2013-10-23

Subject: Descoberto o primeiro crustáceo venenoso

 

Descoberto o primeiro crustáceo venenoso

 

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@ Björn von Reumont/Natural History Museum/Nature

Espalhadas pelo México e América central estão poças onde a água alcança a superfície vinda de redes de cavernas subterrâneas, que os antigos Maias consideravam ser entradas para o submundo. Agora, os biólogos descobriram que essas poças também são o lar de um misterioso animal do mundo real: o primeiro crustáceo conhecido da ciência.

O dito crustáceo, Speleonectes tulumensis, pertence aos remípedes, um grupo descrito pela primeira vez em 1981. Observar estes minúsculos animais pálidos e cegos no seu habitat natural tem sido difícil pois vivem em redes labirínticas de cavernas, extremamente perigosas para os mergulhadores. 

Ainda assim, biólogos como Björn von Reumont e Ronald Jenner, ambos do Museu de História Natural de Londres, encontraram remípedes a abandonar exosqueletos vazios de camarão, presumivelmente depois de os terem devorado.

Em 2007 investigadores descobriram estruturas nas garras anteriores dos animais que se assemelham a agulhas hipodérmicas, alimentando as especulações de que os crustáceos podiam estar a injectar alguma coisa nas presas. Essa ideia foi agora provada verdadeira, como relatam von Reumont e Jenner na revista Molecular Biology and Evolution

Os investigadores descobriram que os reservatórios associados às estruturas em forma de agulha estão rodeados por músculos capazes de bombear fluido através dessas estruturas. Mais, eles encontraram glândulas no centro do corpo do remípede que produzem veneno e estão ligadas aos reservatórios.

Von Reumont e Jenner também descobriram que o veneno dos crustáceos é composto predominantemente de peptidases, enzimas que desempenham um papel na digestão e também são encontradas no veneno de cascavel, onde ajudam a digerir a presa. 

 

O veneno do crustáceo também contém uma toxina praticamente idêntica a uma neurotoxina que induz a paralisia, descrita pela primeira vez em aranhas em 2010. “Pensamos que a neurotoxina impede as presas de fugir e as peptidases permitem ao remípede beber a presa como se de um batido se tratasse", explica Jenner.

Apesar do veneno ser comum em artrópodes como as aranhas, escorpiões, centípedes e vespas, nunca tinha sido detectado em nenhuma das 70 mil espécies conhecidas de crustáceos, uma classe de artrópodes que inclui os camarões e os caranguejos. Por que razão o veneno é tão raro nesta classe é uma pergunta ainda por responder.

Jenner suspeita que a razão possa ser a dieta muito mais variada dos crustáceos, quando comparada com a dos predadores venenosos. Marshall McCue, fisiólogo comparativo e perito em veneno na Universidade de St Mary em San Antonio, Texas, concorda. “Como adeptos da filtração e da necrofagia, os crustáceos podem não ter estado sujeitos às mesmas pressões que outros artrópodes para desenvolver uma arma predatória como o veneno", diz ele.

Não se sabe se o veneno tem algum efeito sobre o Homem. “É frequente ouvir-se histórias de mergulhadores que morreram em condições misteriosas", diz Jenner. “Serão os remípedes responsáveis?"

Se são, talvez os Maias sempre tivessem razão ...

 

 

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