2013-09-28

Subject: IPCC: apesar do hiato, alterações climáticas estão para durar

 

IPCC: apesar do hiato, alterações climáticas estão para durar

 

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A ameaça das alterações climáticas não perdeu uma pitada da sua urgência. Sem reduções drásticas das emissões ou controversas soluções técnicas climáticas, o aquecimento global continuará ao longo do século XXI e alterará severamente os ambientes naturais do nosso planeta e as condições de vida de milhares de milhões de pessoas, alerta o Painel Internacional para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) no seu último relatório, agora tornado público.

Mesmo se as emissões de dióxido de carbono cessassem de um dia para o outro, o meio trilião de toneladas de carbono que já foram lançadas para a atmosfera desde que a industrialização começou por volta de 1850 continuarão a afectar a biosfera, glaciares e oceanos durante séculos, pode ler-se no relatório.

Um sumário para decisores do último relatório do IPCC, relativo às bases físicas das alterações climáticas, foi publicada em Estocolmo depois de quatro dias de maratonas de negociações entre os autores principais e representantes dos governos de 195 países, cada um dos quais teve que concordar com todas as linhas e números no relatório final de 36 páginas.

Em 18 mensagens introdutórias, o sumário refere que as alterações observadas desde 1950 apontam inequivocamente para alterações climáticas "sem precedentes em décadas ou milénios". Quando comparada com a do período 1986-2005, projecta-se que a temperatura média global aumente mais 0,3 a 4,8°C até ao final do século, dependendo do desenvolvimento económico e tecnológico futuro.

À medida que os glaciares na Groenlândia e em partes da Antárctica derretem cada vez mais depressa, a subida do nível do mar (entre 26 e 82 centímetros em 2100 de acordo com as últimas projecções do IPCC) irá aumentar o risco de inundações em muitas zonas costeiras. O relatório também alerta para a crescente acidificação oceânica, uma grave ameaça à biodiversidade marinha e para perturbações do ciclo global da água e disponibilidade de água doce localmente devido às alterações dos padrões de precipitação.

"As alterações climáticas são o maior desafio do nosso tempo", diz Thomas Stocker, cientista climático na Universidade de Berna, que co-secretariou a avaliação. "Estou orgulhoso de termos sido capazes de convencer os políticos de que temos uma avaliação robusta das alterações climáticas. A essência científica dos rascunhos anteriores não mudou e as mensagens principais foram todas mantidas."

Funcionários governamentais  e cientistas passaram quatro longos dias a rever e editar o documento, linha por linha. A maratona prolongou-se pela noite de quinta-feira e só foi concluído na madrugada de sexta-feira. Gerald Meehl, cientista sénior no Centro Nacional de Investigação Atmosférica em Boulder, Colorado, diz que os delegados governamentais procuraram clarificar a ciência mas muito raramente questionaram as mensagens subjacentes ou à forma como os cientistas chegaram às suas conclusões. 

A avaliação do IPCC baseia-se nas observações do mundo real, como as do recuo dos glaciares e do gelo marinho, em modelos climáticos baseados em quatro cenários de emissões de gases de efeito de estufa e uma análise da literatura científica.

No conjunto, o relatório cita nada menos que 9200 artigos científicos, dois terços dos quais foram publicados desde 2007. Existe agora um corpo de evidências avassalador, diz Stocker, de que o 1°C, mais ou menos, de aquecimento global que ocorreu desde meados do século XIX é o resultado da actividade humana.

 

Para dar ao mundo uma probabilidade de 66% de limitar o aquecimento global a 2°C, as emissões futuras devem ser mantidas abaixo de 500 gigatoneladas de carbono, uma fracção dos recursos conhecidos de petróleo e gás, conclui o relatório.

"O IPCC forneceu uma base científica ainda mais robusta para a acção contra as alterações climáticas", diz Johan Rockstroem, director do Resilience Centre de Estocolmo. "Fico feliz de ver que a comunidade científica está a manter-se firme sobre a verdadeira escala da ameaça que enfrentamos."

Um abrandamento da subida das temperaturas médias globais nos últimos anos sugere que o aquecimento global está a prosseguir de forma mais intermitente, e de uma forma menos previsível, do que se observa em alguns modelos  climáticos mas o chamado hiato ocorrido desde o ano recorde de 1998, provavelmente devido a um aumento da absorção de calor pelos oceanos, não é um sinal que o aquecimento global tenha parado, como alguns gostariam de acreditar.

"Comparar observações a curto prazo com modelos de projecções a longo termo é desapropriado", diz Stocker. "Sabemos que existe muita flutuação natural no sistema climático. Um hiato de 15 anos não assim tão invulgar mesmo que ainda haja debate sobre o que causou a pausa." Alegações de que os modelos climáticos estão estão fundamentalmente errados são injustificadas, a não ser que "as temperaturas permanecessem constantes nos próximos 20 anos", diz ele.

"A subida da temperatura superficial não é a única assinatura das alterações climáticas", diz Brian Hoskins, director do Instituto Grantham para as Alterações Climáticas no Imperial College de Londres. "Estamos confrontados com um jogo entre diferentes partes de um sistema maior claramente em alteração. Abona a favor do IPCC que tenha enfrentado sem medo as complexidades envolvidas na tarefa."

A versão final do relatório completo, o quinto desde 1990, será publicada na próxima semana. Os relatórios do IPCC sobre adaptação e mitigação das alterações climáticas, bem como o relatório síntese, surgirão no próximo ano. A última avaliação completa levou o IPCC a ganhar o prémio Nobel da Paz em 2007, em conjunto com o antigo vice-presidente americano Al Gore.

 

 

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