2013-10-30

Subject: Risco de pólio paira sobre a Europa

 

Risco de pólio paira sobre a Europa

 

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@ Nature/Report of the 27th Meeting of the European Regional Certification Commission for Poliomyelitis Eradication

Para muitos europeus, a poliomielite é um inimigo antigo mas pela primeira vez em anos há um risco que esta doença paralisadora incapacitante esteja prestes a fazer um regresso indesejado.

O poliovírus reemergiu no flanco sudeste da Europa, em Israel e na Síria, deixando as autoridades de saúde preocupadas com a possibilidade de a doença ser importada e voltar a estabelecer-se no continente.

E a Europa é surpreendentemente vulnerável. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a região europeia, que agora abrange 53 países de Portugal à Rússia, livre de pólio em 2002. Mas muitos países baixaram a guarda desde então: os sistemas de vigilância são frequentemente incompletos e de má qualidade e as taxas de vacinação abaixo do óptimo significam que muitos países, incluindo o Reino Unido e a Alemanha, são considerados susceptíveis a surtos desencadeados por casos importados.

A situação é “um sinal de alarme", diz Marc Sprenger, director do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) em Estocolmo. Dada a fraqueza das defesas europeias contra a pólio, os níveis elevados de viagens entre a Europa e Israel e os milhões de refugiados que abandonam a Síria, o ECDC pensa que há um risco muito real de surtos na União Europeia. Os estados-membros estão a tomar a ameaça de importação de casos “extremamente a sério", acrescenta Sprenger.

O esforço de erradicação da pólio deu grandes passos desde o lançamento da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio em 1988. Nessa altura, 350 mil crianças ficavam paralisadas todos os anos em 125 países. Esse número foi cortado nos últimos 25 anos em mais de 99%, com apenas 223 casos no ano passado. A pólio é agora endémica apenas em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Casos importados esporádicos continuam a ocorrer, especialmente em África, como no surto na Somália que causou 174 casos até agora este ano.

A última ameaça surgiu a 19 de Outubro, quando a OMS relatou um cluster de casos de paralisia flácida aguda, um sintoma clássico da pólio, em Deir-ez-Zor, a província devastada pelo conflito na Síria. Dois dos 22 casos foram confirmados como pólio pelas autoridades sírias e, a 29 de Outubro, a OMS confirmou um total de dez casos. Os seus funcionários assumiram o pior: “Todos entraram em modo de resposta a surto", diz Oliver Rosenbauer, porta-voz da Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio nas Nações Unidas em Genebra, Suíça.

Os casos provavelmente resulta da queda abrupta nas taxas de imunização infantil na Síria, devido à guerra. Dado que normalmente há cerca de 200 casos de pólio não paralítica para cada caso de paralítica, o cluster deverá ser “apenas a ponta do icebergue", diz Sprenger. Há um risco grande de a doença se tornar endémica na Síria, acrescenta Rosenbauer.

Israel enfrenta uma situação diferente mas igualmente preocupante. Tem altos níveis de imunização infantil contra a pólio mas o poliovírus selvagem foi encontrado em esgotos de várias cidades no sul de Israel desde Fevereiro. O vírus também foi detectado na Margem Ocidental e em Gaza. O ECDC e a OMS estimam um risco elevado de propagação internacional do vírus a partir de Israel, dada a prolongada circulação do vírus numa área grande.

 

Israel identificou até agora 42 pessoas que libertam poliovírus nas fezes. nenhuma delas apresenta sintomas de paralisia e tinham sido plenamente vacinados com a vacina de poliovírus inactivado (IPV), usada em imunizações de rotina e que protege contra todas as estirpes de pólio. 

Esta é a primeira vez que pólio selvagem generalizada foi encontrada sem casos clínicos. A maioria dos países da UE usam a IPV e se expostos a pólio importada podem enfrentar uma propagação silenciosa do vírus no ambiente, colocando as populações não vacinadas, especialmente as crianças, em risco. 

A IPV dá um nível elevado de protecção individual mas pouca imunidade intestinal, o que significa que as pessoas vacinadas ainda são capazes de libertar o vírus através das fezes. Uma alternativa é a vacina oral de poliovírus (OPV), uma forma enfraquecida do vírus vivo que fornece forte imunidade intestinal e impede a libertação pelas fezes. É usada em vacinações em massa e controlo de surtos pois é eficaz, barata e fácil de administrar. Mas em casos raros pode provocar a pólio logo os países sem a doença preferem usar a IPV, que não tem esse risco.

Para bloquear a transmissão silenciosa, Israel começou em Agosto a dar OPV a mais de 890 mil crianças e a Síria começou a administrá-la a 2,4 milhões de crianças. A OMS e o Fundo para as Crianças das Nações Unidas (UNICEF) planeiam uma campanha de vacinação em todos os países vizinhos. O surgimento da pólio “terá implicações para além da Síria", diz Rosenbauer.

A eficaz vigilância dos esgotos em Israel foi capaz de detectar o vírus antes que ocorressem casos clínicos mas na Europa apenas um punhado de países monitorizam os esgotos. A vigilância da paralisia flácida aguda também é quase sempre fraca e o risco de casos importados ficarem por detectar e espalharem-se sob a forma de surtos é muito real, diz Sprenger. 

Os europeus vacinados estarão protegidos mas em muitos países, incluindo a Ucrânia, Roménia e mesmo alguns países ricos, as taxas de vacinação contra a pólio não são as ideais: até 12 milhões de crianças na UE não estão vacinadas contra a pólio. "Temos que melhorar a vigilância ambiental e não ficar à espera que surja um caso clínico de pólio", alerta Sprenger.

 

 

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