2013-09-09

Subject: Os mais pobres da Costa Rica vivem mais tempo

 

Os mais pobres da Costa Rica vivem mais tempo

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ mayanodyssey.comA península Nicoya na Costa Rica é considerada um dos locais mais belos do mundo, uma língua de terra com 120 km onde a floresta tropical se encontra com o Pacífico.

Agora pode juntar outra alegação à sua fama: os seus residentes, apesar de viverem na pobreza, parecem envelhecer mais lentamente que pessoas ricas noutros locais.

De modo geral os costa-riquenhos já são conhecidos por viverem vidas particularmente longas: aos 60, um homem da Costa Rica tem uma esperança média de vida de mais 22 anos, ligeiramente superior à da Europa ocidental ou Estados Unidos, apesar da Costa Rica ser um país em desenvolvimento onde os gastos com cuidados de saúde per capita são apenas uma fracção dos dos Estados Unidos.

Em 2010, um projecto financiado pela National Geographic Society de Washington DC com o objectivo de identificar os pontos quentes de longevidade por todo o mundo já tinha salientado os residentes de Nicoya como tendo uma vida longa, mesmo pelos padrões costa-riquenhos. 

Um estudo publicado no ano passado por Luís Rosero-Bixby, epidemiologista na Universidade da Costa Rica em San José, confirmou que os mais idosos dos habitantes de Nicoya vivem dois a três anos mais do que os restantes costa-riquenhos.

Para compreender a razão disso, David Rehkopf, epidemiologista na Escola de Medicina de Stanford na Califórnia, recolheu DNA de amostras sanguíneas de residentes com 60 ou mais anos de idade da península isolada e mediu o comprimento dos telómeros dos seus cromossomas. Estas protecções na extremidade dos cromossomas têm tendência a encurtar de cada vez que a célula se divide, logo o comprimento de um telómero é um marcador rigoroso do envelhecimento biológico e os telómeros mais longos estão relacionados com uma esperança de vida superior.

Após realizar controlos para variáveis como a idade e o género, a equipa de investigadores descobriam que os telómeros dos nativos de Nicoya eram mais longos que os dos restantes costa-riquenhos, relatam eles na revista Experimental Gerontology. A diferença média é de 81 pares de bases, o equivalente a alterações causadas por factores comportamentais como a actividade física ou o deixar de fumar: “Observar isso em algo que não está relacionado com um indivíduo mas com uma região inteira é importante", diz Rehkopf.

Para determinar porque razão os telómeros dos nativos de Nicoya são tão longos, os investigadores analisaram 19 factores biológicos ou comportamentais, incluindo a obesidade, a tensão arterial, a educação e os hábitos alimentares como o consumo de óleos de peixe. A dieta não fazia aparentemente diferença e os habitantes de Nicoya até estavam pior que os restantes costa-riquenhos relativamente a indicadores de saúde como a obesidade e a tensão arterial. “Os factores de risco clássicos não explicavam a situação", diz Rehkopf.

 

Ao contrário do que seria de esperar, a pobreza parece ter um efeito protector em Nicoya. A região é particularmente pobre, os seus habitantes têm um estilo de vida agrícola tradicional, com acesso limitado a bens básicos como a electricidade. Ainda assim, os dos lares  mais pobres eram que tinham telómeros mais longos.

Os investigadores também viram indícios que os laços familiares e sociais fortes podem ser um factor importante nas longas vidas em Nicoya pois lá é menos provável que se viva sozinho, quando comparado com os outros costa-riquenhos e, dos que vivem, a vantagem dos telómeros desaparece. 

Estudos anteriores já tinham associado o comprimento dos telómeros a factores psicológicos como o stress e as relações sociais.

Michel Poulain, demógrafo e perito em longevidade no Instituto para Estudos Populacionais da Estónia em Tallinn, concorda que os laços sociais podem ter um papel importante, particularmente aqueles que fazem os mais idosos sentirem-se úteis. Ele visitou Nicoya com o projecto da National Geographic em 2007 e entrevistou 35 residentes com 95 anos ou mais: "Há um apoio familiar fantástico", recorda ele.

Tanto Rehkopf como Poulain enfatizam que não há um segredo único para uma vida longa e que os residentes dos pontos quentes de longevidade provavelmente desfrutam de uma combinação feliz de factores genéticos e ambientais.

A probabilidade de estudar estes factores em Nicoya pode estar a desaparecer, no entanto, à medida que a região se torna cada vez mais desenvolvida: “A sociedade local está a mudar", diz Poulain. “Não tenho a certeza se esta longevidade continuará a ser evidente no futuro."

 

 

Saber mais:

Isolamento social reduz esperança de vida

Telomerase reverte o processo de envelhecimento

Variante genética responsável por envelhecimento

Um comprimido para vida mais longa?

Descobertas novas pistas acerca do gene da longevidade

Telómeros - mais do que protectores

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com