2013-09-01

Subject: Oceano tropical responsável por hiato no aquecimento global

 

Oceano tropical responsável por hiato no aquecimento global

 

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Um novo estudo agora conhecido vem somar evidências de que o arrefecimento no oceano Pacífico tropical é a causa do hiato no aquecimento global, um abrandamento na subida das temperaturas médias que começou por volta de 1998.

O Pacífico leste equatorial é bem conhecido por ter uma influência desmesurada no clima global. Tendências oceânicas de anos, como o El Niño e a La Niña provocam aquecimento e arrefecimento alternados na superfície oceânica na zona, que afectam as monções e as temperaturas por todo o mundo. 

Agora, um estudo com modelos realizado por investigadores da Instituição de Oceanografia Scripps em La Jolla, Califórnia, indica que uma tendência de uma década de arrefecimento do tipo La Niña que afectou apenas 8% da superfície da Terra pode explicar a subida mais lenta das temperaturas globais.

“O arrefecimento do Pacífico equatorial revelou-se forte o suficiente para compensar a subida generalizada nas temperaturas induzida pelos gases de efeito de estufa antropogénicos”, diz Shang-Ping Xie, modelador climático na Scripps e co-autor do estudo agora publicado na revista Nature. Igualmente importante, diz ele, o modelo ajuda a explicar tendências regionais que parecem desafiar o hiato no aquecimento global, incluindo o calor recorde nos Estados Unidos no ano passado e o continuado declínio do gelo marinho árctico.

Os cientistas exploraram várias explicações para o hiato, incluindo a redução da energia que alcançava a Terra atribuída a um mínimo prolongado na actividade solar, um declínio na quantidade de vapor de água (um gás de efeito de estufa) na estratosfera e um aumento nos níveis atmosféricos de partículas provenientes de actividade industrial e vulcânica que bloqueiam a passagem da luz solar. 

Estudos anteriores também associaram o arrefecimento do Pacífico ao hiato e sugeriram que à medida que a superfície oceânica arrefece, correntes profundas abaixo da superfície enterram o calor da atmosfera.

Neste último estudo, Xie e o seu colega Yu Kosaka correram simulações de computador para investigar de que forma a temperatura da superfície do oceano observada no Pacífico leste equatorial nas últimas décadas afectaram o clima global. Descobriram que as condições La Niña observadas suprimiram as temperaturas médias globais durante os meses de Inverno no hemisfério norte mas permitiram que as temperaturas continuassem a a subir durante os Verões no hemisfério norte, produzindo os aparentemente paradoxais extremos de calor regionais.

 

Andrew Dessler, climatólogo na Universidade Texas A&M em College Station, diz que os resultados mostram de forma convincente que a 'pausa' no aquecimento global foi conduzida maioritariamente pela variabilidade oceânica. “Se isto se revelar correcto", acrescenta ele, “então parece muito provável que a energia que está a ser aprisionada pelos gases de efeito de estufa está realmente a ir para o oceano profundo."

Um estudo feito por investigadores do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica (NCAR) americana em Boulder, Colorado, actualmente a ser publicado pela revista Journal of Climate, sugere que os arrefecimentos de uma década ao estilo La Niña alternam com um aumento das temperaturas globais durante a década de El Niño de aquecimento, uma das quais persistiu durante as décadas de 80 e 90. 

Kevin Trenberth, co-autor desse artigo, diz que o estudo da Scripps é “novo e útil" na demonstração de ligações entre as temperaturas oceânicas tropicais e as tendências climáticas globais, mesmo que permaneça silencioso sobre as causas dessas tendências.

Para Xie, o estudo foi um esforço inicial para reconciliar dados contraditórios sobre tendências regionais e globais. Alguns cépticos das alterações climáticas tentaram usar o hiato para desacreditar o aquecimento global mas Xie diz que os seus resultados apenas fortalecem a ligação entre os gases de efeito de estufa e as alterações climáticas. Não é claro quanto tempo durará esta fase fria no Pacífico tropical mas é apenas uma questão de tempo: “O sinal de alarme vai chegar um dia quando o Pacífico decidir nadar para um estado mais quente", diz ele.

 

 

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