2013-09-12

Subject: Lobos cinzentos deixados pendurados

 

Lobos cinzentos deixados pendurados

 

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@ animalfiles.comO Kentucky central é território de coiotes mas o animal de 33 kg abatido por um caçador perto de Munfordville nesta Primavera não era um coiote. 

As patas grandes, nariz largo e constituição forte sugeriam que era um lobo cinzento Canis lupus, o primeiro a ser abatido no Kentucky em mais de 150 anos e os testes de DNA confirmaram a identidade do animal em Agosto.

O animal, possivelmente um vagabundo solitário que terá percorrido centenas de quilómetros do Michigan ou do Minnesota, tornou-se também num participante no crescente debate que mistura ciência, política e opinião pública apaixonada. Do Kentucky à Califórnia, os lobos estão a forçar os biólogos e os decisores a reexaminar a Acta das Espécies Ameaçadas (ESA) americana a própria definição de espécie 'ameaçada'.

A acta, introduzida em 1973, foi uma legislação histórica. O seu objectivo foi controverso desde então mas tem intenção de salvar espécies “em risco de extinção em todo ou numa parte significativa" do seu habitat natural. Apesar de os lobos nunca terem estado em risco de extinção no conjunto dos Estados Unidos, os dos 48 estados contíguos foram classificados como ameaçados em 1978.

Após décadas de protecção federal e de programas de re-introdução, Serviço de Pesca e Vida Selvagem (FWS) realizou uma análise abrangente e descobriu que as populações de lobo perto dos Grandes Lagos ocidentais e montanhas Rochosas norte tinham recuperado o suficiente para que lhes fosse retirada a a protecção da ESA (ver mapa ao lado). Actualmente existem cerca de 4 mil lobos nos Grandes Lagos e perto de 1700 nas Rochosas do norte, tendo todos sido desclassificados entre Maio de 2011 e Agosto de 2012.

Mas em Junho deste ano, o FWS propôs a remoção da protecção da ESA a todos os lobos cinzentos americanos, citando a análise anterior como evidência da sua recuperação e defendendo que a listagem original tinha incluído erradamente regiões fora do território histórico da espécie. A agência diz que ao desclassificar o resto da população de lobos americanos pode concentrar os seus recursos a dar a protecção da ESA ao lobo mexicano Canis lupus baileyi, uma subespécie do lobo cinzento.

A proposta marca um ponto de viragem para os lobos cinzentos. Há um século os animais foram caçados quase até à extinção a sul da fronteira canadiana e agora, em resultado da desclassificação parcial, seis estados têm épocas de caça ao lobo. No Montana, 225 lobos foram legalmente mortos a tiro ou com armadilhas na temporada de 2012–13.

Os lobos cinzentos removidos do programa ESA deverão ser geridos por estados, alguns dos quais mostraram no passado muito pouco interesse na protecção dos lobos ou na expansão do seu território. A desclassificação dos lobos essencialmente vai impedir que reclamem grandes zonas da sua distribuição histórica em locais como a Califórnia, sul das Rochosas e nordeste, diz John Vucetich, perito em florestas na Universidade Tecnológica do Michigan em Houghton. E, como o surgimento do lobo no Kentucky sugere, esticar limites é a especialidade do lobo.

@ Nature/US FISH and wildlife service“O FWS está essencialmente a dizer que isto é o melhor que os lobos vão conseguir e não está nem perto", diz ele. “Os lobos estão no limiar de estabelecer um precedente para a Acta das Espécies Ameaçadas.”

Robert Wayne, ecologista e biólogo evolutivo na Universidade da Califórnia, Los Angeles, diz que os lobos precisam de territórios vastos e populações grandes para voltar aos seus níveis históricos de fluxo genético e diversidade. 

Em 2005, ele analisou o DNA mitocondrial de espécimes recolhidos antes dos lobos terem sido dizimados no início do século XX e descobriu que continham o dobro das variações do DNA dos lobos modernos. Os investigadores estimaram que as populações de lobos no México e oeste dos Estados Unidos tinham, em tempos, atingido os 380 mil indivíduos. “Os lobos não recuperaram em grande parte da sua distribuição", diz Wayne.

 

Mas Gary Frazer, assistente de director para as espécies ameaçadas do FWS em Arlington, Virginia, diz que o serviço excedeu os seus próprios objectivos mínimos para a recuperação do lobo em 2001 e, portanto, trata-se de um exemplo de missão cumprida. “Era esse o plano desde o início: declarar a recuperação, desclassificar a espécie e passar a outras espécies que precisam da nossa atenção", diz ele, salientando que os recursos da agência são limitados.

Os lobos podem ocupar apenas uma fracção da sua distribuição histórica mas não estão em risco de extinção, acrescenta Mark Boyce, biólogo na Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá. “Só em Alberta, temos 6 mil lobos. Com excepção para os lobos mexicanos, as populações nos 48 estados inferiores não acrescentam nada à diversidade genética das espécies." Boyce que qualquer expansão da distribuição histórica dos lobos será gravosa para os rancheiros. Em 2011, ele foi co-autor de um estudo que seguiu lobos por GPS e que mostrou que cada alcateia no sudoeste de Alberta matou em média 17 cabeças de gado por ano.

A controvérsia relativamente aos lobos revela a relação tensa entre a ciência e a política. Vucetich e Wayne, bem como Roland Kays, do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte em Raleigh, foram, alegam eles, retirados em Agosto de um painel que vai fazer uma revisão da proposta do FWS por se terem publicamente oposto à desclassificação dos lobos. “Não estou aborrecido por não estar no painel mas não me parecem que estejam a seguir os procedimentos adequados, foi punitivo", alega Wayne.

O processo de revisão já recomeçou. “Ainda não percebemos como lidar com a situação em que os peritos têm opiniões públicas", diz Frazer. “Não somos uma instituição académica, estamos a tentar implementar a lei federal." O período de consulta pública termina em Outubro mas como a revisão de pares não estará completa até lá, Frazer tenciona reabrir os comentários públicos em Janeiro de 2014. “As pessoas são muito apaixonadas em relação aos lobos", diz ele. A decisão final pode demorar mais de um ano.

O futuro dos lobos americanos vai depender essencialmente da aceitação pública da sua desclassificação. Grupos como o Defenders of Wildlife em Washington DC protestam contra a caça ao lobo, enquanto os afiliados com os caçadores e rancheiros querem os lobos agressivamente controlados. Alguns já fizeram ameaças de morte aos rancheiros que abateram legalmente lobos que atacaram gado.

Vucetich pensa que o governo está ansioso por passar a batata quente aos estados: “Drena as energias das pessoas que trabalham nisto."

 

 

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