2013-09-22

Subject: Parasita faz ratos perder medo a gatos de forma permanente

 

Parasita faz ratos perder medo a gatos de forma permanente

 

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Um parasita que infecta até um terço das pessoas em todo o mundo pode ter a capacidade de alterar de forma permanente uma função cerebral específica dos ratos, de acordo com um estudo publicado na revista PLoS ONE

O Toxoplasma gondii é conhecido por retirar aos roedores o seu medo inato aos gatos e esta nova investigação mostra que mesmo meses após a infecção, quando os parasitas já não são detectados, o efeito permanece. Este facto levanta a possibilidade de o microrganismo causar uma alteração estrutural permanente no cérebro.

O microrganismo é um agente patogénico que infecta a maioria dos mamíferos e aves, onde provoca a doença toxoplasmose mas os seus efeitos sobre os roedores são únicos: a maioria foge do odor dos gatos mas os infectados são ligeiramente atraídos por ele.

Pensa-se que esta seja uma adaptação evolutiva que ajuda o parasita a completar o seu ciclo de vida: o Toxoplasma apenas se consegue reproduzir sexuadamente no intestino dos gatos e, para que consiga lá chegar, o hospedeiro roedor do parasita deve ser devorado.

Em humanos, estudos já associaram a infecção por Toxoplasma a alterações comportamentais e esquizofrenia. Um trabalho revelou um aumento do risco de acidentes de trânsito em pessoas infectadas com o parasita e outro encontrou alterações na resposta ao odor a gato. As pessoas com esquizofrenia têm maior probabilidade que o resto da população de ter sido infectadas pelo Toxoplasma e os medicamentos usados para tratar a esquizofrenia podem funcionar, em parte, inibindo a replicação do parasita.

Pensa-se que a esquizofrenia envolve o excesso de actividade do neurotransmissor dopamina no cérebro. Isso levou a uma possível explicação para o efeito comportamental do Toxoplasma: o parasita estabelece infecções persistentes através de cistos microscópicos que crescem lentamente nas células cerebrais. Pode aumentar a produção de dopamina por parte dessas células, o que pode alterar significativamente a sua função. A maioria dos outros mecanismos sugeridos também depende da presença dos cistos.

Investigação sobre o Toxoplasma usou essencialmente a estirpe americana tipo II. Wendy Ingram, bióloga molecular da célula na Universidade da Califórnia, Berkeley, investigou os efeitos de duas outras estirpes importantes, a tipo I e a tipo III, sobre o comportamento dos ratos. Ela descobriu que no espaço de três semanas da infecção com qualquer uma das estirpes, os ratos perderam todo o medo ao odor a gato, mostrando que a alteração comportamental é uma característica geral do Toxoplasma.

Mais surpreendente foi a situação quatro meses depois da infecção. O parasita tipo I que os investigadores usaram tinha sido geneticamente modificado para provocar uma resposta imunitária eficaz, permitindo aos ratos ultrapassar a infecção. Depois de quatro meses, foi indetectável no cérebro dos ratos, indicando que não restariam mais de 200 células de parasitas. “Nós esperávamos que o tipo I não fosse capaz de formar cistos e por isso não seria capaz de provocar alterações comportamentais", explica Ingram.

Mas não foi assim: os ratos permaneceram tão imperturbáveis ao odor a gato como tinham estado às três semanas. “Muito depois de perdermos a capacidade de o vermos no cérebro, continuamos a ver o seu efeito comportamental", diz o geneticista Michael Eisen, também de Berkeley.

 

Isto sugere que a alteração comportamental pode ser devida a uma alteração estrutural específica no cérebro, que é gerada antes da formação dos cistos e não pode ser revertida. A descoberta lança dúvidas sobre as teorias de que os cistos ou a dopamina causam as alterações comportamentais devidas às infecções por Toxoplasma.

Joanne Webster, epidemiologista de parasitas no Imperial College de Londres que descobriu os efeitos de negação do medo do Toxoplasma em ratos, salienta as preocupantes implicações de que se as alterações comportamentais da esquizofrenia induzida por Toxoplasma são fixas, os tratamentos que têm como alvo os cistos podem não ter qualquer efeito. No entanto, ela salienta que os ratos não são o melhor modelo para a infecção por Toxoplasma em humanos, porque eles apresentam sintomas e complicações mais severos. Webster usa ratazanas na sua pesquisa.

Ingram refere que o seu grupo usa ratos porque existem melhores ferramentas genéticas disponíveis para ajudar a descobrir o mecanismo por trás das alterações comportamentais. No entanto, ela não está convencida da ligação entre as infecções por Toxoplasma e a esquizofrenia. As suas descobertas podem na realidade enfraquecer essa ligação pois parecem fornecer evidências contra a hipótese da dopamina.

Ela salienta que as infecções por Toxoplasma são comuns em todo o mundo mas a sua prevalência varia de região para região, enquanto as taxas de esquizofrenia são consistentemente de cerca de 1% globalmente. Mais, é possível que a taxa superior de infecções por Toxoplasma entre esquizofrénicos seja devida a eles terem maior probabilidade de contrair o parasita e não de o parasita causar a esquizofrenia.

 

 

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