2013-10-13

Subject: Comprimido de fezes impede infecções do intestino

 

Comprimido de fezes impede infecções do intestino

 

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@ Nature/David Phillips/Visuals Unlimited/Corbis

Pacientes que sofrem de uma infecção bacteriana debilitante e persistente podem em breve poder ser tratados com comprimidos cheios de microrganismos derivados de fezes humanas.

A Clostridium difficile é uma bactéria que provoca uma infecção que causa diarreia e febre em cerca de meio milhão de pessoas nos Estados Unidos todos os anos e está associada à morte de perto de 14 mil cidadãos americanos por ano. Alguns médicos estão agora a tratar as infecções com C. difficile com transplantes fecais, introduzindo fezes de doadores contendo microrganismos saudáveis via clisteres, colonoscopias ou sondas nasais directas ao intestino.

Mas as cápsulas contendo bactérias do mesmo dador também são eficazes na realização destes 'transplantes de microrganismos intestinais', de acordo com os resultados apresentados a 3 de Outubro num encontro em San Francisco, Califórnia. 

Thomas Louie, especialista em doenças infecciosas na Universidade de Calgary em Alberta, Canadá, tratou 31 pacientes com as cápsulas bacterianas, curando todos menos um. Como estas cápsulas são menos invasivas que outras técnicas de tratamento da doença, podem tornar os transplantes de microrganismos intestinais disponíveis a mais pacientes, incluindo aqueles que, por razões médicas, não toleram clisteres ou sondas nasais até ao intestino delgado. Louie tinha inicialmente criado as cápsulas para tratar um desses pacientes.

A C. difficile instala-se frequentemente após a utilização de antibióticos, que perturba o equilíbrio normal das bactérias intestinais de uma pessoa. Um transplante do microbioma intestinal usando bactérias obtidas a partir de fezes de um dador saudável restaura esse equilíbrio e consegue ser altamente eficaz contra a C. difficile, que é notoriamente difícil de tratar com antibióticos.

Os pacientes do estudo de Louie engoliram, cada um, 24 a 34 cápsulas recém-criadas de bactérias, que foram cobertas com gelatina para sobreviverem no estômago e alcançassem o intestino. A equipa seguiu o progresso dos pacientes até um ano depois, sequenciando o microbioma intestinal. Descobriram que a C. difficile tinha desaparecido e as bactérias associadas a um microbioma intestinal saudável, como as Bacteroides, Clostridium coccoides, Clostridium leptum, Prevotella, Bifidobacteria e Desulfovibrio, tinham aumentado em número.

 

"Esta ideia da cápsula é mesmo um enorme avanço", diz Colleen Kelly, gastroenterologista na Escola Médica Alpert da Universidade Brown em Providence, Rhode Island, que realiza transplantes de microbioma fecal através de colonoscopia.

Um comprimido contendo bactérias criadas em laboratório, em vez de extraídas de fezes de dadores, é uma possibilidade futura e Louie diz que já foi contactado por partes interessadas na comercialização do seu comprimido. Ele acrescenta que a sua equipa está actualmente a experimentar congelar bactérias para tratar infecções com C. difficile.

No entanto, as barreiras económicas a esse comprimido sintético são significativas. Elaine Petrof, perita em doenças infecciosas na Universidade Queen em Kingston, Ontário, criou a RePOOPulate, uma mistura de 33 diferentes tipos de bactérias crescidas em laboratório para imitar o microbioma. A sua equipa passou dois anos a obter o equipamento necessário ao crescimento das bactérias mas o procedimento continua a ser dispendiosos e as bactérias muito sensíveis: “Sinceramente, boa sorte para vocês", deseja ela às companhias que tencionam tentar comercializar a tecnologia.

O alto custo de produção de bactérias desta forma seria uma barreira menor se a alternativa não fosse tão barata. Como Tom Moore, médico e especialista em doenças infecciosas em Wichita, Kansas, diz: “Será difícil competir com a disponibilidade imediata e os custos baixíssimos do cocó humano."

 

 

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