2013-09-02

Subject: Tempestades de Verão reforçam o gelo árctico

 

Tempestades de Verão reforçam o gelo árctico

 

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@ Nature/MODIS Rapid Response Team/Goddard/NASA

Quando se trata de manter o gelo marinho no Árctico, parece que existem ciclones bons e ciclones maus.

A ano passado mostrou-nos o exemplo dos maus. No início de Agosto de 2012, uma tempestade invulgarmente grande e intensa desabou sobre o Árctico vinda da Sibéria. O ciclone esteve activo perto de duas semanas, precisamente no auge da temporada de degelo, contribuindo para a quebra de um gelo já de si fino e fraco devido a um Verão precoce e quente. Em Setembro, o gelo marinho árctico tinha-se reduzido a um mínimo recorde de apenas 3,4 milhões de quilómetros quadrados.

No entanto, este ano, as tempestades de Verão que passaram pelo Árctico desempenharam o seu papel habitual de trazer neve e ar frio que abrandaram o degelo. Presentemente, com o degelo de Verão a terminar no espaço de algumas semanas, o coberto de gelo marinho está em cerca de 5,7 milhões de quilómetros quadrados (ver gráfico abaixo).

A enorme diferença entre as duas estações de degelo levou os peritos a investigar de que forma os ciclones podem exacerbar ou conter os efeitos do aquecimento global sobre o gelo marinho. No entanto, à medida que o aquecimento global prossegue e os ciclones se tornam mais intensos, muitos investigadores temem que Verões como o de 2012 possam tornar-se a regra e não a excepção.

@ Nature/NSIDCIan Simmonds, climatólogo na Universidade de Melbourne, Austrália, considera que não há dúvida que o ciclone de 2012 foi extremo.

Os seus cálculos mostram que a tempestade, baptizada como o Grande Ciclone Árctico, foi a tempestade de Agosto mais intensa a atingir a região desde que a monitorização por satélite começou em 1979 e a décima terceira mais intensa de que há registo na zona.

Noutro estudo, investigadores da NASA descobriram que o vento e a acção das ondas provocados pela tempestade provocaram a quebra de um enorme pedaço de gelo (com cerca de 400 mil quilómetros quadrados de área). 

Uma vez solto da massa principal de gelo, este bloco derreteu, reduzindo o coberto de gelo marinho total e deixando o gelo principal mais vulnerável à erosão causada pelo vento, andas e águas mais quentes provocadas pela tempestade.

Outra pesquisa sugere que o impacto da tempestade não terá sido tão severo. Axel Schweiger, climatólogo na Universidade de Washington em Seattle, correu um modelo de computador para isolar os efeitos do ciclone e descobriu que, por si só, terá sido responsável apenas por 150 mil quilómetros quadrados do degelo da estação.

 

Ao contrário do ano passado, os ciclones deste Verão reforçaram a formação de gelo ao trazerem ar frio para a zona. Neve das tempestades cai sobre o gelo e terras próximas, aumentando a quantidade que é reflectida de volta para o espaço e ajudando a manter a temperaturas baixas.

Mas os cientistas dizem que é mais provável que futuras tempestades de Verão acelerem a perda de gelo do que a abrandem, à medida que as temperaturas mais altas degradarem o coberto de gelo árctico. 

O gelo espesso e de vários anos, que sobrevivia ao degelo de um Verão, em tempos cobria vastas extensões do oceano Árctico mas agora essas águas estão dominadas por um fino gelo do ano, que se forma no Outono e derrete no Verão seguinte, muito mais vulnerável aos ferozes ventos e ondas que os ciclones trazem. “À medida que o gelo se torna mais fino e mais disperso, torna-se um alvo fácil para as tempestades", diz Simmonds.

O desaparecimento do gelo pode, por si só, conduzir a tempestades mais intensas, diz Claire Parkinson, climatóloga no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. O desaparecimento do gelo deixa zonas de oceano aberto, permitindo que mais água quente atinja a atmosfera e alimente as tempestades: “O sistema está interligado", diz ela.

Até agora, apesar de algumas das pesquisas sugerirem que os ciclones árcticos podem estar a tornar-se mais intensos, vários estudos não encontraram alterações aparentes na frequência de tempestades de Verão e final de Primavera na zona. “Se devemos esperar mais destas tempestades é uma questão em aberto", diz Schweiger.

O menor degelo de Verão deste ano no Árctico não consegue, no entanto, mascarar o declínio contínuo do gelo marinho, diz Julienne Stroeve, climatóloga no Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo em Boulder, Colorado. Sete dos oito registo menores da extensão de gelo marinho ocorreram nos últimos oito anos, diz ela. No início de Agosto deste ano, o coberto de gelo marinho já era inferior que os mínimos anuais registados nas décadas de 70 e 80 e ainda faltam semanas até ao fim da época de degelo.

 

 

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