2013-10-05

Subject: Insectos apaixonados prevêem o tempo

 

Insectos apaixonados prevêem o tempo

 

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Há muito que as pessoas alegam que os animais conseguem prever o tempo, por exemplo ao encurtando a sua actividade quando há ameaça de chuva. No entanto, havia muito poucas evidências que apoiassem essas teorias até ao momento em que uma equipa de cientistas encontrou um exemplo concreto: insectos rejeitam sexo em resposta à descida da pressão atmosférica que pressagia chuva.

Os investigadores do laboratório de José Bento, entomólogo na Universidade de São Paulo no Brasil, teve esta ideia pela primeira vez quando analisava o efeito da pressão atmosférica no comportamento quando se apercebeu de algo estranho nas suas experiências com insectos. 

“Em alguns dias elas não funcionavam muito bem, não havia grande actividade no laboratório", diz a investigadora do laboratório Maria Peñaflor. Na maioria das vezes, recorda ela, isso isso acontecia quando se previa chuva. Condições como a luz, temperatura e humidade eram controladas no laboratório, logo os investigadores puseram a hipótese de os insectos estarem a reagir à descida da pressão para tentar proteger-se dos danos da chuva.

Em conjunto com colegas da Universidade do Ontário Ocidental em London, Canadá, testaram de que forma três espécies não relacionadas, o escaravelho Diabrotica speciosa, a traça Pseudaletia unipuncta e o afídeo da batata Macrosiphum euphorbiae, reagiam a alterações da pressão atmosférica. Os seus resultados foram publicados na revista PLoS ONE.

Quando a pressão atmosférica caía rapidamente, os escaravelhos macho tornavam-se menos sensíveis às feromonas das fêmeas. Se colocados perto das fêmeas ainda acasalavam mas a maioria saltava os seus comportamentos de acasalamento habituais e ia directo à cópula, como se estivessem a tentar despachar a situação rapidamente antes da chegada de uma tempestade mortífera.

As traças e os afídeos tiveram reacções semelhantes. As fêmeas de ambas as espécies de insectos pequenos e leves, reduziam o seu comportamento de chamamento (lançamento de feromonas sexuais para atrair parceiros) quando havia ameaças de chuva. 

A subida da pressão, que pode assinalar a aproximação de ventos, também alterava o passo dos animais: as fêmeas de afídeo, que têm que se equilibrar precariamente na borda de folhas para realizar os seus chamamentos, reduzem os seus chamamentos. Os machos de ambas as espécies tornavam-se menos sensíveis aos chamamentos, tanto em condições de subida, como de descida de pressão, do que quando a pressão se mantinha estável.

 

Bernard Roitberg, entomólogo na Universidade Simon Fraser em Burnaby, Canadá, pensa que a explicação dos investigadores para as alterações de comportamento é correcta. Uma “expectativa de mortalidade" devida a, digamos, uma alteração de pressão deveria alterar o comportamento do insecto para maximizar as suas hipóteses de transmissão dos seus genes, diz ele. Roitberg fez observações semelhantes há 20 anos, mostrando que com pressão atmosférica em queda, as fêmeas das vespas parasitas Leptopilina heterotoma em busca de local para depositar os seus ovos baixavam o seu critério de escolha e usavam hospedeiros que já tinham sido parasitados.

Bento suspeita que os insectos usam minúsculos receptores em forma de pêlo na cutícula para detectar alterações de pressão. O facto de comportamentos semelhantes terem sido observados em insectos de ordens completamente diferentes indicia que esta capacidade é generalizada, diz Bento. Mas Robert Matthews, entomólogo na Universidade da Georgia em Athens, diz que são necessários mais exemplos antes da situação ser confirmada. “Há tanta diversidade no mundo dos insectos que pode ser abusivo generalizá-lo", diz ele.

Mas, acrescenta ele, faz sentido do ponto de vista evolutivo, especialmente para os que passam toda a sua vida adulta a acasalar. “Alguns insectos não fazem mais nada na vida a não ser sexo, têm que estar adaptados a faze-lo bem."

 

 

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