas esta capacidade fotossintética transplantada não dura mais que duas semanas mas em quatro espécies pode prolongar-se durante meses. Há muito que os biólogos assumiram que os animais tinham desenvolvido esta capacidade para se protegerem contra períodos de fome, caso a sua dieta de algas não estivesse disponível.

Trabalhando com duas dessas espécies, Elysia timida e Plakobranchus ocellatus, os investigadores bloquearam a fotossíntese, seja mantendo as lesmas no escuro ou fornecendo-lhes compostos químicos inibidores do processo.

Seguidamente, Gould mostrou que mesmo quando a fotossíntese estava bloqueada, as lesmas conseguiam sobreviver durante longos períodos de tempo e pareciam passar tão bem como as lesmas privadas de alimento mas expostas à luz. 

Os investigadores mantiveram seis espécimes de P. ocellatus sem alimento durante 55 dias, mantendo-as no escuro e tratando duas com os compostos químicos e fornecendo a outras duas luz adequada. Todas sobreviveram e todas perderam peso aproximadamente à mesma taxa. 

Os autores também recusaram alimento a seis espécimes de E. timida e mantiveram-nos em escuridão total durante 88 dias e todas sobreviveram. As lesmas E. timida são demasiado pequenas para ser pesadas com fiabilidade mas no final do teste as que foram privadas de luz pareciam tão saudáveis como os controlos.

 

Os investigadores agora pensam que a chave para a sobrevivência das lesmas pode ser a gratificação retardada: não é como se não digerissem os cloroplastos roubados, chamados cleptoclastos, apenas demoram muito tempo a faze-lo. Os autores sugerem que as lesmas do mar desenvolveram a capacidade de armazenar os organitos para os digerirem mais tarde.

Até agora, Gould apenas tem evidências indirectas de que as lesmas sobreviveram ao jejum forçado digerindo os seus cleptoclastos e salienta que, para além da fotossíntese, os cloroplastos têm outras capacidades bioquímicas que poderão ajudar as lesmas hospedeiras a superar tempos difíceis.

O artigo “vem mudar toda a perspectiva sobre as lesmas solares", comenta o biólogo marinho David Behrens.

“Foi muito fixe pensar que as lesmas sobreviviam como minúsculos painéis solares", diz Jeff Adams, especialista em qualidade da água do mar no Washington Sea Grant em Bremerton. “Mas a sua capacidade para viver para sobreviver à custa de alimentos ricos em energia e fotossinteticamente activos que também as camuflam continua a ser maravilhosa."

O biólogo aquático George Parsons, director sénior para os peixes no Aquário Shedd de Chicago, Illinois, observa que as lesmas do mar espaçam frequentemente as suas refeições pois deslocam-se literalmente a passo de caracol de uma para outra. Assim, por necessidade, diz ele, "são espantosas a encontrar formas de sobreviver".

 

 

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