2013-09-04

Subject: Como a fuligem matou a Pequena Idade do Gelo

 

Como a fuligem matou a Pequena Idade do Gelo

 

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O aumento da poluição atmosférica no seguimento da Revolução Industrial parece ser a explicação para um enigma há muito conhecido da glaciologia. 

A emissão de fuligem das chaminés e locomotivas a vapor europeias explica a razão porque os glaciares alpinos começaram a recuar muito antes do aquecimento global antropogénico se ter desencadeado, sugere o estudo agora conhecido.

Os cerca de 4 mil glaciares alpinos, actualmente em sério risco pela subida das temperaturas do ar, deram-se bem durante o período relativamente frio com cerca de 500 anos conhecido por Pequena Idade do Gelo, que começou por volta do final do século XIII. No seu máximo, em meados do século XIX, a extensão e o volume dos glaciares alpinos era pelo menos o dobro do que é agora.

Mas depois disso, os glaciares começaram repentinamente a recuar. Outras regiões do mundo também podem ter sido afectadas mas o declínio apenas foi bem documentado nos Alpes e, convencionalmente, os cientistas consideram que a Pequena Idade do Gelo terá terminado por volta de 1850.

No entanto, apesar da diminuição dos glaciares, as temperaturas médias globais não subiram significativamente até ao final do século. De facto, os registos climáticos alpinos, dos mais abundantes e fiáveis do mundo, sugerem que os glaciares deviam ter continuado a crescer durante mais de meio século, até perto de 1910.

“Algo desgastou os glaciares que os registos climáticos não conseguiram capturar", diz Georg Kaser, glaciólogo na Universidade de Innsbruck, Áustria, e membro da equipa que construiu o caso contra o carbono negro (ou fuligem) esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Um forte declínio na queda de neve no Inverno foi frequentemente assumido como o culpado", diz ele, “mas pelo que sabemos, esse declínio não existiu."

Num workshop sobre ciência dos glaciares que decorreu há dois anos na Academia de Ciências Pontifical no Vaticano, Kaser debateu o enigma com Thomas Painter, hidrologista de neve no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia, que tinha pesquisado o impacto climático das partículas atmosféricas conhecidas por aerossóis. Poderiam as partículas de fuligem resultantes da queima de combustíveis orgânicos ser a causa desvalorizada do degelo inusitado dos glaciares alpinos? O par resolveu investigar.

Como as superfícies escuras absorvem mais calor, se quantidade suficiente de fuligem se depositar sobre a neve e sobre o gelo isso pode acelerar o degelo. Registos históricos sugerem que por volta de meados do século XIX, o ar em alguns vales alpinos era espesso com a poluição. “As donas de casa de Innsbruck não deixavam a roupa secar ao ar livre", diz Kaser.

 

Os cientistas achavam improvável que fuligem suficiente tivesse sido transportada a altitudes tão elevadas que afectasse o degelo dos glaciares mas parece que estavam enganados. 

Quando a equipa de Kaser analisou os núcleos de gelo anteriormente perfurados em dois locais de elevada altitude nos Alpes ocidentais, a sela do glaciar Colle Gnifetti a 4455 metros no Monte Rosa e o glaciar Fiescherhorn a 3900 metros, descobriram que por volta de 1860 as camadas de gelo glaciar começaram a conter quantidades surpreendentemente elevadas de fuligem.

A equipa converteu o efeito energético dessa fuligem sobre os glaciares na época em alterações da temperatura do ar equivalentes. Quando incluíram um modelo simplificado de equilíbrio de massa, o efeito de degelo do carbono negro explicou de forma muito satisfatória o observado recuo dos glaciares alpinos, sem necessidade de incluir no modelo aumentos irrealistas de precipitação.

“A modelação pode ser refinada", diz Andreas Vieli, glaciólogo na Universidade de Zurique, Suíça, que não esteve envolvido no estudo. “Mas mesmo assim, este estudo oferece uma explicação muito elegante e plausível para o quebra-cabeças dos glaciares alpinos. Parece que, na Europa central, a fuligem acabou com a Pequena Idade do Gelo prematuramente."

Apenas por volta de 1970, quando a qualidade do ar começou a melhorar, as alterações climáticas em aceleração se tornaram o motor dominante do recuo dos glaciares nos Alpes, diz Kaser. Se os glaciares da região continuarem a derreter à taxa observada nos últimos 30 anos, quase todos terão desaparecido antes do final do século, acrescenta ele.

 

 

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