2013-08-28

Subject: Contestadas experiências que seguiram cérebros grandes

 

Contestadas experiências que seguiram cérebros grandes

 

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@ Nature/Reinhard/ARCO/naturepl.com

Um estudo muito famoso que revelou um aumento de inteligência em peixes guppies de cérebro grande está a ser contestado por outros cientistas. O debate coloca questões sobre a controversa ideia que a evolução de um cérebro grande tem custos para o animal em relação a outras características, para além de salientar a dificuldade de provar que um animal é mais esperto que outro.

A hipótese do tecido dispendioso defende que a evolução de um cérebro grande exige que se façam cedências relativamente a outras características, pois os cérebros grandes açambarcam tanta energia. A ideia tem sido usada para explicar a razão porque os humanos têm cérebros maiores do que os outros grandes símios e alguns têm mesmo defendido que os cérebros grandes implicam sistemas digestivos menores. Os estudos que testam a hipótese do tecido dispendioso em peixes, aves, morcegos e outros mamíferos relataram resultados contraditórios.

Em Janeiro, Niclas Kolm, um biólogo evolutivo na Universidade de Estocolmo, testou a hipótese em peixes guppy Poecilia reticulata. Ele e a sua equipa criaram linhagens de guppies com cérebros grandes acasalando pares de peixes com cérebros grandes. Apenas após duas gerações tinham criado peixes com cérebros que diferiam em tamanho até 9%.

Estudos anteriores tinham comparado espécies diferentes para ver se animais com cérebros maiores tendiam a ter intestinos menores (tendo em conta o tamanho total do corpo) mas Kolm considera que os seus guppies de cérebro grande são um teste mais directo pois podem ser usados para provar que a evolução de um cérebro grande conduz a outras cedências.

Os guppies de cérebro grande têm intestinos menores que os guppies de cérebro pequeno (20% menores no caso dos machos e 8% no caso das fêmeas) e produziam menos descendência. Mas os cérebros grandes não eram só más notícias, diz Kolm: “Porque gastar energia a desenvolver um cérebro grande se fosse apenas dispendioso? As fêmeas guppies de cérebro grande eram melhores na aprendizagem da associação de símbolos numéricos no tanque a recompensas alimentares.

Mas agora Candy Rowe, perita em comportamento animal na Universidade de Newcastle, Reino Unido, diz que a metodologia do estudo pode ter tido falhas. “O grande desapontamento para mim é que a tarefa cognitiva que foi usada não demonstrava realmente diferenças na capacidade cognitiva", diz Rowe, que juntamente com a bióloga Susan Healey, da Universidade de St Andrews, Reino Unido, publicou uma crítica na revista Animal Behaviour a 20 de Agosto.

Os guppies de cérebro grande tiveram um bom desempenho se estavam mais motivados pelas recompensas de alimento que os peixes menores ou poderiam estar mais atentos à formas no tanque devido aos seus cérebros serem melhores a processar informação visual. Até que factores confusos como estes sejam eliminados, a equipa de Kolm não pode provar que as diferenças de desempenho se devem a inteligência, diz Healey.

 

Kolm diz que a sua equipa não notou diferenças importantes na quantidade de alimento consumida pelos guppies, o que sugere que estariam igualmente motivados para a tarefa. “Fizemos o nosso melhor para garantir que não havia diferenças óbvias na motivação e não conseguimos medir diferenças", diz ele, na resposta oficial da sua equipa, também na revista Animal Behaviour.

Em novas experiências, a equipa de Kolm descobriu que mais provas de que os cérebros grandes conduzem a ganhos cognitivos. Os machos de cérebro grande, que tiveram melhor desempenho que os outros machos na tarefa anterior, foram mais rápidos a percorrer um labirinto que os conduzia a uma fêmea guppy, diz Kolm. Estes resultados ainda não foram publicados e Kolm está a trabalhar na criação de cérebros grandes noutras espécies, para fortalecer o seu caso.

Christian Agrillo, cientista cognitivo na Universidade de Pádua, Itália, que estuda a cognição numérica em peixes, acredita que a equipa de Kolm criou um cenário forte de apoio à ideia que desenvolver um cérebro grande torna os peixes mais inteligentes. Mas ele diz que a personalidade pode oferecer outra explicação para os resultados. Se os peixes de cérebro grande forem mais audaciosos, eles podem ter maior probabilidade de explorar os seus tanques, diz ele.

É possível descontar esses factores com mais experiências, por exemplo através de testes de personalidade por observação do comportamento dos peixes num tanque aberto, mas Agrillo diz que pode ser difícil afastar completamente as alternativas. Rowe considera que outros estudos que podem relatar diferenças de inteligência animal entre indivíduos, como os que analisam o declínio mental com a idade, podem ter o mesmo problema: “É um grande desafio e teremos que o enfrentar."

 

 

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