2013-10-20

Subject: Crânio sugere que três espécies ancestrais do Homem eram apenas uma

 

Crânio sugere que três espécies ancestrais do Homem eram apenas uma

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

Crânio 5 @ Museu da Geórgia/Veja

Um dos mais completos crânios de humanos antigos encontrado até agora sugere que o que os cientistas consideravam ser três espécies de hominídeos diferentes pode afinal corresponder apenas a uma.

Esta controversa alegação surge de uma comparação entre as características anatómicas de um crânio fóssil com 1,8 milhões de anos com as de outros quatro crânios retirados da mesma escavação em Dmanisi, Geórgia. A enorme variabilidade das suas características sugere que os Homo habilis, Homo rudolfensis e Homo erectus, as espécies até agora identificadas como tendo existido por todo o mundo nessa época, podem, afinal, representar uma única espécie. 

O resultado desta investigação foi agora publicado na revista Science.

O crânio recém-descrito, informalmente conhecido por 'crânio 5', foi escavado em 2005. Quando combinado com um maxilar encontrado cinco anos antes e a menos de dois metros de distância, tornou-se “o crânio mais completo de um adulto desta época", diz Marcia Ponce de León, paleoantropóloga no Instituto Antropológico e Museu de Zurique, Suíça, e uma das autoras do estudo.

O volume da caixa craniana do crânio 5 é de apenas 546 centímetros cúbicos, cerca de um terço do dos humanos modernos, salienta ela. Apesar do baixo volume, a face do hominídeo era relativamente grande e mais prognata que as dos outros quatro crânios encontrados no local, que foram atribuídos a H. erectus.

Ter cinco crânios de um local fornece uma oportunidade sem precedentes para estudar a variação no que provavelmente era uma única população, diz o co-autor do estudo Christoph Zollikofer, neurobiólogo no mesmo instituto que Ponce de León. Todos os crânios escavados até agora foram provavelmente depositados num período de 20 mil anos, salienta ele.

Os crânios de Dmanisi parecem muito diferentes uns dos outros, diz Zollikofer, “por isso é tentador publicá-los como espécies diferentes mas sabemos que estes indivíduos vinham da mesma localização e do mesmo tempo geológico logo, em princípio, podem representar uma única população de uma única espécie".

Os dados estatísticos dos investigadores parecem apoiar essa ideia. Por exemplo, o volume do crânio 5 é apenas 75% do maior crânio desenterrado em Dmanisi, uma disparidade que pode parecer grande mas cai no intervalo de variação encontrado entre humanos actuais ou entre chimpanzés. A variação também cai no intervalo observado em todos os hominídeos a nível mundial desse tempo, diz Zollikofer.

 

“Como em tantas outras descobertas, o crânio vem acrescentar ao que sabemos mas não vem necessariamente clarificar ou simplificar as coisas", diz Robert Foley, paleoantropólogo da Universidade de Cambridge, Reino Unido. Ainda assim, salienta ele, os resultados da nova análise devem mudar a forma como os cientistas pensam sobre a natureza e a magnitude da variação anatómica nos primeiros Homo.

Se as três espécies de hominídeos que habitavam a Terra há cerca de 1,8 milhões de anos forem colapsadas para apena suma, o H. habilis e o H. ruldofensis serão incorporados no H. erectus, em larga medida devido às semelhanças dos crânios de Dmanisi com os daqueles conhecidos para a espécie mais recente, diz Zollikofer.

Mas encafuar as três espécies, que globalmente habitaram áreas desde a África à Indonésia, sob o guarda-chuva do H. erectus pode não ser cientificamente justificável, diz Fred Spoor, paleontólogo no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha.

O novo estudo, diz ele, usou análises estatísticas da forma geral do crânio que não são necessariamente boas a descriminar as espécies. Em vez dessas avaliações genéricas, explica ele, os investigadores deviam ter analisado características anatómicas específicas, como a altura da caixa craniana ou o diâmetro do globo ocular. Essas características facilmente mensuráveis são as tipicamente usadas para identificar espécies e construir as árvores filogenéticas.

 

 

Saber mais:

Maioria dos europeus partilha ancestrais recentes

Novas pistas sobre a ancestralidade humana

Fósseis indicam uma grande família de ancestrais humanos

Hobbit era apenas um humano deformado?

Genomas europeu e asiático com traços de Neanderthal

Descoberta nova espécie ancestral do Homem

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com