2004-06-08

Subject: Parte do cérebro trabalha a dormir

News of the Wild

 

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Em destaque:

Parte do cérebro trabalha a dormir

 

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Uma boa noite de sono é um trabalho duro para algumas partes do cérebro, revelaram neurocientistas americanos. As regiões relacionadas com a aprendizagem mostram uma actividade aumentada em pessoas adormecidas que passaram o serão a aprender uma nova tarefa. 

A descoberta mostra que o sono é muito valioso para a consolidação de nova informação, não sendo apenas um modo "standby". O processamento local no cérebro permite confirmar as novas aprendizagens, indica esta nova pesquisa.  

Giulio Tononi, da Universidade de Wisconsin-Madison, e seus colegas mediram os sinais eléctricos cerebrais em sujeitos que tinham aprendido um jogo de computador simples antes de irem dormir. O tipo de actividade que ocorre durante o sono aumentou numa zona do tamanho de uma moeda nos indivíduos que tinham aprendido o jogo, mas o que apenas o jogaram não mostraram este efeito. Os investigadores concluíram que o sono atinge os circuitos cerebrais que foram modificados, não apenas usados, durante o dia. 

Alguém com mais deste tipo de actividade nesta zona localizada no topo do hemisfério direito tem tendência para ter melhor actuação na manhã, relatou a equipa num artigo publicado na revista Nature. 

Esta é a primeira vez que um comportamento ocorrido durante a vigília afecta comprovadamente uma parte específica do cérebro humano durante o sono. É um estudo muito elegante, refere Robert Knight, neurocientista da Universidade da Califórnia. 

Quando o cérebro adormece, os seus neurónios sincronizam a produção de impulso nervoso de forma a gerar um padrão designado baixa actividade de ondas cerebrais (slow-wave activity SWA). A SWA caracteriza os longos períodos de sono profundo, que são interrompidos por curtos períodos de rápido movimento dos olhos, durante o sonho. 

Os especialistas do sono sabem que a SWA reflecte de alguma forma a necessidade de descanso. Um indivíduo que tenha estado acordado por um longo período de tempo irá apresentar um padrão de SWA mais acentuado no início da noite. 

Mas as verdadeiras questões são o que realmente necessita de descanso no nosso corpo e porquê, explica Tononi. Será todo o nosso corpo ou apenas os neurónios que fizeram algo de especial durante o dia?

Se a SWA é necessária para zonas específicas do cérebro, raciocina Tononi, devíamos ser capazes de aumentar a SWA localmente, em resultado de uma tarefa específica. Tononi salienta ainda que alguns animais, como os golfinhos, são capazes de manter actividade, adormecendo metade do cérebro separadamente e em alternância. 

 

Os investigadores perguntaram a uma dúzia de pessoas que jogassem um jogo de computador simples, envolvendo a deslocação de um cursor para uma posição definida. Durante algumas sessões, sem que os jogadores soubessem, alteraram a trajectória do cursor levemente, de forma a que os jogadores tivessem que se adaptar inconscientemente ao erro, criando uma aprendizagem implícita. 

Depois de uma sessão normal, todos os 256 eléctrodos presos à cabeça do sujeito adormecido mostraram padrões normais de SWA, mas após ter de compensar um cursor desviante, os sujeitos mostravam actividade aumentada de SWA em 6 eléctrodos apontados para uma pequena região do córtex parietal posterior do hemisfério direito. 

Já é sabido que esta região controla a aprendizagem da coordenação olho-mão durante a vigília, o que é uma sorte, senão ninguém teria acreditado nesta história, comenta Knight.

O mais espantoso é que quando se compara diferentes pessoas, explica Tononi, os que tiveram mais dificuldades em controlar o cursor ao início, portanto os que tiveram que trabalhar mais para aprender a tarefa, revelaram as maiores subidas de actividade local SWA. 

Este facto mostra que os circuitos cerebrais estão a sofrer rearranjos para ajudar na aprendizagem, em vez de apenas estarem a recuperar do esforço, refere Tononi. É a aprendizagem, não o uso, que necessita de sono, como mostra o facto destas pessoas serem as que mais melhoraram o seu desempenho após o sono. 

Então porque será que os animais não seguem todos o exemplo dos golfinhos, permanecendo alerta enquanto parte do seu cérebro tira uma soneca breve? Porque os animais adormecem todo o cérebro é ainda um mistério, refere Knight. Apesar de ser extremamente perigoso, a maioria das espécies continua a faze-lo. 

 

 

Saber mais:

Sleep boosts lateral thinking

Intellect thrives on sleep

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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