2013-10-15

Subject: Perda de ozono aqueceu o sul de África

 

Perda de ozono aqueceu o sul de África

 

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A perda de ozono sobre o pólo sul pode ser a razão para uma subida de duas décadas nas temperaturas do início do Verão no sul de África, de acordo com investigação publicada hoje na revista Nature Geoscience.

Desmond Manatsa, cientista climático na Universidade Bindura de Ciência no Zimbabwe, analisou conjuntos de dados do clima do sul de África entre 1979 e 2010, cobrindo os anos antes e depois do desenvolvimento do buraco na camada de ozono sobre a Antárctica. Descobriu que a dimensão do buraco do ozono parecia influenciar os padrões de vento e desencadear uma subida nas temperaturas do início do Verão.

Manatsa estava intrigado pelo aumento abrupto e sazonal das temperaturas do ar à superfície no sul de África. “As temperaturas eram na realidade significativamente mais elevadas do que as de outras estações e a subida assumiu uma forma brusca e não lenta e gradual", diz ele. O aquecimento não correspondia ao que ele esperava ver em consequência das emissões de gases de efeito de estufa.

Outros estudos já tinham demonstrado que o buraco do ozono antárctico tinha alterado os climas superficiais sobre o oceano Antárctico e sobre a Antárctica continental, em como na Nova Zelândia, Patagónia e sul da Austrália. Manatsa mostrou que os efeitos climáticos do buraco do ozono alcançaram ainda mais longe.

“O buraco do ozono é a característica dominante no hemisfério sul", diz Ted Shepherd, cientista atmosférico na Universidade de Reading, Reino Unido. “Originalmente pensámos que os efeitos eram limitados às latitudes médias e altas mas está cada vez mais claro que também atingiram as latitudes baixas."

A dimensão do buraco de ozono flutua ao longo do ano, sendo maior sobre o Antárctico na Primavera do hemisfério sul e levando ao arrefecimento da estratosfera polar. Este arrefecimento desloca a cintura dos fortes ventos de oeste que rodeiam o Antárctico perto do pólo, alterando os sistemas de pressão adjacentes.

Manatsa descobriu que um buraco do ozono maior coincidia com um sistema de baixas pressões continental de Verão mais forte, conhecido por Mínimo de Angola, que transporta ar quente das latitudes baixas para o sul de África, aumentando as temperaturas do ar à superfície.

 

O buraco do ozono antárctico também aumentou a frequência e a intensidade da precipitação de Verão nas regiões subtropicais do hemisfério sul, incluindo o sul do oceano Índico e o leste da Austrália.

Os produtos químicos antropogénicos conhecidos como clorofluorocarbonetos libertados das latas de aerossóis, frigoríficos e ares condicionados degradaram parte do ozono presente na estratosfera. Em 1987, o Protocolo de Montreal proibiu a libertação destas substâncias destruidoras do ozono, numa tentativa de reduzir a perda de ozono. A monitorização atmosférica mostra que o buraco do ozono, que atingiu a sua maior dimensão (28,5 milhões de quilómetros quadrados) em 2006, está a fechar e vários estudos sugerem que poderá desaparecer até 2065.

Se tal acontecer, as temperaturas de Verão no sul de África podem descer. “Acredito que as previsões a longo prazo para a região, não apenas as das temperaturas do ar à superfície mas também as da precipitação estival, podem precisar de ser revistas", diz Manatsa.

 

 

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