2013-09-24

Subject: Terapia do sono pode alterar más recordações

 

Terapia do sono pode alterar más recordações

 

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Esqueça o sofá do psiquiatra: a sua própria cama pode muito bem ser, um dia, o cenário da psicoterapia. 

O treino cerebral dirigido durante o sono pode reduzir os efeitos perniciosos de memórias temerosas, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista Nature Neuroscience. Os investigadores dizem que a técnica pode, em última análise, ser usada no tratamento de perturbações psiquiátricas, como as fobias e perturbações devidas a stress pós-traumático.

Actualmente, essas perturbações são geralmente tratadas através da chamada terapia de exposição, que exige que os paciente revivam os seus medos intencionalmente. Com repetidas exposições na segurança do consultório do terapeuta, os pacientes podem aprender a reduzir as suas respostas às dicas traumáticas, sugerindo que as memórias estão a ser alteradas.

Mas o tratamento em si mesmo pode ser intoleravelmente doloroso para alguns pacientes, especialmente ao início. Neste último estudo, a neurocientista Katherina Hauner, da Escola de Medicina Feinberg na Universidade Northwestern de Chicago, Illinois, concebeu uma forma de terapia de exposição que funciona quando as pessoas estão adormecidas.

“É fascinante e muito prometedora", diz Daniela Schiller, neurocientista na Escola de Medicina Mount Sinai em Nova Iorque. “Costumávamos pensar que era preciso compreensão consciente das nossas respostas emocionais para as podermos alterar."

Para criar memórias causadoras de medo, a equipa de Hauner aplicou choques eléctricos fracos aos participantes no estudo enquanto estes observavam imagens de rostos acompanhados por um odor característico, como o do limão ou da hortelã. As pessoas começavam a suar levemente quando viam as imagens e sentiam os odores, antecipando que iriam receber um choque.

Logo depois do treino, os participantes tiravam uma soneca no laboratório, enquanto os investigadores monitorizavam as suas ondas cerebrais com eléctrodos colocados no escalpe. Quando os voluntários entravam no sono de ondas lentas, um estádio durante o qual as memórias recentes eram revividas e reforçadas, a equipa libertava um dos odores associados ao medo.

Ao administrar o odor com intervalos de 30 segundos, os investigadores estavam a tentar desencadear a memória do rosto correspondente, uma e outra vez, mas desta vez sem o choque eléctrico. Tal como quando estavam acordados, os participantes adormecidos mostravam sinais de sudação quando expostos ao odor mas o efeito ia gradualmente desaparecendo.

 

O efeito de redução permanecia depois do sono. Quando acordadas, as pessoas revelavam respostas de medo inferiores quando expostas à combinação odor-rosto que tinha sido desencadeada repetidamente durante o sono. Alterações de actividade na amígdala, a região do cérebro envolvida na emoção e no medo, sugerem que o tratamento não apagou a memória causadora de medo mas, em vez disso, criou novas e inócuas associações com a combinação odor-rosto. As pessoas que dormiram mais tempo e receberam mais tratamento tiraram os benefícios máximos do procedimento.

“É realmente paradoxal", diz Jan Born, neurocientista na Universidade de Tübingen, Alemanha, salientando que a recapitulação espontânea das memórias durante o sono é tida como reforçadora e não enfraquecedora da aprendizagem.

Hauner explica que a activação repetida de uma única memória causadora de medo durante o sono provavelmente funciona mais como uma verdadeira terapia de exposição e menos como o natural reviver de memórias à noite, em que as memórias são desencadeadas aleatoriamente. É preciso mais trabalho, diz ela, para determinar quanto dura o tratamento e se o sono de uma noite o pode afectar.

Quanto à utilização da técnica terapeuticamente, Hauner salienta que as memórias realmente traumáticas, especialmente as muito antigas, podem ser muito mais complicadas de tratar do que um cenário simples criado em laboratório: “Trata-se de uma área nova, acho que o processo precisa de ser refinado."

 

 

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