2013-10-01

Subject: Evolução rápida por trás da ascensão da Shigella

 

Evolução rápida por trás da ascensão da Shigella

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

A Shigella sonnei, uma bactéria causadora de disenteria, espalhou-se por todo o Vietname apesar dos enormes avanços nas condições sanitárias e do desenvolvimento económico do país e finalmente os cientistas pensam saber porquê.

Em apenas 15 anos a S. sonnei sofreu mutações que lhe permitem resistir a muitos antibióticos e produzir uma toxina que dizima muitos dos seus competidores microbianos, o que lhe dá uma vantagem competitiva, revela uma pesquisa publicada na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. O trabalho segue a microevolução da bactéria ao sequenciar 263 amostras recolhidas de pacientes hospitalizados no Vietname entre 1995 e 2010.

Os dados genéticos também fornecem uma visão sobre o desenvolvimento da resistência a antibióticos no país, onde esse tipo de medicamento está disponível sem necessidade de receita médica. Um único ancestral comum deu origem à S. sonnei resistente aos antibióticos, que substituiu completamente a espécie aparentada Shigella flexneri como a principal causa de disenteria no Vietname. Para além dos genes de resistência aos antibióticos, a S. sonnei adquiriu o gene que codifica a toxina que mata outras bactérias.

Eileen Barry, microbióloga na Escola de Medicina da Universidade do Maryland em Baltimore, apelida a análise de espantosa: “É algo único termos amostras de um período de 15 anos para analisar usando estas técnicas muito avançadas de sequenciação."

A S. sonnei causa um sexto dos mais de 160 milhões de casos de disenteria registado por ano em todo o mundo. Apesar de ser menos mortífera que outras bactérias que provocam diarreia sanguinolenta, está a tornar-se cada vez mais comum, especialmente no sudeste asiático.

Com base nos seus resultados de sequenciação, Stephen Baker, da Unidade de Investigação Clínica da Universidade de Oxford na Cidade de Ho Chi Minh, Vietname, criou um modelo que localizou 1982 como o ano em que a S. sonnei emergiu no Vietname. 

Provavelmente a bactéria teve origem na zona densamente povoada da Cidade de Ho Chi Minh e propagou-se através do sistema de canais. Subsequentemente passou por quatro efeitos gargalo genéticos, em que as mutações que surgiram num grupo reduzido dentro da espécie rapidamente se tornaram comuns. 

Como cada um desses momentos de efeito gargalo coincidiram com taxas de infecção aumentadas, a equipa de Baker defende que esses eventos ajudaram a conferir resistência antimicrobiana ou algum outro tipo de vantagem competitiva à S. sonnei.

 

O primeiro efeito gargalo, em 1994, coincidiu com a propagação do gene que codifica a colicina, um tipo de toxina que mata outras espécies de Shigella e também Escherichia coli. Os investigadores acreditam que a colicina produzida pela S. sonnei a ajuda a ter uma vantagem competitiva sobre outras bactérias do intestino quando infecta o sistema digestivo de um paciente.

O efeito gargalo mais recente, em 2006, aconteceu por volta do momento em que a S. sonnei desenvolveu a capacidade de produzir β-lactamase de largo espectro, uma enzima que confere resistência à penicilina e a outros antibióticos orais vulgarmente utilizados.

Para além de adquirir estas alterações genéticas genéricas, as S. sonnei de diferentes locais do Vietname começaram a evoluir localmente para se tornarem resistentes a outros antibióticos. Estirpes distintas revelam padrões de resistência semelhantes, apesar de apresentarem diferentes conjuntos de genes. “Temos genes diferentes que fazem a mesma coisa", acrescenta Baker, o que demonstra com que facilidade a resistência pode emergir.

Entretanto, outros investigadores estão a trabalhar para contrariar a propagação da S. sonnei sem utilizar antibióticos e uma vacina para a Shigella entrou na fase I de testes clínicos no início deste ano.

 

 

Saber mais:

Fertilizantes à base de estrume de porco associados a infecções MRSA humanas

Genomas revelam raiz da multirresistência na tuberculose

Bactérias de ratos magros previnem obesidade noutros ratos

Bactéria intestinal pode combater obesidade e diabetes

Quem evolui lentamente acaba por ganhar

Bactérias halófilas seguem o seu próprio caminho

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com