2013-09-15

Subject: Aves protegem colheita de café na Costa Rica

 

Aves protegem colheita de café na Costa Rica

 

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A mariquita-amarela pode não saber fazer um café com leite perfeito mas afinal é uma grande amiga dos fãs do café na mesma. Uma pesquisa realizada na Costa Rica mostra que as mariquitas e outras aves esfomeadas reduzem significativamente os danos causados por uma devastadora praga do café, o escaravelho conhecido como broca-do-café.

Um estudo revelou que as aves insectívoras reduzem a infestação pelo escaravelho Hypothenemus hampei em cerca de metade, poupando a uma produção de média dimensão de café até US$9400 ao longo de um ano de colheitas, ou seja, o correspondente ao rendimento médio per capita da Costa Rica. 

Os resultados, publicados na revista Ecology Letters, não só oferecem esperança aos agricultores que combatem o escaravelho mas também fornece um incentivo à protecção do habitat selvagem: quanto mais floresta crescia numa, ou perto, de uma plantação de café, mais aves a plantação tinha e menores eram as taxas de infestação.

“Com base neste estudo, sabemos que a vida selvagem nativa nos pode trazer um benefício significativo”, diz Daniel Karp, biólogo da conservação na Universidade de Stanford na Califórnia, que liderou o estudo. “Incorporar a sua conservação na nossa gestão das pragas é algo que temos absolutamente de fazer."

A broca-do-café é originária de África mas propagou-se a praticamente todas as regiões produtoras de café do mundo. O insecto é invulnerável à maioria dos pesticidas e pode custar aos agricultores até 75% da sua colheita. Para perceber se as aves conseguem mitigar o problema, Karp cobriu plantas de café em duas plantações na Costa Rica com uma rede suficientemente fina para afastar as aves.

Descobriram que os predadores avícolas recolhiam realmente muitos escaravelhos: na estação húmida, época alta para a actividade dos insectos, a infestação com a broca-do-café quase duplicava quando as aves foram impedidas de se alimentar nas plantas de café, subindo de 4,6% para 8,5%. Analisando as fezes das aves em busca de DNA de escaravelho, a equipa identificou a mariquita-amarela Setophaga petechia e quatro outras espécies como devoradoras de escaravelhos.

De seguida, os investigadores combinaram dados sobre abundância das aves, coberto florestal e populações de escaravelhos de seis plantações de café. Descobriram que as aves devoradoras de escaravelhos eram mais comuns nos locais com grandes zonas de floresta nos arredores e que as infestações de escaravelhos eram ligeiramente mais severas em locais não rodeadas por floresta abundante. Mais, muitos dos exterminadores avícolas viviam em pequenas zonas florestadas desprotegidas, em vez de nas grandes zonas protegidas.

 

A descoberta “é decididamente boa notícia para os agricultores da Costa Rica", diz Matthew Johnson, ecologista da conservação na Universidade Estadual Humboldt em Arcata, Califórnia. Ele e os seus colegas já tinham descoberto anteriormente que as aves ajudavam a proteger as colheitas do famoso café jamaicano Blue Mountain da broca-do-café e está feliz por verificar que as aves jamaicanas não estão sozinhas no seu gostinho pela praga, ainda que esteja céptico sobre o impacto do coberto vegetal.

A ligação entre a infestação e o coberto florestal “obviamente não está escrita em pedra", diz ele. Os resultados de Karp mostram apenas uma modesta muito modesta na broca-do-café à medida que o coberto florestal cresce, salienta ele, e Johnson gostaria de ver evidências mais fortes de que o efeito é real.

Karp responde que a relação entre o coberto florestal e a infestação pelo escaravelho é estatisticamente significativa e que outra equipa a trabalhar na Costa Rica relatou um efeito semelhante no ano passado. Seja como for, as descobertas centrais da sua equipa mantêm-se: as aves reduzem o trabalho sujo dos escaravelhos. 

Numa quinta, as aves esfomeadas afastaram os escaravelhos de 4% do valor total da colheita anual de café. Isso pode não parecer muito, diz Karp, mas “na agricultura, todos os pedacinhos contam, especialmente quando mal nos conseguimos aguentar."

 

 

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