2013-11-17

Subject: Selecção favorece capacidade de gerar variabilidade

 

Selecção favorece capacidade de gerar variabilidade

 

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@ Nature/Stem Jems/SPL

Alguns jogadores são bem sucedidos escondendo cartas nas mangas, o que lhes dá um maior leque de mãos para jogar. Algumas bactérias fazem o mesmo e a sua maior capacidade de obter variabilidade genética ajuda-as a evoluir e a adaptar-se rapidamente a ambientes em alteração.

Agora, investigações feitas com Borrelia burgdorferi, a bactéria que provoca a doença de Lyme, mostram que a capacidade de evoluir pode ser, ela própria, o alvo da selecção natural. Os resultados foram publicados na última edição da revista PLoS Pathogens

“Existem outros dados que sugerem que pode haver selecção da capacidade de evoluir mas esta é o primeiro exemplo onde não existem na realidade outros factores que confundam os dados", diz o autor principal Dustin Brisson, biólogo evolutivo na Universidade da Pensilvânia em Filadélfia.

A B. burgfdorferi é capaz de causar uma infecção crónica mesmo que o seu hospedeiro tenha uma resposta imunitária, escapando a essas defesas ajustando a forma e expressão do seu antigene superficial principal, o VIsE. Uma série de sequências genéticas não expressas organizadas em ‘cassettes’ recombinam-se com o gene VIsE, alterando a proteína resultante de forma a que esta escape à detecção do sistema imunitário do hospedeiro.

“Eles têm uma argumentação muito interessante sobre o facto de a variação presente nestas cassettes nos dizer alguma coisa sobre a capacidade de evoluir e os resultados apoiam essa ideia", diz Tim Cooper, biólogo evolutivo na Universidade de Houston no Texas.

Os investigadores estudaram a evolução molecular das sequências genéticas das cassettes em 12 estirpes de B. burgdorferi. Descobriram que a selecção natural parece favorecer as bactérias com mais variabilidade genética nas suas cassettes e, portanto, uma maior capacidade para gerar diferentes versões do antigene.

 

“Uma maior diversidade nas cassettes, por si só, não devia ser uma vantagem selectiva considerando que elas não se expressam logo não fazem mais nada", diz Brisson. “Mas nós encontrámos mesmo evidências de selecção, logo a questão é o que mais pode ser, senão a capacidade de evoluir?”

Brisson também examinou amostras de B. burgdorferi congeladas na década de 1990 pelo co-autor Brian Stevenson, investigação da doença de Lyme na Universidade do Kentucky em Lexington. Stevenson tinha recolhido amostras depois de infectar experimentalmente ratos com uma estirpe da bactéria e voltando a isolar os organismos um ano depois, para ver como tinham evoluído. 

Quando ele e Brisson reexaminaram as amostras, descobriram que as alterações nas sequências genéticas das cassettes silenciosas eram mais comuns que as alterações noutras partes do genoma.

“Faz muito sentido que os organismos estejam predispostos a lidar com ambientes futuros mas quando se pensa sobre como é que isto pode ser feito, já não é assim tão óbvio”, diz Paul Rainey, geneticista evolutivo no Instituto de Estudos Avançados da Nova Zelândia em Auckland e no Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva em Plön, Alemanha. "Estes rapazes mostram de forma muito clara que a selecção natural pode conduzir à evolução de tipos que têm uma maior capacidade de responder a ambientes futuros.”

 

 

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