2013-09-03

Subject: Pragas agrícolas avançam com aquecimento global

 

Pragas agrícolas avançam com aquecimento global

 

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Phytophthora infestans @ Elizabeth Bush, Virginia Polytechnic Institute and State University, Bugwood.org/invasive.org

As pragas e as doenças agrícolas estão a deslocar-se em direcção aos pólos à mesma velocidade que as temperaturas mais elevadas, uma descoberta que sugere que são as alterações climáticas o motor da sua relocalização e coloca sérias preocupações sobre segurança alimentar ao Homem.

Espera-se que as alterações climáticas provoquem alterações na distribuição de espécies por todo o mundo, com a relocalização a ser geralmente para longe do equador e em direcção aos pólos, situação que já tem sido documentada em muitas espécies selvagens, incluindo aves e insectos.

O clima em alteração está a colocar graves preocupações sobre a segurança alimentar em muitos países e as pragas só podem contribuir para piorar as coisas. “Às nossas defesas, os pesticidas e os fungicidas, está a ser pedido que lidem com números cada vez maiores de doenças e pragas, cada uma das quais capaz de desenvolver resistência aos pesticidas", diz o ecologista Dan Bebber, da Universidade de Exeter, Reino Unido, que liderou o estudo. 

A expansão das populações de pragas para novos territórios aumenta o risco de que esses organismos, mais cedo ou mais tarde, escapem ao nosso controlo.

Entre as maiores ameaças estão os fungos e os oomicetos, causadores de graves doenças nas plantas. Várias estirpes altamente virulentas de fungos têm emergido nos últimos anos por todo o mundo e o oomiceto Phytophthora infestans continua um problema persistente 168 anos depois da grande fome irlandesa devida à destruição das colheitas de batata.

O movimento global das pragas das colheitas nunca tinha sido analisado exaustivamente. Para preencher esta lacuna, Bebber usaram os registos históricos do Centro Internacional para a Biociência Agrícola (CABI), que documentam pragas e doenças agrícolas por todo o mundo desde 1822. “Ninguém tinha analisado estas bases de dados", explica a co-autora Sarah Gurr, fitopatologista também em Exeter.

Outro co-autor, Mark Ramotowski, que fez o seu trabalho enquanto estudante da Universidade de Oxford, Reino Unido, reduziu a amostra do CABI de mais de 80 mil registos para 26776, focando-se no período após 1960, quando se tornaram mais fiáveis. Para 612 diferentes pragas, os investigadores identificaram o primeiro ano em que cada uma foi observada num novo país (ou região) e consideraram essa a data a que teria chegado à latitude média do país ou região.

A principal vulnerabilidade do seu estudo foram os possíveis vícios nos dados. O grupo colocou a hipótese de que, na ausência de qualquer tendência real, as pragas pareceriam deslocar-se para o equador e não para os pólos pois os países mais ricos têm os recursos científicos para as detectar mais cedo e estes tendem a localizar-se a latitudes mais elevadas. Assim, à medida que os países se desenvolvem e estudam melhor as suas pragas, estas pareceriam deslocar-se para os trópicos.

 

Em vez disso, a equipa descobriu que, em média, as pragas das culturas agrícolas se têm deslocado em direcção aos pólos a 2,7 quilómetros por ano, o que está muito próximo da taxa de alterações climáticas. 

No entanto, a taxa de alteração varia significativamente para os diferentes grupos e mesmo entre espécies: fungos, escaravelhos, besouros, ácaros, borboletas e traças revelaram movimentos claros para as latitudes mais elevadas, enquanto os vírus e os nemátodos se deslocaram para as latitudes inferiores. Outros grupos não revelaram alterações detectáveis.

“Muitos estudos mostraram que as alterações climáticas estão a afectar a distribuição das espécies selvagens mas esta é a primeira vez que se demonstra que um processo semelhante está em curso com as pragas", diz Gurr. Ela salienta a preocupante descoberta de que os fungos e os oomicetos se estão a deslocar particularmente rápido, a 7 e a 6 km por ano, respectivamente. O estudo foi publicado na última edição da Nature Climate Change.

Chris Thomas, biólogo na Universidade de York, Reino Unido, salienta que a taxa global de movimento é muito semelhante à encontrada na meta-análise por ele realizada sobre o movimento de espécies selvagens. 

Ele salienta, tal como os autores, que os grupos de pragas que parecem deslocar-se para o equador, na maioria nemátodos e vírus, são os menos compreendidos e, por isso mesmo, os que têm maior probabilidade de passar despercebidos nos países em desenvolvimento.

 

 

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