2013-09-25

Subject: Glaciares tibetanos recuam no topo

 

Glaciares tibetanos recuam no topo

 

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Os glaciares tibetanos estão a encolher. Geralmente pensa-se que a maior parte do seu recuo ocorre a baixa altitude mas uma nova investigação veio agora mostrar que os glaciares também podem estar a perder gelo a altitudes até 6 mil metros.

“Os glaciares estão virtualmente a ser decapitados pelo clima em aquecimento ”, diz Kang Shichang, glaciólogo no Instituto de Investigação do Planalto Tibetano da Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

A sua equipa procura sinais deixados no gelo por incidentes ambientais que alteraram a composição química da atmosfera. “As bolhas de ar ficam aprisionadas no gelo de um glaciar e com elas transportam compostos químicos" do ar, diz Kang.

Entre esses incidentes estão testes nucleares que foram especialmente frequentes entre 1952 e 1963, libertando compostos radioactivos, como o trítio. “Este deixou uma assinatura característica nos glaciares por todo o mundo", diz Kang.

Ele ficou com um mau pressentimento ao examinar os núcleos de gelo perfurados em dois glaciares tibetanos a cerca de 6 mil metros, explicou ele no 6º Simpósio Internacional sobre o Planalto Tibetano que decorreu em Tubingen, Alemanha, no mês passado.

Um núcleo do glaciar Lanong no sul do Tibete não mostra o pico de trítio associado aos testes nucleares nem qualquer vestígio de compostos radioactivos do desastre nuclear de Chernobyl na Ucrânia em 1986. Isto sugere que as camadas de gelo depositadas no glaciar desde a década de 50 já derreteram ou sublimaram.

O segundo núcleo de gelo, do glaciar Guoqu no Tibete central, apresenta as impressões digitais químicas dos testes nucleares e da erupção vulcânica de Galunggung na Indonésia em 1982, mas não há sinais de Chernobyl. Mais, o conteúdo de em mercúrio do núcleo, que se correlaciona bem com as tendências globais e regionais de emissões, termina abruptamente na década de 80. “O glaciar tem estado a perder gelo nas últimas três décadas", diz Kang.

 

“É surpreendente que os glaciares estejam a derreter lá tão no alto das montanhas", diz Achim Bräuning, paleoclimatólogo na Universidade de Erlangen-Nuremberg na Alemanha, pois as elevações mais altas tendem a manter temperaturas baixas todo o ano.

“Costumávamos pensar que os glaciares estavam seguros nas elevações mais elevadas mas este estudo mostra que podemos estar errados, pelo menos em algumas localizações", acrescenta ele. “Mas não sabemos até que ponto o fenómeno é comum."

Os núcleos de gelo de altitudes extremas são raros e espaçados. O único outro glaciar tibetano que se sabe estar a perder gelo a altitudes elevadas é o glaciar Naimona’nyi no sudoeste do planalto tibetano. Mas as novas descobertas levantam questões sobre o destino dos recursos hídricos da região, especialmente porque os três glaciares estão em zonas climáticas diferentes, diz Kang. O gelo tibetano age funciona como reservatório de água para vastas regiões da China e do sul da Ásia, com centenas de milhões de habitantes.

“Isto pode não ser único no planalto tibetano", diz Kang. “A única forma de ter uma imagem completa da situação é perfurar mais núcleos de gelo das altas montanhas de todo o mundo."

 

 

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