2013-09-06

Subject: Autor defende controverso relatório sobre caça à foca

 

Autor defende controverso relatório sobre caça à foca

 

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O autor de um artigo crítico da caça anual à foca canadiana veio defender o seu trabalho depois de ter sido fortemente atacado e acusado de tendencioso e cheio de erros.

Andrew Butterworth, investigador em bem-estar animal e veterinário na Universidade de Bristol, Reino Unido, refere que o seu estudo, as conclusões do qual foram descritas como “incorrectas ou enganadoras" numa crítica feita por funcionários e cientistas canadianos, se baseou em evidências de qualidade e que o seu uso de gravações vídeo de focas a serem mortas com bastões de basebol foi rigorosamente científico.

"Há diferentes pontos de vista, e o meu está enquadrado pela assunção de que devemos ter um cuidado considerável com o bem-estar destes animais no momento da sua morte com objectivos comerciais", diz ele. "Esta devia ser a expectativa em relação a qualquer outra actividade de abate comercial a esta escala."

Todos os anos, com início em Novembro, centenas de caçadores armados com espingardas, bastões e hakapiks (ferramenta metálica com um gancho na extremidade) matam dezenas de milhar de focas nas águas árcticas canadianas. 

A análise publicada online em Setembro último apoiou os argumentos dos grupos de defesa dos direitos dos animais que consideram esta caçada inumana. Mas outros investigadores responderam posteriormente com uma crítica ao estudo, referindo que os seus métodos tinham falhas e que as suas conclusões eram tendenciosas.

Butterworth, que foi um dos observadores da caçada, foi co-autor da análise, publicada na revista Marine Policy. Nela concluía que “os princípios geralmente aceites de abate humano não podem ser aplicados" na caça à foca.

Esse artigo citava evidências, incluindo estudos e vídeos, que sugeriam que tiros e bastonadas nem sempre causam morte imediata. Em resultado disso, algumas crias de foca têm que receber mais de uma bastonada e outras ficam feridas durante algum tempo antes de finalmente serem mortas. Muitas focas feridas a tiro provavelmente não ficam inconscientes imediatamente, salientam os autores, e são depois mortas à bastonada. Os autores concluíram que existiam “dados fiáveis que indicam que se pratica crueldade em larga escala".

Mas na sua crítica, Pierre-Yves Daoust, veterinário e patologista na Universidade de Prince Edward Island Charlottetown, Canadá, diz que as conclusões da análise são “incorrectas ou enganadoras" e que fornecem “um retrato selectivo e injusto dos dados disponíveis".

Daoust e os seus colegas escrevem que as bastonadas após o disparo de tiros não significam que o tiro não causou a morte imediata mas “o esmagamento do topo do crânio" garante que as exigências das Regulamentações Canadianas sobre Mamíferos Marinhos são cumpridas. Também dizem que algumas das referências citadas por Butterworth dizem respeito a práticas antigas, que já não são aplicadas. A sua crítica também atinge as provas em vídeo, alegando que estas não cumprem “critérios de rigor científico fundamentais", em parte porque foram recolhidas por organizações não governamentais que se opõem à caçada.

 

“Respeitamos aqueles que têm pontos de vista alternativos sobre esta questão mas acreditamos que artigos científicos devem fornecer conclusões baseadas na revisão total dos dados disponíveis", escrevem um dos co-autores de Daoust, Garry Stenson, zoólogo no Departamento Canadiano de Pescas e Oceanos (DFO) em St John’s, e Mike Hammill, do DFO em Mont-Joli. Apesar de Butterworth ter visitado a caçada brevemente, o seu co-autor não o fez e "a experiência de ambos baseia-se essencialmente em evidências vídeo recolhidas por grupos anti-caçada com o objectivo expresso de mostrar más práticas", escrevem eles.

Daoust refere que qualquer observação da caçada é, por necessidade, um momento e seria extremamente difícil conceber um estudo cientificamente robusto sobre a colheita de focas, dada a dimensão da área em que decorre e as condições agrestes que prevalecem durante o seu decurso. “No entanto, acredito que as minhas observações e as dos meus colegas nos permitiram melhorar a qualidade da caçada, do ponto de vista de bem-estar animal", diz ele.

Num comunicado, o DFO insiste que as práticas de colheita de focas estão "entre as melhores do mundo" e que a caçada é “claramente sustentável" ao nível actual, em que foram mortas cerca de 90 mil focas em 2013.

Os argumentos têm subido de tom nos últimos anos, com a Organização Mundial do Comércio a considerar a legalidade da proibição da importação de produtos de foca por parte da União Europeia.

“Este é um caso que vai criar um precedente, pois é a primeira vez que o bem-estar e considerações sobre a preocupação do público tiveram influência numa decisão da OMC sobre comércio de produtos animais", diz Butterworth, cuja resposta à crítica também foi publicada na Marine Policy.

 
 

 

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