2013-09-18

Subject: Cera do ouvido de baleia é cápsula do tempo para stress e toxinas

 

Cera do ouvido de baleia é cápsula do tempo para stress e toxinas

 

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A cera que se acumula no interior do ouvido de uma baleia armazena todo o tipo de informação útil sobre a exposição do animal a poluentes e níveis de stress ao longo da vida, descobriram os investigadores.

A equipa, liderada por Sascha Usenko, perito ambiental na Universidade Baylor em Waco, Texas, extraiu um bloco de cera de uma baleia azul Balaenoptera musculus morta numa colisão com um navio ao largo da costa de Santa Barbara, Califórnia, em 2007 e descobriu que esta tinha estado em contacto com vários poluentes orgânicos e continha níveis elevados da hormona do stress, cortisol, à medida que atingia a maturidade sexual.

“É difícil recuperar informação com carimbo temporal específico sobre a exposição a químicos para a maioria dos animais", diz Stephen Trumble, biólogo também da Universidade Baylor e um dos co-autores do estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Isso é especialmente verdade relativamente à rara baleia azul, o maior animal da Terra.

Dizimada pelas práticas históricas de caça, as baleias azuis contam apenas com 5 a 12 mil indivíduos em todo o mundo e estão ameaçadas pelas redes de pesca onde ficam enredadas, ruído ambiental e poluição. Há muito que os cientistas usam a gordura de baleia como registo dos químicos que os animais absorvem dos oceanos mas a sua análise não indica quando ocorreu a contaminação ou quanto tempo durou.

A cera dos ouvidos é um depósito rico em gordura que armazena os mesmos dados sobre químicos que a gordura mas também regista o tempo, pois, como os anéis de uma árvore, a cera é depositada em bandas claras e escuras, cada uma correspondendo a cerca de seis meses. Nas baleias de barbas a cera dos ouvidos forma um tampão sólido que pode ter dezenas de centímetros de comprimento e permanece intacto mesmo após a morte.

Usenko identificou o seu espécime como um macho com cerca de 12 anos de idade. Durante a sua breve vida esteve em contacto com 16 poluentes orgânicos persistentes, incluindo pesticidas e retardantes de chama. A exposição à maioria destes químicos persistentes foi máxima no primeiro ano e representou um quinto do seu contacto durante toda a vida, sugerindo uma transferência dos contaminantes da sua mãe no útero e durante a amamentação.

A transferência materna de poluentes é conhecida noutros mamíferos, como focas e humanos. Uma vez que estes compostos entrem na cadeia alimentar, são passados e acumulados. “Alguns destes químicos já não estão em uso, como os retardantes de chama que foram proibidos em 2005, mas permanecem no ambiente durante 50 a 60 anos", diz Usenko. 

 

Outras toxinas descobertas na cera do ouvido foram recolhidas ao longo da vida: o mercúrio, causador de danos cerebrais, teve dois picos na amostra, há cerca de 5 e 10 anos.

Ao longo da vida da baleia, a concentração de cortisol, a hormona do stress, duplicou. O pico ocorreu directamente após a baleia atingir a maturidade sexual, há cerca de 10 anos, sugerindo stress da competição sexual, mas não é claro se o aumento global se deveu a causas naturais, como o desmame, ou a actividades humanas, como poluição e ruído.

A investigação é “emocionante", diz Jeremy Goldbogen, biólogo marinho no Cascadia Research Collective em Olympia, Washington, mas “a incapacidade de distinguir os níveis base de stress dos associados a perturbações antropogénicas é uma limitação do estudo".

Usenko e a sua equipa esperam agora investigar essa questão analisando cerca de mil espécimes de baleia de museus de todo o mundo. “Se conseguirmos analisar animais que viveram num ambiente sem alguns dos factores de stress que vemos actualmente, então poderemos perceber as causas do aumento do cortisol."

 

 

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