2013-10-08

Subject: Esponjas ajudam corais a prosperar em desertos marinhos

 

Esponjas ajudam corais a prosperar em desertos marinhos

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ BBC

O mistério da forma como os recifes de coral prosperam nos desertos oceânicos foi finalmente resolvido, dizem os cientistas.

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas  mais vibrantes do planeta e no entanto prosperam em águas praticamente sem nutrientes, um fenómeno conhecido por Paradoxo de Darwin. Agora, uma equipa de investigadores descobriu que as esponjas mantêm o recife vivo ao reciclar enormes quantidades de matéria orgânica que alimenta lesmas, caranguejos e outros animais.

Escrevendo na última edição da revista Science, os investigadores esperam que as suas descobertas ajudem a conservação destes ecossistemas únicos.

As esponjas reciclam perto de dez vezes mais matéria orgânica que as bactérias e produzem tantos nutrientes como o conjunto de todos os corais e algas do recife, calculam os cientistas. 

Elas são as heroínas esquecidas da comunidade do recife, refere o autor principal do estudo Jasper de Goeij, ecologista aquático na Universidade de Amesterdão. "Até agora ninguém tinha dado muita atenção às esponjas. Elas são bonitas mas todos estavam mais interessados nos corais e nos peixes", diz ele.

"Mas afinal as esponjas são grandes jogadoras e merecem o devido crédito pelo seu papel. Se queremos um recife colorido e diversificado, precisamos de um 'ciclo de esponjas' para o manter."

Foi durante a sua viagem no navio Beagle que Charles Darwin fez a famosa observação de que os recifes de coral tropicais são como oásis num deserto. Estão rodeados por águas praticamente sem azoto e sem fósforo, o que deveria inibir o seu crescimento.

Dado que os corais libertam até metade da sua matéria orgânica para a água do mar, os recifes precisam de um sistema de recuperar estes nutrientes e reciclá-los de volta para o ecossistema. As bactérias fazem parte do serviço mas não são suficientemente abundantes para atender a todas as dependências químicas de uma fervilhante comunidade.

As esponjas alimentam-se por filtração e vivem nas fendas e sulcos da rocha, recolhendo plâncton e matéria orgânica libertada para a água pelos corais e a ideia de que poderiam ser o elo perdido no ciclo alimentar do recife já tinha sido proposta mas não era claro que quantidade de nutrientes elas poderiam fornecer, nem exactamente de que forma alimentavam os seus vizinhos.

 

Na ilha de Curaçau, nas Caraíbas, de Goeij e a sua equipa estudaram quatro espécies comuns de esponjas, primeiro em aquários de laboratório e depois em recifes naturais onde os cientistas selaram uma cavidade. Alimentaram-nas com açucares marcados e seguiram a viagem dessas moléculas.

Primeiro os açucares eram absorvidos da água pelas esponjas e rapidamente libertados novamente através de coanócitos mortos, sob a forma de detritos que caíam para o fundo do mar. No espaço de dois dias, as mesmas moléculas estavam presentes em caracóis e outros animais que se alimentavam dos sedimentos que continham detritos de esponja. Esses caracóis eram depois devorados por animais maiores e o ciclo continuava.

Não foi apenas a velocidade mas o volume de reciclagem de alimento que mais surpreendeu os autores, cerca de dez vezes mais do que as bactérias são capazes de reciclar.

A esponja Halisarca caerulea, por exemplo, absorve até dois terços do seu peso corporal de carbono dissolvido por dia mas praticamente não cresce pois as células antigas são perdidas para o fundo do mar.

No total, a equipa de investigadores holandeses estima que este 'ciclo de esponjas' produza praticamente a mesma quantidade de nutrientes que todos os produtores primários (corais e algas) do todo o recife tropical e considera provável que outros corais em desertos marinhos, como os corais de profundidade de água fria ou os corais de águas temperadas mediterrânicos, também dependam de esponjas para reciclar os seus nutrientes.

 

 

Saber mais:

Crescente acidez oceânica vai exacerbar alterações climáticas

Porque alguns corais aguentam o calor

Corais ameaçados convocam peixes aliados

Branqueamento dos corais vai de mal a pior

Metas climáticas não chegam para salvar corais

Corais podem viver milhares de anos

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com