2013-10-11

Subject: 5 mil milhões estarão expostos a um clima totalmente novo

 

5 mil milhões estarão expostos a um clima totalmente novo

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ BBC

A cidade indonésia de Manokwari está destinada a tornar-se um ícone involuntário das alterações climáticas: por volta de 2020 a sua localização costeira será um dos primeiros locais da história recente a adoptar um clima totalmente novo, um em que os seus anos mais frescos serão consistentemente mais quentes que qualquer um dos últimos 150 anos.

Esta é uma das descobertas de um estudo hoje publicado na revista Nature, que tenta criar um índice específico para cada região das alterações climáticas. 

Os investigadores procuraram identificar o ponto em que as oscilações de temperatura em cada área excederão os limites da variabilidade histórica. Prevê-se que essas 'divergências climáticas' comecem nos trópicos e se propaguem para as latitudes mais elevadas. Se as emissões de dióxido de carbono continuarem ao mesmo ritmo, o clima médio da Terra pode divergir das médias históricas em 2047.

“Muito em breve os eventos extremos tornar-se-ão a norma", diz o autor principal do estudo Camilo Mora, investigador ambiental na Universidade do Havai em Manoa.

Dado que as temperaturas nos trópicos variam pouco entre as estações, mesmo uma ligeira subida na temperatura média pode levar a condições sem precedentes, com consequências negativas para os ecossistemas que são lar da maioria da biodiversidade do planeta. Muitos países tropicais não terão capacidade económica para se adaptar ou responder de alguma forma a estas ameaças.

“As regras do jogo climático, as que governam tudo, desde as interacções entre as espécies à frequência das grandes tempestades, estão a alterar-se", diz Jack Williams, paleoclimatólogo na Universidade do Wisconsin–Madison, que não esteve envolvido no estudo.

A maior parte das projecções climáticas focam-se no momento das alterações absolutas de temperatura, como as previsões de quando se espera que a Terra tenha aquecido em média 2 ºC quando comparada com os tempos pré-industriais, mas pouco se sabe sobre o momento em que ocorrerão alterações climáticas regionais.

Para estabelecer os limites históricos da variabilidade climática, a equipa de Mora usou 39 modelos climáticos para reunir projecções sobre 7 variáveis ambientais, como a temperatura do ar perto da superfície e a precipitação, para os anos entre 1860 e 2005. Seguidamente, os investigadores realizaram simulações para os próximos 100 anos, para identificar os anos em que se prevê que as variáveis climáticas excedam os limites históricos em várias localizações.

 

Descobriram que um corte agressivo nas emissões de gases de efeito de estufa, de modo a estabilizar o nível de dióxido de carbono na atmosfera, atrasaria o momento de divergência climática da Terra como um todo em 22 anos, ou seja, até 2069. “Vinte e dois anos não é muito tempo mas pode ser uma janela de oportunidade para nos prepararmos e adaptarmos a estas novas condições climáticas", diz Mora.

Evidências dos últimos anos sugerem que algumas espécies tropicais, que estão habituadas a uma variação climática limitada, serão mais sensíveis a alterações rápidas no clima do que espécies de zonas com um leque variado de condições.

Ainda assim, não é claro que espécies serão mais duramente atingidas, diz Sean McMahon, ecologista florestal no Centro de Investigação Ambiental Smithsonian em Edgewater, Maryland. “Este artigo muda claramente a discussão de ‘se o clima terá impacto' para ' quando o clima tiver impacto' e é um apelo aos cientistas para que usem projecções climáticas regionais para prever impactos específicos na biodiversidade", diz ele.

Williams concorda: “Este estudo vai ajudar a identificar a emergência de novos climas mas para determinar a capacidade de uma espécie para sobreviver às alterações climáticas será importante ir mais atrás para determinar as respostas das espécies às idades do gelo passadas", aquecimentos abruptos e outras alterações extremas no clima, diz ele.

 

 

Saber mais:

Relatório do IPCC coloca geoengenharia na ribalta

IPCC - apesar do hiato, alterações climáticas estão para durar

Oceano tropical responsável por hiato no aquecimento global

Aquecimento global motor de conflitos humanos

Terra assiste a extremos climáticos sem precedentes

Zonas climáticas vão alterar-se mais rapidamente num mundo em aquecimento

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com