2013-10-04

Subject: Relatório do IPCC coloca geoengenharia na ribalta

 

Relatório do IPCC coloca geoengenharia na ribalta

 

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As tentativas de contrariar o aquecimento global modificando a atmosfera da Terra foram empurradas para a ribalta no seguimento da apresentação, na semana passada, do relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas.

A menção à geoengenharia no relatório foi breve mas sugere que a controversa área está agora seguramente na agenda científica. Alguns modelos climáticos sugerem que a geoengenharia poderá mesmo ser necessária para manter a subida da temperatura global abaixo dos 2 °C acima dos níveis pré-industriais.

A maioria das tecnologias de geoengenharia ou reflecte a luz do sol (através de nuvens artificiais de aerossóis estratosféricos, por exemplo) ou reduz a quantidade de gases de efeito de estufa na atmosfera. Esta última abordagem, descrita como 'emissões negativas', envolve a captura de dióxido de carbono com estratégias que vão desde a construção de torres que o recolhem da atmosfera a moer rochas de maneira a que reajam com o CO2 e o retirem de circulação.

Os críticos dizem que as tecnologias não estão provadas, que terão impactos imprevisíveis e que podem distrair as pessoas de tentativas de limitar as emissões de gases de efeito de estufa. Mas os seus defensores aponta a linguagem no sumária para decisores produzido pelo grupo de trabalho do IPCC que avaliou as evidências científicas das alterações climáticas como prova de que a redução das emissões já não será suficiente.

O documento salienta que uma “vasta fracção" das alterações climáticas antropogénicas são irreversíveis, a não ser com uma “enorme remoção global do CO2 da atmosfera ao longo de um período sustentado de tempo". De acordo com alguns modelos climáticos, a manutenção da subida de temperatura abaixo dos 2 °C exigirá emissões negativas.

O sumário refere: “Métodos que têm como objectivo alterar deliberadamente o sistema climático para contrariar as alterações climáticas, apelidados geoengenharia, foram propostos. As poucas evidências prenunciam uma avaliação quantitativa rigorosa tanto da Gestão da Radiação Solar (SRM) como da Remoção de Dióxido de Carbono (CDR), bem como do seu impacto no sistema climático.

Piers Forster, investigador de alterações climáticas na Universidade de Leeds, e um dos autores do sumário, refere: “A relevância política da informação é que se não começarmos a mitigar (ou seja, reduzir as emissões) amanhã, temos que começar a considerar estas opções menos atractivas."

Actualmente, apenas projectos piloto, em pequena escala, de geoengenharia estão em acção, incluindo esforços de reflorestação e a captura de carbono em fábricas de biocombustíveis. Isto deve-se, em parte, ao que alguns cientistas consideram uma estranha falta de financiamento para os investigadores da área.

Mas isso pode mudar com a publicação do relatório do IPCC. "De certa maneira, o tratamento da geoengenharia pelo IPCC é um reflexo do crescente interesse governamental nestas áreas", diz Ken Caldeira, investigador climático na Instituição Carnegie para a Ciência em Stanford, Califórnia. "É difícil determinar até que ponto possíveis aumentos de financiamento derivariam directamente deste interesse governamental e quanto será devido ao próprio relatório."

 

O financiamento, no entanto, não é a única preocupação: “Há questões muito sérias em relação é exequibilidade técnica, à aceitação social, escaladas e efeitos colaterais das técnicas de geoengenharia. Parece perverso dado que os decisores até agora se contentaram em deixar estas importantes questões sem resposta", diz Tim Kruger, gestor do programa de geoengenharia da Universidade de Oxford, Reino Unido, e organizador do encontro da semana passada sobre tecnologias de remoção de CO2 da atmosfera.

Muitos peritos em geoengenharia queixam-se da falta de investigação no campo e a disponibilização generalizada de tecnologias parece uma perspectiva distante.

O debate está “no ponto em que a adequação da investigação e desenvolvimento é a questão", diz Robert Socolow, que trabalha em gestão e sequestração de carbono na Universidade de Princeton em Nova Jérsia.

Socolow diz que o foco deve agora ser a compreensão do funcionamento da Terra, investigação que servirá dois propósitos: estudos do gelo árctico, por exemplo, ajudarão os cientistas a compreender como a intervenção poderá abrandar a subida do nível do mar e o trabalho com nuvens pode contribuir para a gestão da radiação solar.

“Mas primeiro que tudo temos que reduzir a nossa ignorância colectiva sobre gelo e nuvens", diz ele. “Nenhuma mensagem é mais clara no sumário para decisores do que a urgência de melhorar a ciência sobre o sistema Terra.”

 

 

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