2013-09-08

Subject: Jogos de vídeo ajudam a reduzir declínio cognitivo

 

Jogos de vídeo ajudam a reduzir declínio cognitivo

 

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@ psychologicalscience.orgCom sessenta e cinco anos, Ann Linsey estava a começar a ficar preocupada com a facilidade com que se distraía do que estava a fazer: “À medida que envelhecemos fica cada vez mais difícil fazer várias coisas ao mesmo tempo", diz ela.

Foi aí que se inscreveu num estudo que tinha como objectivo testar se jogar um jogo podia melhorar as capacidades cognitivas em declínio nas pessoas mais velhas e ficou impressionada com os resultados em si própria: “Andava frustrada porque achava que estava a perder as minhas capacidades mas agora aprendi como focar a minha atenção."

Há anos que as companhias que vendem jogos de vídeo e de computador alegam que os jogos tornam o utilizador mais inteligente mas têm sido criticadas por não conseguir mostrar de que forma essas capacidades melhoradas se traduzem num melhor desempenho na vida diária.

Agora, um estudo publicado na revista Nature, aquele em que Linsey participou, mostra de forma convincente que se um jogo for criado a pensar num deficit cognitivo específico, neste caso o realizar várias tarefas em simultâneo por idosos, pode realmente ser eficaz.

Liderado pelo neurocientista Adam Gazzaley, da Universidade da Califórnia, San Francisco, o estudo descobriu que um jogo chamado NeuroRacer pode ajudar os idosos a melhorar a sua capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, e o efeito parece transponível para tarefas do dia a dia, permanecendo durante seis meses. O estudo também mostra de que forma os padrões de actividade cerebral mudam, à medida que as capacidades cognitivas melhoram.

O NeuroRacer é um jogo de vídeo em três dimensões em que os jogadores conduzem um carro ao longo de uma estrada montanhosa e cheia de curvas com o polegar esquerdo, ao mesmo tempo que devem estar atentos a sinais que surgem ao acaso. Se o sinal tem uma determinada cor ou forma, os jogadores têm que o destruir com um dedo da mão direita. 

Este exercício de realização de várias tarefas em simultâneo, diz Gazzaley, convoca uma mistura de capacidades cognitivas tal como o faz a vida real, por exemplo, atenção focada, mudança de tarefa e memória de trabalho (a capacidade de ter múltiplos pedaços de informação na memória em mente).

Gazzaley começou por recrutar perto de 30 participantes para cada uma de seis décadas da vida, dos 20 aos 70, e confirmou que a capacidade de realizar várias tarefas em simultâneo, tal como medidas pelo jogo, diminuíam com a idade. Seguidamente recrutou 46 participantes com idades entre os 60 e os 85 anos e colocou-os num período de quatro semanas de treino com uma versão do NeuroRacer que aumentava de dificuldade à medida que o jogador melhorava.

Depois do treino, os sujeitos tinham melhorado de tal forma que alcançavam melhores resultados que sujeitos de 20 anos não treinados e as capacidades permaneciam seis meses após o último treino.

Os cientistas também conduziram um conjunto de testes cognitivos nos participantes, antes e depois do treino. Certas capacidades cognitivas que não tinham sido o alvo específico do jogo melhoraram e permaneceram melhor, como a memória de trabalho e a atenção sustentada. Ambas as capacidades são importantes para tarefas diárias, desde ler a cozinhar o almoço.

 

Isso é significativo, diz Gazzaley. “O Neuro­Racer não exige muito dessas capacidades em particular logo parece que o desafio de desempenhar várias tarefas em simultâneo pode pressionar todo o sistema de controlo cognitivo, aumentando o nível de todos os componentes."

A equipa também registou a actividade cerebral por electroencefalografia durante o jogo. À medida que as suas capacidades aumentavam, também a actividade do córtex pré-frontal do cérebro, que está associado ao controlo cognitivo, de uma forma que estava correlacionada com as melhorias nas tarefas de atenção sustentada. A actividade também aumentava na rede neural que liga o córtex pré-frontal com a zona posterior do cérebro.

A indústria que tem crescido com base na ideia que os jogos de computador treinam o cérebro tem polarizado opiniões sobre a eficácia dos pacotes de treino do cérebro, diz o neurocientista cognitivo Torkel Klingberg, do Instituto Karolinska de Estocolmo. “Algumas companhias não se baseiam na ciência e fazem alegações falaciosas mas alguns psicólogos também alegam que a memória de trabalho e a atenção são fixas e não podem ser treinadas."

Mas o estudo de Gazzaley confirma que a função cognitiva pode ser melhorada, se concebermos adequadamente os métodos de treino, diz Klingberg, consultor da Cogmed, uma companhia fundada em 1999 para comercializar métodos de treino do cérebro, particularmente para pessoas com problemas de deficit de atenção.

No ano passado, Gazzaley também fundou a companhia Akili, de que é conselheiro. Está a desenvolver um produto comercial semelhante ao NeuroRacer, que permanece uma ferramenta de investigação, e para irá pedir uma licença de produto terapêutico. 

Gazzaley, ainda assim, alerta para o excesso de entusiasmo: “Os jogos de vídeo não podem ser visto como uma panaceia garantida." Mas Linsey, pelo seu lado, está satisfeita com o que jogo fez por ela e pela sua contribuição: "Foi muito entusiasmante descobrir que um cérebro velho pode aprender e fico feliz por ter ajudado a fazer essa descoberta."

 

 

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