2013-09-17

Subject: Fertilizantes à base de estrume de porco associados a infecções MRSA humanas

 

Fertilizantes à base de estrume de porco associados a infecções MRSA humanas

 

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As pessoas que vivem perto de criações de porcos ou campos agrícolas fertilizados com estrume de porco têm maior probabilidade de ser infectadas com a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), revela um artigo publicado hoje na revista JAMA Internal Medicine.

Pesquisas anteriores tinham descoberto que os trabalhadores que lidavam com gado tinham um risco elevado de serem portadores da MRSA, quando comparados com a população em geral mas não tinha ficado claro se a propagação da MRSA através do gado vivo colocava o público em risco.

O estudo agora conhecido examinou a incidência de infecções na Pensilvânia, onde o estrume de suiniculturas é frequentemente espalhado sobre campos de cultivo em resposta à regulamentações estaduais de tratamento de estrumes. Os investigadores reviram os registos electrónicos de saúde de pacientes que procuraram tratamento do Sistema de Saúde Geisinger (que ajudou a financiar o estudo) entre 2005 e 2010.

A equipa analisou casos de dois tipos diferentes de MRSA: a associada à comunidade (CA-MRSA), que afectou 1539 pacientes, e a associada aos cuidados de saúde (HA-MRSA), que afectou 1335 pacientes. As duas categorias referem-se a onde os pacientes adquiriram a infecção, bem como às linhagens genéticas bacterianas mas esta distinção tem-se vindo a esbater à medida que mais doentes levam e trazem a MRSA dos hospitais.

Seguidamente, os investigadores examinaram se as pessoas infectadas vivam perto de criações de porcos ou de terrenos agrícolas onde tinha sido espalhado estrume de porco. Descobriram que as pessoas com maior exposição ao estrume, calculada com base na distância a que viviam das quintas, qual a dimensão das quintas e que quantidade de estrume tinha sido usado, tinham uma probabilidade 38% superior de contrair CA-MRSA e 30% superior de contrair HA-MRSA.

Os investigadores também analisaram 200 amostras de pele, sangue e expectoração isoladas de pacientes no mesmo sistema de cuidados de saúde em 2012. As estirpes MRSA encontradas nessas amostras são comuns em humanos, os investigadores não encontraram evidências de bactérias pertencentes ao complexo clonal 398 (CC398), uma estirpe MRSA classicamente associada ao gado e encontrada em quintas e trabalhadores agrícolas em muitos estudos anteriores.

 

No entanto, isto dá-nos pouca informação sobre quais as estirpes MRSA são mais comuns nas quintas americanas, logo a ausência do CC398 não é um sinal de que a MRSA não está a ser transmitida do gado para o Homem. “Fizémos estudos no Iowa e não encontrámos sempre o CC398, logo não é muito chocante", diz Tara Smith, microbióloga na Universidade Estadual Kent no Ohio, que não esteve envolvida no estudo.

Muitos investigadores pensam que a utilização generalizada de antibióticos para estimular o crescimento do gado alimenta a proliferação de MRSA e de outras bactérias resistentes aos medicamentos. As últimas descobertas sugerem que o estrume está a ajudar a espalhar a resistência aos antibióticos, diz Joan Casey, perita em saúde ambiental na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg em Baltimore, Maryland, e co-autora do estudo.

“É uma observação interessante e provocadora", diz Robert Daum, pediatra e investigador principal no Centro de Investigação da MRSA na Universidade de Chicago, Illinois. Ele acrescenta que gostaria de ver estudos semelhantes em diferentes regiões e pesquisa para descobrir se as estirpes de MRSA que existem no estrume de porco são as mesmas que as encontradas em infecções humanas próximas.

Casey está agora a trabalhar num estudo genético para identificar as estirpes MRSA mais comuns na região.

 

 

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