2013-10-27

Subject: Roedor imune a veneno do escorpião

 

Roedor imune a veneno do escorpião

 

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Quando o rato-assassino ataca um escorpião raramente se apercebe da sua picada intensamente dolorosa e agora os investigadores descobriram porquê: os roedores apresentam uma mutação na via metabólica que controla a sua resposta de dor, o que os torna resistentes ao veneno do escorpião.

A descoberta, agora publicada na revista Science, sugere um potencial alvo para os investigadores que tentam desenvolver medicamentos de alívio da dor. “É um estudo muito completo, desde o comportamento às moléculas que explicam o comportamento", diz Ewan Smith, neurocientista na Universidade de Cambridge, Reino Unido, que não esteve envolvido na pesquisa.

A resistência ao veneno ajuda os ratos-assassinos, que pertencem ao género Onychomys e são parentes distantes dos ratos domésticos Mus musculus, a sobreviverem nos desertos do sudoeste americano. Aí, os escorpiões são abundantes mas outras fontes de alimento nem por isso.

Ashlee Rowe, neurobióloga evolutiva na Universidade Estadual do Michigan em East Lansing, confirmou observações de campo da capacidade do rato-assassino em suportar as picadas do escorpião ao injectar as patas dos ratos com pequenas quantidades de veneno. Os ratos domésticos lambiam repetidamente as patas, indicando desconforto, mas os ratos-assassinos apenas davam umas lambidelas breves.

Numa segunda experiência, os investigadores injectaram ratos domésticos e assassinos com veneno e seguidamente com formalina, um composto químico que se sabe causar dor. Os ratos-assassinos continuavam a lamber menos as patas do que os ratos domésticos, sugerindo que o veneno bloqueava a capacidade do rato-assassino sentir dor por causa da formalina.

Os investigadores seguidamente identificaram a via metabólica que está modificada nos neurónios dos ratos-assassinos. São precisos dois canais de sódio para transmitir o sinal de dor em mamíferos: um que inicia o sinal e um para o propagar. A investigação de medicamentos foca-se principalmente no primeiro e no Homem há uma mutação rara que afecta esse canal e provoca incapacidade de sentir dor. 

O veneno de escorpião estimula o canal inicial mas nos ratos-assassinos também inibe o canal que controla a propagação do sinal de dor, assim impedindo a dor que é suposto causar.

 

Os investigadores pensam que uma pequena diferença estrutural entre os canais de sódio propagadores de dor do rato-assassino e do rato doméstico pode explicar as reacções das espécies ao veneno de escorpião. Nos ratos-assassinos a proteína que forma o canal de sódio tem uma diferença num aminoácido perto da abertura do canal. Sem essa alteração, o veneno não consegue inibir os sinais de propagação de dor do canal.

Rowe pensa que outras alterações moleculares também podem contribuir com a insensibilidade do rato-assassino ao veneno mas a alteração do aminoácido que ela identificou tem papel central.

“É um artigo espantoso", diz Rock Levinson, neurocientista na Escola de Medicina da Universidade do Colorado em Aurora. Ele louva a abordagem multidisciplinar do estudo, que agrega evidências de experiências em comportamento, electrofisiologia e biologia molecular.

Thomas Park, neurocientista na Universidade do Illinois em Chicago que descobriu um mecanismo semelhante de de resistência à dor nos ratos-toupeira nus, diz que está entusiasmado por ver que uma característica semelhante evoluiu em paralelo em duas espécies.

Em ambos os casos, o veneno bloqueia o seu próprio sinal de dor ao actuar sobre um canal de sódio modificado a jusante do receptor inicialmente activado para causar dor. Isto sugere que mais investigação nas capacidades de bloqueio de dor destes dois animais pode eventualmente fornecer pistas para aplicações médicas.

 

 

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