2013-08-27

Subject: Crescente acidez oceânica vai exacerbar alterações climáticas

 

Crescente acidez oceânica vai exacerbar alterações climáticas

 

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@ Nature/Wim van Egmond/Visuals Unlimited/SPL

O lento e inexorável aumento da acidez dos oceanos, à medida que estes absorvem dióxido de carbono da atmosfera, pode, por si só, ter um efeito no clima e amplificar o aquecimento global, de acordo com um novo estudo agora conhecido. 

A acidificação pode levar certos organismos marinhos a emitir menos dos compostos sulfurosos que ajudam a desencadear a formação de nuvens e assim ajudar a manter o planeta mais fresco.

O enxofre atmosférico, que na sua maioria provém do oceano, é uma barreira contra o aquecimento global. O fitoplâncton produz dimetilsulfido (DMS), algum do qual entra na atmosfera e reage com o ácido sulfúrico, originando aerossóis. Os aerossóis desencadeiam a formação das nuvens, que ajudam a arrefecer a Terra ao reflectir a luz do sol.

James Lovelock e os seus colegas propuseram na década de 80 que o DMS podia fornecer um mecanismo de feedback que limitasse o aquecimento global, como parte da hipótese Gaia de Lovelock de uma Terra capaz de auto-regulação. Se o aquecimento aumentasse a produtividade do plâncton, as emissões oceânicas de DMS poderiam subir e ajudar a arrefecer a Terra.

Mais recentemente, o pensamento mudou em direcção à previsão de que poderia ocorrer um feedback na direcção oposta, devido ao aumento da acidificação. À media que mais CO2 entra na atmosfera, algum dele dissolve-se na água do mar e forma ácido carbónico. Este reduz o pH dos oceanos, que já desceu 0,1 unidades de pH em relação ao valor pré-industrial e pode descer mais 0,5 em alguns locais até 2100. 

Estudos usando mesocosmos, ou seja, volumes fechados de água do mar, já mostraram que a água do mar com pH mais baixo produz menos DMS. À escala global, a queda das emissões de DMS devida à acidificação pode ter um efeito crucial no clima, criando um ciclo vicioso de feedback positivo e reforçando o aquecimento.

Katharina Six, do Instituto Max Planck de Meteorologia em Hamburgo, Alemanha, aplicou estes dados de mesocosmos a um modelo global do clima desenvolvido no seu instituto. No 'cenário moderado' descrito pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que assume que não haja redução das emissões de gases de efeito de estufa, a temperatura média global deverá subir entre 2,1 e 4,4 °C até 2100.

Acrescentar a isso os efeitos da acidificação dos oceanos sobre a produção de DMS, que a equipa calculou usando três estimativas diferentes da força da associação entre o pH e a produção de DMS, conduz a um aumento adicional da temperatura entre 0,23 e 0,48 °C. O seu artigo foi publicado na última edição da revista Nature Climate Change.

 

“O resultado, por si só, não me surpreende muito", diz Michael Steinke, investigador na Universidade de Essex. Mas ele acha que incorporar esses resultados nos modelos preditivos globais é muito importante: “Isso é algo que não foi feito ainda."

No entanto, Steinke salienta um estudo recente da sua autoria que indica que as emissões oceânicas de DMS poderão ser mais afectadas pelo aumento da temperatura do que pela acidificação. Águas mais quentes tendem a produzir mais DMS, logo isso pode aumentar as emissões totais no futuro. 

O novo estudo tem realmente o aquecimento em consideração mas Steinke enfatiza que o efeito da acidificação sobre a produção de DMS é melhor compreendido do que o de outras alterações ambientes induzidas pelo Homem.

Tom Bell, biogeoquímico marinho no Laboratório Marinho de Plymouth no Reino Unido, aconselha cautela na extrapolação de dados de mesocosmos obtidos no espaço de semanas para alterações que ocorrem no espaço de décadas. 

Six reconhece essa limitação no estudo da sua equipa: “Certamente que nada está escrito em pedra." Ela salienta que não decorreram experiências com mesocosmos em regiões tropicais e subtropicais e que correr simulações com diferentes modelos poderá ajudar a eliminar erros.

No entanto, todos concordam que é importante reconhecer que os organismos marinhos serão afectados por alterações climáticas e que isso pode ter impacto, por sua vez, no clima: “O CO2 que é absorvido pelos oceanos continua a ser relevante para o clima", diz Six.

 

 

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